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Projeto Mares atua em estudo sobre uso de espécies nativas contra invasoras

Publicado em 17/08/2026 às 11:54 edição Lenilde Pacheco


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Estudo vai mostrar se a ocupação prévia dessas superfícies por organismos nativos aumenta resistência - Foto: Divulgação

O Projeto Mares, iniciativa da ONG socioambientalista PRÓ-MAR, participa de uma pesquisa nacional que investiga o potencial de espécies nativas para dificultar a instalação de organismos invasores em estruturas construídas no ambiente marinho. Na Bahia, o experimento foi realizado na Marina de Itaparica, na Baía de Todos-os-Santos (BTS), onde placas com diferentes combinações de esponjas nativas permaneceram submersas por seis meses, entre fevereiro e agosto.

O material coletado está em fase de triagem e identificação, e os resultados ainda são preliminares. A expectativa é que os dados consolidados de todos os locais de experimentação sejam divulgados no primeiro semestre de 2027.

A pesquisa integra a Rede IntegraMar, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e formada por pesquisadores de diferentes regiões do país. O experimento é conduzido por Edson Vieira, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), e Gustavo Dias, da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Na Bahia, o estudo conta com a parceria do Laboratório de Ecologia Bentônica da Universidade Federal da Bahia (LEB-UFBA), coordenado pelo professor doutor Francisco Barros. Ricardo Miranda, integrante do laboratório e coordenador científico do Projeto Mares, também participa da pesquisa.

A PRÓ-MAR, por meio do Projeto Mares, atuou na instalação e retirada das estruturas em campo, forneceu equipe para as atividades e disponibilizou sua sede, em Mar Grande, município de Vera Cruz, para a triagem do material coletado.

Espécies nativas

Portos, marinas, quebra-mares, aterros e outras estruturas construídas ao longo da costa ampliam a oferta de superfícies disponíveis para a colonização por organismos marinhos. Para os pesquisadores, a simplicidade e a homogeneidade desses substratos podem favorecer espécies invasoras, em contraste com a maior complexidade dos ambientes naturais.

“Essas construções são substrato para organismos que crescem aderidos, mas são superfícies muito simples e planas, diferentes de um ambiente natural de rochas. As espécies nativas geralmente não gostam muito desses ambientes e sobra espaço para a colonização por espécies invasoras”, afirma Edson Vieira.

O experimento busca verificar se a ocupação prévia dessas superfícies por organismos nativos pode aumentar sua resistência à chegada e ao estabelecimento de espécies exóticas. Para isso, os pesquisadores instalaram placas com diferentes níveis de diversidade, contendo uma, duas ou três espécies de esponjas nativas.

“O que estamos testando é se, ao colocarmos nesse substrato esponjas nativas, que são organismos daqui do Brasil e crescem rapidamente ocupando espaço, isso funciona como uma espécie de barreira para espécies exóticas”, explica Vieira.

A pesquisa é realizada simultaneamente em cinco pontos do litoral brasileiro — Bahia, Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Alagoas —, permitindo comparar o desempenho da estratégia em diferentes condições ambientais.

Baía de Todos-os-Santos

Na Bahia, as placas foram instaladas em fevereiro e retiradas no início de agosto. Após a coleta, o material foi encaminhado à sede da PRÓ-MAR, em Mar Grande, onde passou a ser triado e identificado pela equipe envolvida no projeto.

A análise permitirá comparar as diferentes combinações de esponjas e avaliar se a presença e a diversidade das espécies nativas influenciaram o estabelecimento de organismos invasores.

“Agora o material está sendo processado em laboratório e os resultados ainda são preliminares”, diz Ricardo Miranda.

Segundo Vieira, a análise dos resultados exige o processamento de imagens e a identificação das espécies coletadas por especialistas. Como os dados dos cinco locais serão analisados conjuntamente, a previsão é de conclusão no primeiro semestre de 2027.

A participação do Projeto Mares no estudo também se conecta às ações de recuperação de espécies nativas desenvolvidas pela iniciativa no Recife das Pinaúnas, na Baía de Todos-os-Santos. Para Miranda, os resultados poderão ampliar o conhecimento sobre o uso de espécies nativas como uma possível estratégia de prevenção à instalação de organismos invasores e, no futuro, subsidiar ações de conservação e manejo de ambientes costeiros e marinhos.

O trabalho da Rede IntegraMar integra o eixo de conservação, políticas públicas e restauração e busca gerar conhecimento científico aplicável à gestão dos ecossistemas costeiros.

O Projeto Mares é uma iniciativa da ONG socioambientalista PRÓ-MAR, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.