Educação Ambiental: Projeto Mares recolhe 165 kg de resíduos na Ilha de Itaparica
Publicado em 20/09/2026 às 09:03 edição Lenilde Pacheco
Iniciativa alia conservação ambiental, educação e participação comunitária - Foto: Projeto Mares/Divulgação
Uma ação de limpeza de praia realizada neste sábado (19), em Mar Grande, na Ilha de Itaparica (BA), retirou aproximadamente 165 quilos de resíduos da faixa costeira. Promovida pelo Projeto Mares, iniciativa da ONG Socioambientalista PRÓ-MAR, a mobilização reuniu cerca de 40 pessoas, entre integrantes do projeto e voluntários, em uma iniciativa que alia conservação ambiental, educação e participação comunitária.
Entre os materiais recolhidos estavam embalagens e outros resíduos plásticos, espumas e partes de móveis, incluindo o encosto de um sofá. Todo o material foi encaminhado à coleta municipal.
A atividade integrou a mobilização do World Cleanup Day, movimento internacional coordenado pela organização Let’s Do It World, que reúne comunidades, organizações e voluntários em ações de limpeza e conscientização sobre o descarte adequado de resíduos. Em 2026, a data oficial da mobilização será celebrada neste domingo (20). Desde 2024, o World Cleanup Day integra o calendário oficial de Dias Internacionais das Nações Unidas.
Mais do que retirar resíduos da praia, a iniciativa chama atenção para um problema que começa no descarte cotidiano e pode terminar no oceano. Plásticos, embalagens e outros materiais abandonados em áreas urbanas e costeiras podem ser transportados pela chuva, pelo vento e pelas correntes, ampliando a pressão sobre os ecossistemas marinhos e costeiros.
Para Maria Eduarda Naponuceno, que participou pela primeira vez de uma ação de limpeza de praia, o contato direto com os resíduos permite dimensionar a importância de atitudes individuais para a conservação ambiental.
“Eu achei uma experiência maravilhosa e inspiradora porque, no final das contas, quando a gente coloca a mão na massa, percebe tudo que precisa fazer. E a gente precisa fazer muito. Então, eu pretendo participar outras vezes.”
A diversidade dos materiais encontrados também chamou a atenção da participante. Segundo ela, grande parte dos resíduos poderia ser evitada com mudanças simples de comportamento.
“Aquele lixo do dia a dia a população poderia ter evitado. Não é lixo industrial, não é lixo hospitalar. É copo plástico, isqueiro, itens de uso pessoal. Então, eu acho que, se a população fosse um pouco mais consciente e descobrisse tudo que a gente pode fazer com pequenas atitudes, a gente não teria esse tipo de lixo em nossas praias, sendo direcionado ao mar.”
Para Zé Pescador, coordenador-geral do Projeto Mares, o trabalho tem uma dimensão que vai além da retirada dos resíduos. A proposta é aproximar a comunidade das questões ambientais e estimular uma relação mais responsável com o território.
“A importância da campanha de hoje é gerar engajamento, mais participação comunitária e mostrar a importância de a gente manter o ambiente para a nossa qualidade de vida e para o desenvolvimento sustentável do lugar onde a gente vive.”
A presença expressiva de materiais potencialmente recicláveis entre os resíduos recolhidos reforça, segundo ele, a necessidade de ampliar a coleta seletiva e criar alternativas para que esses materiais retornem à cadeia produtiva, em vez de chegar ao ambiente.
“A maioria dos materiais que a gente retira dessas ações poderia ter sido reciclada. É muita garrafa plástica, copo plástico. É importante mostrar para as pessoas que o descarte correto pode dar uma nova vida a esse material, enquanto jogar na praia aleatoriamente transforma isso em lixo.”
Nesse sentido, Zé Pescador ressalta que a mudança depende de uma combinação entre responsabilidade individual, educação ambiental e políticas públicas capazes de oferecer infraestrutura adequada para a separação e a destinação dos recicláveis.
“É preciso fortalecer as políticas públicas para a coleta seletiva, criar as condições, estimular e educar as pessoas para que possam separar o material reciclável e tenham onde destiná-lo.”
Para o coordenador, a implantação da coleta seletiva pode ocorrer de maneira gradual, começando por bairros específicos e avançando à medida que a população incorpora novos hábitos.
“É trazer essa cultura e também as condições através das políticas públicas, da sensibilização do poder público, para a questão de ter início uma coleta seletiva, ainda que em alguns bairros. É tudo um processo, mas é preciso começar. E aí acho que as coisas vão seguindo, as pessoas vão se educando, vão se acostumando e a natureza agradece.”
A ação contou com o apoio do Instituto Leme da Minha Vida, da Associação Amigos de Mar Grande e da Missão Praia Azul. O Projeto Mares é uma iniciativa da ONG Socioambientalista PRÓ-MAR, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.