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BNDES destina R$ 200 milhões à restauração de 7,2 mil hectares na Amazônia

Publicado em 22/09/2026 às 11:34 edição Lenilde Pacheco


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Recursos são destinados ao plantio de espécies nativas e sistemas agroflorestais - Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 200 milhões do Fundo Clima para um novo projeto de restauração ecológica do grupo Mombak. A iniciativa prevê recuperar 7,2 mil hectares de áreas degradadas, principalmente no Pará, com investimento total estimado em R$ 457 milhões.

Voltado à recuperação da vegetação nativa, o financiamento integra a linha Fundo Clima – Florestas Nativas e Recursos Hídricos, que apoia o plantio de espécies nativas, sistemas agroflorestais e outras ações de restauração. Com prazo de 25 anos, a operação do BNDES representa cerca de 44% do investimento total, enquanto a parcela restante será aportada pela Mombak por meio de outras fontes.

A estratégia concentra-se sobretudo em áreas anteriormente ocupadas por pecuária extensiva de baixa produtividade, buscando transformar territórios degradados em novas áreas de floresta e ampliar a capacidade de recuperação ambiental da Amazônia.

“Projetos de restauração em escala permitem recuperar áreas degradadas, gerar emprego e estruturar uma atividade econômica baseada na floresta em pé”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Segundo ele, o prazo de financiamento do Fundo Clima é compatível com o ciclo de longo prazo necessário para projetos de restauração com espécies nativas.

Floresta nativa e biodiversidade

Os recursos serão destinados a etapas como preparo do solo, plantio, manejo, aquisição de mudas e sementes, manutenção, monitoramento florestal e obras de apoio.

A implantação está prevista para ocorrer em quatro anos e combinará diferentes métodos de restauração, definidos conforme as características de cada área. Cerca de 90% da extensão deverá utilizar plantio de mudas e semeadura direta, enquanto os 10% restantes serão recuperados por meio de regeneração natural assistida.

Entre as espécies previstas estão castanheira, paricá, ipês-amarelo e roxo, angelim-vermelho, samaúma, tachi-branco, fava-arara, mogno-brasileiro e amarelão. A diversidade de espécies busca acelerar a formação da cobertura florestal, recuperar habitats e favorecer a retomada dos processos naturais de regeneração.

Para Gabriel Haddad Silva, CEO da Mombak, o novo financiamento permitirá ampliar técnicas de restauração testadas nos primeiros projetos e aplicá-las em uma área maior. A expectativa é aumentar a capacidade de recuperação de áreas degradadas e gerar remoções de carbono em escala.

Restauração

Além da recuperação da vegetação, o projeto deverá contribuir para proteção do solo e dos recursos hídricos, reconexão de fragmentos florestais e ampliação de habitats para a fauna, ao mesmo tempo em que movimenta cadeias produtivas relacionadas à restauração.

Durante a implantação, a operação financiada pelo BNDES deverá gerar até 440 empregos diretos e 65 indiretos. Após essa etapa, a estimativa é manter cerca de 50 postos de trabalho. O projeto também deve estimular fornecedores de sementes e mudas, serviços florestais, manutenção e monitoramento das áreas restauradas.

A operação financiada pelo BNDES tem potencial para gerar, isoladamente, até 4,7 milhões de unidades de créditos de remoção de carbono. Os créditos poderão ser comercializados no mercado voluntário e, potencialmente, em mercados regulados de carbono em desenvolvimento.

“A restauração tem efeitos que vão além da captura de carbono”, afirmou Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES. Segundo ela, a recuperação da vegetação nativa também protege recursos naturais, reconecta áreas de floresta, amplia habitats e fortalece cadeias produtivas associadas à restauração.

O novo financiamento é a segunda operação do BNDES com a Mombak voltada à restauração ecológica. A primeira, contratada em janeiro de 2025, destinou R$ 160 milhões à recuperação de 13 mil hectares no bioma Amazônia. Até junho de 2026, 9,4 mil hectares já haviam sido implantados.

Com as duas operações, os financiamentos do BNDES chegam a R$ 360 milhões, destinados à restauração de aproximadamente 20,2 mil hectares.

BNDES Florestas

As operações do Fundo Clima – Florestas integram o BNDES Florestas, estratégia que reúne instrumentos de crédito, recursos não reembolsáveis e investimentos para apoiar restauração ecológica, conservação, bioeconomia e geração de ativos ambientais.

Segundo o banco, a iniciativa já mobilizou R$ 14,6 bilhões, com metas de contribuir para o plantio de 354 milhões de árvores, a geração de 89 mil empregos verdes e a remoção de 68 milhões de toneladas de CO₂ equivalente da atmosfera.