Abapa desenvolve plataforma para apoiar produtores de algodão da Bahia
Publicado em 24/10/2026 às 11:04 edição Lenilde Pacheco
Abapa Conecta: aproximando os cotonicultores do Oeste baiano no diálogo sobre desafios e oportunidades
Transformar dados agrícolas em informações úteis à gestão das propriedades é uma das frentes de atuação da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). Com esse objetivo, a entidade retomou, nos dias 20 e 21 de outubro, o Abapa Conecta, iniciativa que promove encontros com cotonicultores do Oeste baiano para compartilhar resultados, discutir desafios e identificar oportunidades de melhoria na produção.
A edição de 2026 começou em Roda Velha, distrito de São Desidério, e em Luís Eduardo Magalhães (BA). Entre os destaques da programação esteve o InfoFITO, plataforma em desenvolvimento que pretende integrar dados de manejo fitossanitário, operações agrícolas e qualidade da fibra e sustentabilidade, ampliando as possibilidades de análise e comparação de resultados nas propriedades.
A proposta é aproveitar melhor as informações geradas no campo para ajudar os produtores a identificar oportunidades de aperfeiçoamento das práticas agrícolas e embasar decisões de gestão. A iniciativa se apoia na experiência da Abapa em análise da qualidade da fibra, por meio de seu Centro de Análise de Fibras.
“O objetivo é cruzar essas informações para que o produtor consiga visualizar o que acontece em cada talhão, comparar resultados e identificar onde pode melhorar. É uma tecnologia que busca transformar dados em informação útil para a tomada de decisão”, explicou o gerente Fitossanitário da Abapa, Giorge Gomes.
Para a presidente da associação, Alessandra Zanotto Costa, o desafio é reunir o conhecimento já produzido nas propriedades e convertê-lo em serviços que contribuam para os resultados dos cotonicultores.
“O produtor de algodão está entre os que mais investem em tecnologia, inovação e gestão no agronegócio. Ele já dispõe de inúmeras ferramentas e gera um volume enorme de informações em sua atividade. O que queremos é que a Abapa seja capaz de reunir esse conhecimento, conectar os dados e devolvê-los ao produtor de uma forma que realmente faça diferença no seu negócio”, afirmou.
Segundo Alessandra, a evolução da cotonicultura também exige atenção à qualidade das operações, ao manejo e à capacitação das equipes. A presidente destacou que os ganhos de eficiência dependem do aperfeiçoamento contínuo das práticas agrícolas e de gestão.
Monitoramento fitossanitário e qualidade das operações
A programação técnica abordou o monitoramento do bicudo-do-algodoeiro e a importância das medidas de controle durante a entressafra. De acordo com Giorge Gomes, os dados de captura em armadilhas, referentes à quarta semana de acompanhamento, indicaram níveis elevados, com variações entre os núcleos produtivos.
“Já identificamos a presença do bicudo em todos os núcleos. Esses dados reforçam a importância do monitoramento constante e do acompanhamento das medidas fitossanitárias em cada região”, explicou.
Os encontros também incluíram resultados das regulagens e aferições de aeronaves realizadas no âmbito do Programa de Qualidade de Aplicação. O trabalho busca aperfeiçoar as operações de pulverização e contribuir para a eficiência dos tratamentos fitossanitários.
Além desses temas, as equipes da Abapa apresentaram indicadores e resultados de programas relacionados à qualidade da fibra, sustentabilidade, capacitação e educação. A programação também abriu espaço para dúvidas, sugestões e contribuições dos produtores.
Aproximação com os associados
Em seu segundo ano, o Abapa Conecta busca aproximar a entidade dos cotonicultores, especialmente daqueles que atuam em localidades distantes dos principais centros urbanos do Oeste baiano. Os encontros reúnem dirigentes, gestores, equipes técnicas e produtores para discutir necessidades regionais e orientar o planejamento dos programas e serviços da associação.
A reorganização dos Núcleos Produtivos, realizada em 2025, integra essa estratégia. A estrutura passou de 18 núcleos focais — 15 no Oeste e três no Sudoeste — para sete: seis no Oeste e um no Sudoeste. A nova configuração reúne regiões com diferentes características produtivas e busca favorecer o intercâmbio de experiências entre produtores que enfrentam desafios distintos.
Para o vice-presidente da Abapa, Douglas Orth, a participação dos associados deve contribuir para encaminhamentos concretos. “Queremos que os produtores tragam suas ideias e sugestões. Boas contribuições são sempre bem-vindas”, afirmou.
Anfitrião do encontro em Roda Velha, o produtor rural Marcelo Kappes destacou a oportunidade de conhecer melhor as atividades da entidade, inclusive aquelas que não são percebidas diretamente no cotidiano das propriedades.
“A iniciativa mostra as ações que a Abapa vem fazendo. Muitas vezes, olhando de fora, não entendemos a dimensão do trabalho da associação, inclusive nas áreas que ficam nos bastidores, mas que são fundamentais para defender os produtores e garantir o desenvolvimento da agricultura no Oeste da Bahia”, disse.
Próximos encontros
A agenda do Abapa Conecta prossegue em 27 de outubro, na Fazenda Santa Colomba, em Cocos, com produtores do núcleo Jaborandi/Cocos. No dia 28, o encontro será na Fazenda Tapera Grande, em Rosário, distrito de Correntina, com cotonicultores do núcleo Rio Grande/Rosário.
Em 5 de novembro, a programação chega ao Sudoeste baiano, com encontro previsto para Guanambi.