img
img

Opinião: Primavera, El Niño e a urgência de se preparar para eventos extremos

Publicado em 01/10/2026 às 08:29 edição Lenilde Pacheco


img

Grandisoli: cenário requer atitudes individuais, investimentos em infraestrutura e políticas públicas

Por Edson Grandisoli*

A chegada da primavera traz mudanças nas condições meteorológicas e coloca em evidência um cenário que exige atenção: a influência do El Niño sobre o clima. O fenômeno, associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, interfere na circulação atmosférica e pode favorecer a ocorrência de chuvas intensas e temporais. Diante da possibilidade de episódios mais extremos, acompanhar as previsões e compreender seus impactos se torna parte das medidas de prevenção.

O El Niño ocorre de forma periódica e seus efeitos ultrapassam a região do Pacífico. As alterações provocadas pelo fenômeno na circulação atmosférica podem modificar os padrões de temperatura e precipitação em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil.

Os impactos não se restringem ao volume de chuva. Períodos de calor intenso podem afetar especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias, além de aumentar o risco de desidratação e limitar atividades ao ar livre. Já os temporais podem provocar alagamentos e enchentes, sobretudo em regiões urbanas onde a ocupação do solo e a infraestrutura dificultam o escoamento da água.

Nesse cenário, a informação desempenha papel importante na prevenção. A compreensão das transformações do clima pode começar em ambientes próximos, como a casa e a escola, a partir da observação de fenômenos presentes no cotidiano. Registrar temperaturas, acompanhar a quantidade de chuva e comparar essas informações ao longo do tempo são maneiras de tornar mais perceptíveis as alterações nas condições ambientais.

A preparação também depende de medidas coletivas. O descarte adequado de resíduos contribui para evitar o entupimento de sistemas de drenagem, enquanto ações de planejamento urbano podem reduzir a exposição de comunidades a áreas sujeitas a alagamentos. A adaptação às novas condições climáticas, portanto, envolve tanto atitudes individuais quanto investimentos em infraestrutura e políticas públicas.

Buscar informações em fontes confiáveis, acompanhar alertas meteorológicos e cobrar planejamento para emergências são iniciativas que ajudam a reduzir riscos. Para as populações mais vulneráveis, a prevenção precisa estar articulada a políticas de saúde, habitação, assistência social, educação e defesa civil.

*  Edson Grandisoli é referência em Educação e Meio Ambiente, um dos criadores do Movimento Escolas pelo Clima. Biólogo, mestre em Ecologia, doutor em Educação e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pelo Instituto de Estudos Avançados da USP.