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Agropalma apoia monitoramento científico para proteção de riachos

Publicado em 20/08/2026 às 16:04 edição Lenilde Pacheco


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Monitoramento contempla oito igarapés nos municípios de Acará, Moju e Tailândia: riachos perenes - Foto: Divulgação

Áreas de reserva florestal e de manejo da Agropalma, empresa brasileira integrante do Grupo Daabon, passaram a abrigar um projeto de monitoramento ambiental contínuo de riachos no Pará. A iniciativa pretende gerar uma série inédita de dados científicos sobre a resposta dos ecossistemas aquáticos amazônicos às mudanças climáticas e a eventos extremos, como secas severas e fenômenos associados ao El Niño.

Coordenado por Leandro Juen, professor e doutor em Ecologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), o projeto foi desenvolvido pelo Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) e pelo Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD Amazônia Oriental), da Rede AmOr. A iniciativa conta ainda com o apoio do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPA (LABECO), LABENE, UNIFAP, da rede internacional Centro Avançado de Pesquisa-Ação da Conservação e Recuperação Ecossistêmica da Amazônia (CAPACREAM) e da UKRI, agência de pesquisa do Reino Unido.

A Agropalma abriga o primeiro sítio de monitoramento contínuo implantado como parte da estratégia de expansão da rede para diferentes regiões da Amazônia.

A escolha da empresa está relacionada a uma parceria de mais de uma década com o LABECO em pesquisas sobre fauna, flora aquática e ecossistemas amazônicos. Ao longo desse período, a colaboração resultou na publicação de mais de 40 artigos científicos e na formação de mais de 30 mestres e doutores. O suporte logístico e institucional oferecido pela Agropalma às equipes de campo também contribuiu para a escolha da área.

O monitoramento contempla oito igarapés nos municípios de Acará, Moju e Tailândia. Os pontos foram selecionados a partir de critérios técnicos. Os riachos precisam ser perenes, condição necessária para o acompanhamento ininterrupto, e estão organizados em pares que permitem comparar áreas com maior cobertura florestal a locais submetidos a diferentes usos da terra.

O desenho do estudo permitirá avaliar como essas condições ambientais influenciam a resposta dos riachos às variações climáticas. A adoção de protocolos padronizados também possibilitará comparar diferentes pontos da Amazônia e construir séries temporais capazes de identificar mudanças que dificilmente seriam captadas por levantamentos pontuais.

Laboratório a céu aberto

Em cada ponto de monitoramento, sensores instalados na água registram continuamente a temperatura e a condutividade elétrica dos igarapés. Os equipamentos permitem acompanhar, 24 horas por dia, alterações nas condições físico-químicas dos ambientes aquáticos.

A coleta contínua amplia a capacidade de identificar oscilações que poderiam passar despercebidas em campanhas convencionais de campo. A expectativa é formar uma base de dados capaz de subsidiar ações de conservação da fauna e da flora, gestão dos recursos hídricos e planejamento ambiental.

“O monitoramento contínuo permite enxergar a dinâmica dos igarapés em uma resolução temporal que as coletas convencionais dificilmente alcançam. Poderemos identificar variações diárias e sazonais, eventos extremos e tendências de longo prazo. Quando esses dados forem integrados aos demais sítios da rede, teremos uma oportunidade de compreender, em uma escala espacial mais ampla, como riachos de diferentes regiões da Amazônia respondem às mudanças climáticas e às transformações no uso da terra”, afirma Juen, líder do projeto.

A iniciativa ganha relevância diante da maior ocorrência e intensidade de eventos climáticos extremos na Amazônia, como secas severas, ondas de calor e fenômenos associados ao El Niño. Esses eventos podem alterar o regime de chuvas e as condições dos ecossistemas aquáticos.

Durante períodos de seca, por exemplo, a redução da vazão pode vir acompanhada de mudanças na temperatura e na condutividade elétrica da água — parâmetros monitorados continuamente pelos sensores. Alterações desse tipo podem afetar a fauna e a flora aquáticas e comprometer serviços ecossistêmicos relacionados à disponibilidade de água.

Dados para antecipar impactos

“Diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos na Amazônia, a ciência é nossa maior aliada”, afirma Tulio Dias Brito, diretor de Sustentabilidade da Agropalma. “Fazer parte dessa iniciativa pioneira nos dá ferramentas concretas para entender como os riachos locais reagem a essas variações e nos ajudam a proteger a biodiversidade da região. Para a Agropalma, é fundamental que o desenvolvimento econômico ande lado a lado com a resiliência ambiental e a conservação a longo prazo.”

