img
img

ICMBio amplia ações para proteger ararinhas-azuis em emergência sanitária

Publicado em 17/09/2026 às 15:34 edição Lenilde Pacheco


img

Endêmica da Caatinga, ararinha-azul é símbolo da biodiversidade nacional - Foto: ICMBio/Gov Federal

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ampliou, desde o início desta semana, as ações de enfrentamento à emergência sanitária provocada pelo circovírus entre ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) em Curaçá, no norte da Bahia. A medida reforça a estratégia de proteção de uma das espécies mais emblemáticas da biodiversidade brasileira e essencial para os esforços de conservação da Caatinga.

Além de acompanhar as 69 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs que testaram negativo para o vírus e foram transferidas para o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina (PE), o ICMBio passou a monitorar diretamente as 34 ararinhas-azuis que testaram positivo e permanecem no Criadouro Ararinha-azul, em Curaçá.

A resposta sanitária envolve fiscalização, manejo especializado, alimentação, acompanhamento veterinário, coleta de material biológico, testagem, quarentena, isolamento sanitário e reforço das medidas de biossegurança. O objetivo é reduzir os riscos de disseminação do vírus e preservar a saúde das aves, em uma etapa considerada estratégica para o futuro da espécie.

A separação entre indivíduos positivos e negativos é uma das principais medidas adotadas para conter a circulação do circovírus. As aves transferidas para o Cemafauna permanecem em quarentena, sob acompanhamento técnico e veterinário, e serão submetidas a novos ciclos de testagem.

A emergência sanitária começou após a identificação de indícios de circovírus em um filhote de ararinha-azul nascido em vida livre. A confirmação desencadeou o reforço do monitoramento sanitário e a adoção de medidas para investigar e controlar a circulação do agente infeccioso.

Como parte da resposta, em 27 de maio, uma força-tarefa coordenada pelo ICMBio transferiu para o Cemafauna os 69 indivíduos que testaram negativo, além de duas araras-maracanãs. Ao todo, 103 aves estavam no criadouro. As 34 que apresentaram resultado positivo permanecem em Curaçá, sob acompanhamento do Instituto e submetidas às medidas de manejo e controle sanitário.

A continuidade das ações foi assegurada por decisão da Justiça Federal, que reconhece a possibilidade de atuação direta do ICMBio na execução das medidas sanitárias necessárias.

Biodiversidade

Endêmica da Caatinga brasileira, a ararinha-azul é um símbolo da biodiversidade nacional. A espécie chegou a ser considerada extinta na natureza e hoje é alvo de um amplo programa de conservação e reintrodução. Nesse contexto, o controle de doenças, o monitoramento permanente e o manejo especializado são componentes fundamentais para proteger as populações existentes e criar condições para o avanço da reintrodução da ave em seu habitat natural.

O ICMBio mantém o acompanhamento da emergência e das condições sanitárias das aves, com novas medidas de monitoramento e controle previstas conforme os resultados das avaliações técnicas. A estratégia busca conter a disseminação do circovírus e, ao mesmo tempo, preservar os esforços de longo prazo para recuperar na natureza uma espécie que representa um dos mais importantes patrimônios da fauna da Caatinga.