Plantio de 50 mudas de árvores nativas contribui para proteção da arara-azul no Pantanal
Publicado em 24/08/2026 às 17:29 edição Lenilde Pacheco
Nova etapa prevê o plantio na Fazenda Caiman, com o apoio do Projeto Água Vida - Foto: Divulgação
A volta da arara-azul à lista nacional de espécies ameaçadas de extinção, em junho deste ano, amplia a urgência de ações para proteger a ave e recuperar os ambientes dos quais ela depende. Nesse contexto, o fotógrafo e ambientalista Mário Barila, fundador do Projeto Água Vida, dá continuidade a uma iniciativa de restauração ambiental no Pantanal, iniciada em outubro de 2025 com a criação do primeiro Bosque das Araras, em Bonito (MS).
A nova etapa prevê o plantio de 50 mudas na Fazenda Caiman, em uma ação do Instituto Arara Azul com o apoio do Projeto Água Vida. A entrega das mudas será realizada em 26 de agosto, a partir das 7h, com a participação de Barila. Entre as espécies estão árvores frutíferas e nativas do Pantanal, com destaque para o manduvi, também conhecido como amendoim-de-bugre ou amendoim-de-arara.
A espécie tem papel central na reprodução da arara-azul. Suas grandes árvores oferecem cavidades naturais utilizadas pela ave para construir os ninhos, tornando a recuperação do manduvi uma medida importante para a conservação da população da espécie.
“O manduvi é fundamental para a preservação da ave. Porém, a quantidade de árvores dessa espécie vem diminuindo com as queimadas e é importante recuperar esse número”, afirma Mario Barila.
As mudas serão doadas pelo Projeto Água Vida e produzidas pela Chácara Boa Vida, da viveirista Élida Aivi, parceira de longa data da iniciativa. O viveiro mantém uma área destinada à produção de espécies que fornecem alimento e abrigo para as araras, estruturada a partir de insumos anteriormente doados pelo projeto.
O plantio ocorrerá próximo à Base de Pesquisas do Instituto Arara Azul, que mantém parceria com a Fazenda Caiman desde 1998. Ao longo desse período, a área se consolidou como um importante núcleo de reprodução da arara-azul em ambiente natural. A ação de agosto marca a terceira parceria de Barila com o Instituto.
Recuperação do habitat
Além da perda de árvores utilizadas para nidificação, a arara-azul enfrenta os efeitos de incêndios recorrentes e das mudanças climáticas, que alteram as condições de seu habitat e a disponibilidade de alimentos.
A dieta da espécie depende principalmente de frutos como acuri e bocaiuva, enquanto a reprodução está fortemente associada à disponibilidade de árvores de grande porte, especialmente o manduvi. A recuperação da vegetação, portanto, atua em diferentes frentes de conservação.
“Com os incêndios recorrentes no Pantanal e os impactos das mudanças climáticas, a arara-azul e seu habitat vêm enfrentando novos desafios. A espécie depende de poucas árvores para fazer seus ninhos, especialmente o manduvi, e tem uma alimentação baseada principalmente em dois frutos, o acuri e a bocaiuva. A doação de mudas pelo Projeto Água Vida fortalece esse trabalho de recuperação do ambiente e a formação do Bosque das Araras”, afirma Eliza Mense, diretora-executiva do Instituto Arara Azul.
Do Pantanal à aldeia Kadiwéu
A agenda de Barila no Pantanal inclui ainda uma visita à Aldeia Tomázia, no Território Indígena do povo Kadiwéu, tradicionalmente conhecido como os “índios cavaleiros do Pantanal”. Durante a passagem pela comunidade, o fotógrafo também fará o plantio de manduvis e árvores frutíferas nativas e realizará um ensaio fotográfico com indígenas e seus cavalos, caracterizados com as tradicionais pinturas de festa.
A escolha da área amplia o alcance ambiental e social da iniciativa. As árvores frutíferas poderão beneficiar diretamente a comunidade, enquanto o plantio de manduvis contribui para recompor a vegetação essencial à fauna pantaneira.
As fotografias produzidas durante a viagem integrarão o acervo do Projeto Água Vida, que utiliza a comercialização de imagens para financiar ações socioambientais em diferentes biomas brasileiros.
Para Barila, a formação de novos bosques representa uma estratégia concreta de restauração de habitats e de fortalecimento da biodiversidade.
“Cada árvore plantada é também uma oportunidade de devolver à fauna um pouco do espaço que ela perdeu. Quando se trata da arara-azul, recuperar as árvores que oferecem alimento e locais para seus ninhos é ajudar a preservar todo um ecossistema”, afirma.
Projeto Água Vida
Criado em 2014 pelo fotógrafo e ambientalista Mario Barila, o Projeto Água Vida desenvolve ações de preservação ambiental, educação ecológica e promoção da cidadania, tendo a água como eixo central de suas iniciativas. O projeto financia suas atividades principalmente por meio da venda de fotografias e de parcerias, destinando recursos à conservação e ao desenvolvimento de ações socioambientais em diferentes regiões e biomas do Brasil.