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Estudos mostram que mudança climática já afeta 85% da população mundial

Publicado em 13/10/2021 às 08:27 edição Lenilde Pacheco


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Max Callaghan: Ciências Aplicadas à Sustentabilidade

Evidências científicas sem precedentes para impactos climáticos induzidos pelo homem estão registradas em 80% da área terrestre do planeta e afetam 85% da população global, demonstra artigo publicado, nesta segunda (11), pela Nature Climate Change, revista mensal que inclui revisão por pares.

Os cientistas responsáveis pelo artigo desenvolveram técnica de pesquisa, utilizando a Machine Learning, tecnologia conhecida no Brasil como aprendizado de máquina, para sintetizar 100.000 estudos (publicados entre 1951 e 2018) sobre o aquecimento global, a partir de dados observacionais sobre mudança de temperatura e precipitação para fornecer uma imagem abrangente e global dos impactos da ação humana.

Intitulado “Evidência baseada em aprendizado de máquina e mapeamento de atribuição de 100.000 estudos de impacto climático”, o estudo foi conduzido sob a orientação de dois institutos de pesquisa climática: Mercator Research Institute on Global Commons and Climate Change (com sede em Berlim) e Climate Analytics.

“Nossa análise não deixa dúvidas de que a crise climática já está sendo sentida em quase todo o mundo. Ela também está amplamente documentada cientificamente”, explica Max Callaghan, pesquisador de pós-doutorado no grupo de trabalho Ciência Aplicada de Sustentabilidade do MCC e principal autor do estudo.

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O documento também identifica uma “lacuna de atribuição”, em que a falta de documentos e dados de países de baixa renda torna mais difícil entender os impactos climáticos nessas áreas, apesar das mudanças observadas nos modelos climáticos globais.

Níveis robustos de evidência para impactos atribuíveis são duas vezes mais prevalentes em países de alta renda do que baixo – e 23% da população de países de baixa renda vive em áreas com evidência de baixo impacto, apesar das tendências parcialmente atribuíveis de temperatura e/ou precipitação.

“Os países em desenvolvimento estão na vanguarda dos impactos climáticos, mas podemos ver em nosso estudo que existem pontos cegos reais quando se trata de dados de impacto climático. A maioria das áreas onde não somos capazes de conectar os pontos em termos de atribuição está na África”, disse Shruti Nath, autor colaborador e pesquisador da Climate Analytics. “Isso tem implicações reais para o planejamento da adaptação e acesso a financiamento nesses lugares”.

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A literatura da ciência do clima está crescendo exponencialmente. Desde o primeiro relatório de avaliação do IPCC em 1990, o número de estudos sobre os impactos climáticos aumentou mais de 100 vezes.

Os métodos usados ​​neste estudo visam fornecer uma solução para a era da grande literatura. A equipe usou uma abordagem de aprendizado profundo de última geração para identificar e classificar cerca de 100.000 artigos científicos, documentando impactos climáticos observados que vão desde vulnerabilidades sociais a impactos no meio ambiente, de lagos de água doce a ecossistemas e geleiras.

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Metodologia – O algoritmo extrai informações sobre o impacto, o driver climático e também a geolocalização da área de estudo. Essas informações, então, são combinadas com avaliações espacialmente explícitas de tendências na temperatura e precipitação locais que são atribuíveis à mudança climática induzida pelo homem. Combinando essas duas fontes de big data, um grande banco de dados de literatura sem precedentes de impactos climáticos documentados com mudanças atribuíveis pelo homem na temperatura e precipitação locais, fornece um recurso único para informar a ação climática.

Tradução: Desafio Ambiental