Manejo de micronutrientes contribui para elevar produtividade do cacau
Publicado em 13/07/2026 às 09:03 edição Lenilde Pacheco
Engenheiro agrônomo Edson França: estudo defnine novos parâmetros para os micronutrientes - Foto: Divulgação
A cacauicultura brasileira passa a contar com uma nova referência científica para aumentar a produtividade e aprimorar o manejo das lavouras. Pesquisa liderada pelo engenheiro agrônomo Edson França, pesquisador do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul), estabeleceu pela primeira vez faixas específicas de disponibilidade dos micronutrientes cobre, ferro, manganês e zinco para solos cultivados com cacau no sul da Bahia. Publicado na revista internacional Soil Science Society of America Journal, o estudo fornece parâmetros inéditos para a interpretação de análises de solo, permitindo recomendações de adubação mais precisas, econômicas e ambientalmente sustentáveis.
O trabalho representa um avanço para a assistência técnica e para a gestão nutricional da cultura ao criar uma base científica voltada às condições reais da cacauicultura regional. A expectativa é ampliar a eficiência do uso de fertilizantes, reduzir desperdícios, diminuir custos de produção e aumentar a produtividade das lavouras, ao mesmo tempo em que favorece um uso mais racional dos recursos naturais.
Segundo Edson França, mestre em Produção Vegetal e autor do estudo, a pesquisa foi construída a partir da análise de centenas de amostras coletadas ao longo de vários anos em áreas comerciais de produção. “Nosso objetivo foi identificar quais são os teores ideais de micronutrientes no solo para que o cacaueiro alcance alta produtividade de forma sustentável. Embora exigidos em pequenas quantidades, elementos como zinco, cobre, ferro e manganês exercem papel decisivo no desenvolvimento das plantas e no desempenho das lavouras”, afirma.
Com base nos resultados, os pesquisadores definiram faixas que classificam os níveis desses nutrientes em situações de deficiência, suficiência e excesso, oferecendo aos produtores um instrumento técnico inédito para orientar o manejo. “Hoje, muitas recomendações de adubação ainda são feitas sem referências específicas para o cacau, o que pode resultar em desperdício de fertilizantes, aumento dos custos e impactos ambientais. As novas faixas tornam as decisões mais precisas e eficientes”, destaca França.
Diagnóstico mais preciso do solo
Outro avanço do estudo diz respeito à profundidade das análises de solo. Os pesquisadores verificaram que a camada superficial, entre 0 e 10 centímetros, é a que melhor reflete os desequilíbrios nutricionais do cacaueiro, proporcionando diagnósticos mais rápidos e confiáveis do que o método tradicional, baseado em amostras coletadas até 20 centímetros de profundidade.
A pesquisa também demonstrou que a distribuição dos micronutrientes varia entre as diferentes camadas do solo, indicando que avaliações em múltiplas profundidades podem ampliar a precisão dos diagnósticos agronômicos. “Este é um dos primeiros estudos brasileiros a estabelecer classes específicas de interpretação para micronutrientes no cultivo do cacau a partir de dados obtidos diretamente em áreas comerciais. Isso aproxima a pesquisa científica da realidade vivida pelo produtor”, ressalta o pesquisador.
Na prática, o estudo transforma em indicadores técnicos um desafio histórico da cacauicultura. Até então, a ausência de parâmetros específicos fazia com que decisões sobre adubação fossem tomadas com base em referências genéricas ou estimativas. Com os novos indicadores, produtores e técnicos passam a contar com uma ferramenta mais robusta para elevar a eficiência produtiva e a sustentabilidade das lavouras.
Os dados que fundamentaram a pesquisa foram obtidos no âmbito do Projeto Renova Cacau, desenvolvido em parceria com o PCTSul. O trabalho também contou com a participação do Centro de Inovação do Cacau (CIC), unidade operacional do Parque, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e de outras instituições de pesquisa, reforçando o papel da ciência no fortalecimento da cadeia produtiva do cacau brasileiro.