Urgência climática exige prevenção dentro de casa, alertam especialistas
Publicado em 21/08/2026 às 07:34 edição Lenilde Pacheco
Raissa da Matta: orientações relevantes para serem observadas antes e durante as tempestades
A ocorrência cada vez mais frequente de tempestades severas, ondas de calor e períodos prolongados de estiagem reforça a necessidade de preparar cidades e residências para eventos climáticos extremos. Mais do que reagir a situações de emergência, a adoção de medidas preventivas pode reduzir danos materiais e, principalmente, proteger vidas.
Especialistas da Universidade Salvador (Unifacs), integrante do Ecossistema Ânima, defendem que a preparação deve começar antes dos períodos de maior risco, a partir da identificação das vulnerabilidades de cada imóvel e da adoção de medidas de manutenção e segurança.
Para o arquiteto e urbanista Bruno Andrade, coordenador do Escritório de Arquitetura da Unifacs, compreender a relação entre as condições climáticas e o ambiente construído é fundamental para reduzir riscos. Localização do imóvel, ocupação do terreno, circulação da água e exposição aos ventos são alguns dos fatores que podem determinar a capacidade de uma edificação de enfrentar situações adversas.
O especialista também chama atenção para a possibilidade de eventos associados ao chamado “Super El Niño”, expressão utilizada para descrever episódios em que a temperatura da superfície do mar no Pacífico Central permanece mais de 2 °C acima da média histórica. Segundo Andrade, episódios dessa magnitude são raros e foram observados em períodos como 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.
“A apreensão recente decorre de projeções e medições que indicam um acúmulo expressivo de energia térmica tanto na superfície quanto nas camadas subsuperficiais do oceano, aumentando o risco de um evento com impactos globais de grande severidade”, afirma.
Para o arquiteto, a prevenção também passa pelo planejamento urbano e pela qualidade das edificações. “Quando pensamos em arquitetura e urbanismo diante de cenários climáticos extremos, precisamos considerar não apenas o fenômeno em si, mas também a forma como as edificações e os espaços urbanos respondem a ele”, explica.
Nas residências, a manutenção preventiva está entre as principais medidas para reduzir riscos. Telhados, fachadas, muros, esquadrias, calhas, ralos e sistemas de drenagem devem ser vistoriados regularmente.
Uma telha deslocada, uma calha obstruída ou uma fissura em evolução podem se transformar em problemas mais graves durante uma tempestade. “A manutenção preventiva é sempre mais segura do que tentar corrigir o problema durante uma emergência”, afirma Andrade.
A engenheira ambiental e sanitarista Raissa da Matta, coordenadora do curso de Engenharia Civil da Unifacs, destaca a importância do sistema de drenagem. Calhas, ralos e condutores precisam estar limpos, enquanto o terreno deve permitir o adequado escoamento e absorção da água.
“Quanto mais cedo forem identificados pontos de acúmulo, infiltrações ou falhas no sistema de drenagem, maiores são as possibilidades de minimizar os impactos durante um evento extremo”, diz.
Intervenções na estrutura dos imóveis também exigem atenção. Segundo Andrade, reformas em paredes, pilares, vigas e outros elementos estruturais devem ser realizadas com orientação técnica, já que alterações inadequadas podem comprometer a segurança da edificação.
Antes e durante uma tempestade
A preparação começa com medidas simples. Antes da chuva, a recomendação é limpar calhas, ralos e sarjetas, verificar a fixação de telhas e rufos e observar a existência de trincas ou sinais de movimentação em muros, fachadas e estruturas de contenção.
Objetos soltos em quintais e varandas, como vasos, móveis e ferramentas, devem ser recolhidos ou fixados. Em áreas sujeitas a alagamentos, documentos e medicamentos podem ser protegidos em embalagens impermeáveis e mantidos em locais elevados.
Durante vendavais, a orientação é permanecer em locais protegidos, com portas e janelas fechadas, e manter distância de vidros, varandas e estruturas leves. Na rua, árvores, postes, torres de transmissão e painéis publicitários não devem ser utilizados como abrigo.
Também é importante não tentar consertar telhados ou recolher objetos durante a tempestade. A força dos ventos pode transformar materiais aparentemente inofensivos em objetos de alto risco.
Em situações de alagamento ou enxurrada, a prioridade deve ser a preservação da vida. A orientação é não atravessar áreas inundadas a pé ou de carro, mesmo quando a água parece pouco profunda. Correntes podem esconder buracos, bueiros abertos e cabos elétricos energizados.
Se a água atingir a rede elétrica da residência, o disjuntor geral só deve ser desligado quando o quadro de distribuição estiver em local completamente seco.
Raissa recomenda ainda que as famílias tenham um plano simples de emergência, identificando previamente os pontos de entrada de água, os objetos que precisam ser retirados de áreas baixas e a localização dos registros de água e do quadro de energia.
Um kit básico com lanterna, pilhas, bateria portátil para celular, água potável e medicamentos de uso contínuo também pode facilitar a resposta em situações de emergência.
Encostas exigem atenção redobrada
Moradores de áreas de encosta devem acompanhar os alertas da Defesa Civil e ficar atentos a sinais que possam indicar risco de deslizamento, como novas fissuras nas paredes, estalos na estrutura, inclinação de árvores e pequenos movimentos de terra.
Diante desses sinais, a recomendação é deixar o imóvel imediatamente e procurar os pontos de apoio indicados pelas autoridades municipais.
Depois do temporal, o retorno para casa também requer cautela. Imóveis com danos estruturais aparentes não devem ser ocupados, e equipamentos elétricos que tenham tido contato com água não devem ser religados antes de uma avaliação adequada.
Em situações de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Sobre a Unifacs
Há 54 anos, a Universidade Salvador (Unifacs) atua na área de educação superior na Bahia e integra o Ecossistema Ânima. Com unidades em Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana, oferece mais de 100 cursos de graduação e pós-graduação. A instituição destaca investimentos em infraestrutura, tecnologia educacional e conexão com as demandas do mercado, além de iniciativas voltadas à inovação e ao compromisso social.
Sobre a Ânima Educação
A Ânima Educação reúne cerca de 350 mil estudantes em 17 instituições de ensino superior e aproximadamente 360 polos educacionais em todo o país. O grupo também reúne marcas especializadas em educação e formação profissional, como HSM, EBRADI, Le Cordon Bleu São Paulo, Inspirali e Instituto Ânima.
Listada no segmento Novo Mercado da B3 desde 2013, a companhia atua com foco em educação e impacto social.