Segundo os pesquisadores, séries contínuas e padronizadas de alta resolução ainda são pouco comuns na Amazônia, especialmente em ecossistemas fluviais. A integração dos dados produzidos nos diferentes pontos da rede poderá ampliar a compreensão sobre os efeitos das mudanças ambientais em diferentes escalas de tempo e espaço.

“Embora existam importantes iniciativas de monitoramento ambiental na Amazônia, séries contínuas e padronizadas de alta resolução ainda são relativamente escassas para riachos, sobretudo quando distribuídas em diferentes regiões da bacia. A integração desses dados é fundamental para compreendermos como os ecossistemas aquáticos respondem às mudanças ambientais em diferentes escalas de tempo e espaço”, ressalta Juen.

A cada seis meses, equipes de campo realizam a manutenção dos sensores e fazem o download dos dados. As informações passam por processos de curadoria e controle de qualidade antes de integrar as séries históricas do programa.

Os resultados deverão subsidiar relatórios técnicos, publicações científicas e policy briefs sobre a dinâmica dos riachos monitorados. A primeira etapa do projeto tem duração e financiamento previstos para três anos, com entregas estimadas ao final desse período. A continuidade do monitoramento permitirá ampliar a base de dados e estabelecer comparações entre diferentes regiões da Amazônia.

Da ciência à gestão ambiental

Para a Agropalma, os resultados também poderão contribuir para o aperfeiçoamento da gestão dos recursos hídricos e das ações de conservação em suas áreas de floresta e manejo. Em um cenário de crescente demanda por rastreabilidade e responsabilidade socioambiental, informações produzidas por pesquisas independentes podem ampliar a transparência e qualificar o diálogo da empresa com órgãos reguladores, investidores e mercados nacionais e internacionais.

“A sustentabilidade na Agropalma vai além da conformidade; ela é baseada em ciência e inovação. O monitoramento contínuo nos garante uma gestão de recursos hídricos muito mais inteligente e transparente. Esse rigor científico confere segurança para enfrentarmos os desafios climáticos e reitera nosso compromisso na produção sustentável de óleo de palma na Amazônia”, acrescenta Brito.

A rede de monitoramento deverá ser ampliada para outras regiões. Está em andamento a instalação de sensores na região do rio Xingu, em Altamira. Nos próximos meses, estão previstas novas estruturas de monitoramento na região do rio Tapajós, em Santarém, além dos estados do Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Maranhão e Tocantins.

A expectativa é que a integração dos diferentes sítios forme uma rede de observação ambiental capaz de acompanhar, de maneira padronizada e em ampla escala, a resposta dos ecossistemas aquáticos amazônicos às mudanças climáticas, aos eventos extremos e às diferentes formas de uso da terra.

A produção de séries históricas de longo prazo poderá ampliar a capacidade da ciência de identificar tendências, antecipar impactos e apoiar estratégias de conservação e gestão ambiental na Amazônia.

Sobre a Agropalma

A Agropalma é uma empresa brasileira integrante do Grupo Daabon, com atuação na produção sustentável de soluções à base de óleo de palma. Sua trajetória começou em 1982, em Tailândia (PA), e inclui toda a cadeia produtiva, da produção de mudas à fabricação de óleo refinado, gorduras especiais e soluções de maior valor agregado.

A empresa possui seis indústrias de extração de óleo bruto, uma refinaria em Belém e um terminal de exportação alfandegado, além de empregar cerca de 5 mil colaboradores. Há mais de 20 anos, a Agropalma mantém um programa de agricultura familiar com palma, que atualmente reúne mais de 300 agricultores parceiros.

Sobre o Grupo Daabon

O Grupo Daabon é uma empresa familiar colombiana, com origem em 1914 e sede em Santa Marta, que atua globalmente na produção de ingredientes orgânicos e sustentáveis. A companhia possui operações nos segmentos de agricultura, indústria, logística e bens imobiliários, com um portfólio que inclui óleos, banana, café, bioenergia, serviços portuários e transporte.

Com mais de 5 mil colaboradores e presença em quatro continentes, o grupo tem sustentabilidade, rastreabilidade e inovação entre os pilares de sua estratégia, com foco em cadeias produtivas responsáveis e modelos de negócio voltados à geração de valor ambiental, social e econômico.