Soja ganha protagonismo na transição energética e agenda verde
Publicado em 24/08/2026 às 15:02 edição Lenilde Pacheco
Soja ganha destaque na agenda verde: redução de impacto ambiental - Foto: Wenderson Araújo/CNA
A soja brasileira ocupa posição estratégica na economia nacional e no mercado global. Uma das principais commodities do agronegócio, a oleaginosa deixou de estar associada apenas à alimentação humana e animal e à indústria de alimentos para ganhar espaço em novas cadeias produtivas, especialmente no setor de energia. O movimento acompanha uma transformação mais ampla do agronegócio, marcada pela busca por eficiência, rastreabilidade, inovação e a inadiável redução de impactos ambientais, relevante na agenda verde.
Entre as novas aplicações, destaca-se o uso da soja na produção de biocombustíveis. No Brasil, o óleo da oleaginosa é a principal matéria-prima utilizada na fabricação de biodiesel, cuja demanda vem crescendo com a expansão de políticas voltadas à descarbonização da matriz energética. Segundo a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (AproBio), a produção nacional de biodiesel deve avançar 6,3% em 2026, para 10,5 bilhões de litros, com a adoção da mistura B15.
O avanço dos biocombustíveis amplia o papel da soja na transição energética e reforça o potencial de uma cadeia que combina relevância econômica, segurança alimentar e novas oportunidades para a economia de baixo carbono.
Para Alessandro Reis, CEO da CJ Selecta, a evolução da oleaginosa evidencia sua capacidade de conectar diferentes setores e gerar valor ao longo de uma cadeia cada vez mais diversificada.
“A soja brasileira possui uma característica única: sua capacidade de conectar diferentes cadeias produtivas e gerar valor em múltiplos setores. Além da importância econômica e alimentar, ela também avança como um elemento relevante na agenda de transição energética, especialmente com a expansão do biodiesel e de outras soluções renováveis.”
Sustentabilidade
A diversificação dos usos da soja ocorre em paralelo ao aumento das exigências por responsabilidade socioambiental em toda a cadeia produtiva. Rastreabilidade, conformidade ambiental, eficiência no uso de recursos naturais, redução de emissões e critérios ESG passaram a integrar as estratégias de empresas e produtores que buscam ampliar sua competitividade nos mercados nacional e internacional.
Nesse contexto, a CJ Selecta direciona investimentos para inovação, desenvolvimento de soluções sustentáveis e aprimoramento dos processos produtivos. As iniciativas incluem mecanismos de rastreabilidade, conformidade socioambiental e melhoria contínua das operações, com o objetivo de combinar eficiência, geração de valor e menor impacto ambiental.
A estratégia também se estende ao aproveitamento mais eficiente da própria matéria-prima.
Etanol de soja
A CJ Selecta mantém uma planta dedicada à produção de etanol de soja, iniciativa que amplia as possibilidades de aproveitamento da oleaginosa e reforça a aposta da companhia em inovação e diversificação.
A utilização da soja na produção de etanol agrega valor à cadeia e amplia sua participação no mercado de biocombustíveis, em um momento de avanço das alternativas voltadas à redução da dependência de fontes fósseis e das emissões de gases de efeito estufa.
“Acreditamos que inovação e sustentabilidade precisam caminhar juntas. A planta de etanol de soja representa nossa busca constante por novas soluções, ampliando o aproveitamento da matéria-prima e contribuindo para uma cadeia mais eficiente e preparada para os desafios futuros”, afirma Alessandro Reis.
Para além da produção de biocombustíveis, a agenda de sustentabilidade do agronegócio envolve desafios relacionados ao uso eficiente da água e do solo, à redução de impactos ambientais, à conservação dos recursos naturais, ao desenvolvimento das comunidades e à transparência das relações produtivas.
A tendência é que a capacidade de conciliar produtividade, inovação e responsabilidade socioambiental se torne cada vez mais determinante para a competitividade do setor. Nesse cenário, a soja ganha uma dimensão estratégica adicional: além de alimentar mercados, pode contribuir para a construção de cadeias produtivas mais eficientes, rastreáveis e alinhadas à transição para uma economia de baixo carbono.
“O futuro do agronegócio está diretamente relacionado à capacidade de produzir mais, com eficiência e responsabilidade. Investir em rastreabilidade, inovação e iniciativas ESG deixou de ser apenas um diferencial e passou a fazer parte da construção de cadeias produtivas mais resilientes e alinhadas às demandas globais”, conclui o CEO.
Sobre a CJ Selecta
Fundada em 1984 e integrante da CJ Bio Division, do grupo sul-coreano CJ, a CJ Selecta atua na fabricação de produtos derivados de soja para diferentes segmentos. Com sede em Uberlândia (MG), unidade industrial em Araguari (MG) e filiais em diferentes regiões do país, a empresa está entre as principais exportadoras brasileiras de concentrado proteico de soja (SPC, na sigla em inglês), produzido a partir de soja transgênica e não transgênica.
Em 2019, a companhia iniciou a produção de fertilizantes especiais e soluções para nutrição de plantas, ampliando sua atuação em tecnologias voltadas à produtividade e à sustentabilidade. A estratégia combina conhecimento técnico e inovação para desenvolver soluções destinadas ao aumento da eficiência no campo e ao uso mais responsável dos recursos naturais.