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Moda sustentável brasileira ganha espaço no mercado internacional

Publicado em 11/09/2026 às 16:03 edição Lenilde Pacheco


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Também haverá showroom de negócios destinado à aproximação de compradores e parceiros internacionais

A moda sustentável brasileira começa a ampliar sua presença no mercado internacional. Dez marcas nacionais, lideradas por mulheres e selecionadas por critérios de sustentabilidade, design e inovação, levam suas coleções à Itália neste mês para participar da Semana de Moda de Milão.

A iniciativa Brazilian Sustainable Fashion in Milan, promovida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), no âmbito do Texbrasil, com participação da Associação Brasileira da Moda Sustentável (Abrimos), terá como principal atração um desfile exclusivo em 22 de setembro, em Milão.

Mais do que apresentar criações brasileiras ao público internacional, o projeto busca mostrar como matérias-primas de menor impacto, técnicas artesanais, biodiversidade e saberes tradicionais podem ser transformados em produtos de moda com design, inovação e valor agregado.

Após o desfile, as marcas participam, nos dias 23 e 24, de um showroom de negócios destinado à aproximação com compradores, parceiros e outros agentes do mercado internacional.

Para Maria Paula Velloso, diretora de Negócios da ApexBrasil, a iniciativa combina visibilidade internacional e oportunidades de negócios para empresas brasileiras. “Temos uma oportunidade concreta de posicionar o Brasil na vanguarda de uma moda mais consciente, em que sustentabilidade, criatividade e inovação se traduzem também em valor e vantagem competitiva para a indústria brasileira”, afirma.

A escolha das dez marcas passou por um processo de mapeamento e seleção voltado a empresas com práticas sustentáveis incorporadas à operação. Entre os critérios considerados estão o uso de fibras certificadas, materiais biodegradáveis, tingimento vegetal, upcycling, reaproveitamento de resíduos, técnicas artesanais, valorização da biodiversidade e conhecimentos tradicionais.

Para Lilian Kaddissi, superintendente de Marketing e Negócios da Abit, o objetivo foi priorizar empresas que demonstrassem compromisso efetivo com essas práticas, e não apenas com a comunicação de uma imagem associada à sustentabilidade.

Do algodão orgânico ao design

A transformação da sustentabilidade em diferencial competitivo exige mudanças que começam antes de uma coleção chegar às passarelas. É o caso da Natural Cotton Color, uma das marcas selecionadas. Segundo sua fundadora e presidente da Abrimos, Francisca Vieira, a certificação GOTS (Global Organic Textile Standard) exigiu investimentos e adequações em toda a estrutura da empresa.

A marca tem como principal matéria-prima o algodão orgânico naturalmente colorido, cultivado pela agricultura familiar no sertão da Paraíba. Como não passa por tingimento, o material reduz uma etapa do processo convencional de produção têxtil. A coleção também incorpora rendas e bordados.

Para Francisca, o desafio da moda sustentável é associar responsabilidade socioambiental a atributos capazes de conquistar o consumidor. “Sustentabilidade é um valor fundamental para o futuro da moda, mas exige compromisso e investimento”, afirma.

A consultora Geni Ribeiro, responsável pela curadoria da iniciativa, reforça que a valorização das matérias-primas e técnicas brasileiras precisa avançar para o desenvolvimento de produtos competitivos internacionalmente. “O que vemos aqui hoje é resultado de um trabalho de desenvolvimento de produto, modelagem e, especialmente, design”, afirma.

Biodiversidade

Participam da iniciativa Alina Amaral, Ana de Jour, Camila Machado Ateliê, Celeste, Ludimila Heringer, Lybethras, Natural Cotton Color, Proposta Verde, Val Valadares e Villa Dharma.

Vindas de diferentes regiões do país, as marcas têm em comum a liderança feminina e a combinação de identidade brasileira, conhecimento tradicional, técnicas artesanais, biodiversidade e inovação.

Entre elas está a Celeste, marca de resortwear autoral que utiliza poliamida biodegradável e algodão orgânico certificado, além de manter parcerias com comunidades artesãs. A empresa vê a participação em Milão como oportunidade para apresentar ao mercado internacional a diversidade da produção brasileira.

Sustentabilidade

A presença das marcas brasileiras em Milão combina agenda ambiental com estratégia de internacionalização. A Itália foi, em 2025, o segundo principal destino, na União Europeia, das exportações brasileiras do complexo de moda, respondendo por 16,9% das vendas do segmento destinadas ao bloco. No mesmo ano, o Brasil exportou US$ 42,3 milhões em produtos do complexo de moda para o mercado italiano. Entre janeiro e julho de 2026, as vendas chegaram a US$ 24,4 milhões. A ApexBrasil identificou ainda 14 oportunidades comerciais para produtos do segmento no país.

A agenda brasileira em Milão prossegue entre os dias 24 e 27 de setembro, quando 23 marcas participam da White Milano, na Zona Tortona, por meio do Fashion Label Brasil, programa de internacionalização da moda brasileira desenvolvido pela ApexBrasil em parceria com a Associação Brasileira de Estilistas (ABEST). Três marcas — Ludimila Heringer, Lybethras e Villa Dharma — participam das duas agendas.

O movimento evidencia uma mudança importante no setor: sustentabilidade deixa de ser apenas atributo de comunicação e passa a integrar produto, processo, identidade e estratégia de internacionalização. Para as marcas brasileiras, o desafio agora é transformar esses diferenciais em valor reconhecido pelo consumidor e em negócios no mercado global.