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El Niño aumenta atenção sobre manejo do café para safra 2026/27

Publicado em 10/09/2026 às 20:04 edição Lenilde Pacheco


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Clima e qualidade do café entram no radar da safra 2026/27 - Foto: Tony Oliveira/CNA Divulgação

Depois de uma safra marcada pela volatilidade do mercado e por chuvas que dificultaram a colheita e a secagem dos grãos, a cafeicultura brasileira volta as atenções para a temporada 2026/27. A possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade amplia as preocupações com o clima, sobretudo nas áreas de sequeiro, mais expostas à irregularidade das chuvas e às temperaturas elevadas. Em um cenário de preços ainda atrativos, preservar o potencial produtivo e a qualidade do café ganha importância estratégica para o produtor.

Segundo o engenheiro agrônomo, mestre e doutor em fisiologia vegetal, professor, pesquisador e consultor Ricardo Teixeira, os preços do café seguem voláteis, alternando períodos de alta e baixa, mas permanecem em patamares considerados atrativos aos produtores. Para a atual temporada, a expectativa é de uma safra superior a 66 milhões de sacas de 60 quilos, o que desloca parte das atenções para a capacidade de preservar a qualidade dos grãos diante das condições climáticas.

As chuvas registradas em junho e julho, por exemplo, já prejudicaram a colheita e a secagem, principalmente do café arábica produzido em Minas Gerais e São Paulo, com reflexos sobre a qualidade da bebida.

“Os preços ainda são considerados bons, mas, diante de uma safra que traz maiores preocupações com a qualidade do café do que propriamente com a quantidade produzida, o cenário exige atenção. Para o mercado futuro de longo prazo, no entanto, ainda existem muitas incertezas”, avalia Teixeira.

O clima está entre os fatores que mais ameaçam a produtividade do cafeeiro justamente por ser aquele sobre o qual o produtor tem menor capacidade de intervenção. Diferentemente da genética, dos tratos culturais e da nutrição, que podem ser planejados e manejados ao longo do ciclo, as condições climáticas exigem que a planta esteja preparada para enfrentar períodos de estresse durante todo o ano.

“Hoje, entre os grandes fatores, as alterações climáticas representam aquele em que podemos sofrer as maiores perdas e, ao mesmo tempo, temos menor capacidade de intervenção. É necessário, portanto, preparar as lavouras não apenas durante a florada, a formação dos frutos ou o enchimento dos grãos, mas ao longo dos 12 meses do ano”, explica.

Para a safra 2026/27, o comportamento do clima passa a ser um dos principais pontos de atenção. A cafeicultura de sequeiro permanece especialmente vulnerável à má distribuição das chuvas. A irrigação reduz essa exposição, mas não elimina os efeitos de condições climáticas adversas.

Caso se confirme um El Niño de forte intensidade, semelhante ao fenômeno observado entre 2023 e 2024, a produção de café poderá sofrer nova pressão. Atualmente, a produtividade média brasileira está próxima de 30 sacas beneficiadas por hectare.

“Se isso realmente acontecer de maneira mais intensa, podemos observar uma queda considerável na produtividade dos grãos em comparação com a última safra”, afirma Teixeira.

O risco, porém, não se limita à disponibilidade de água. Déficit hídrico, chuvas irregulares, temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar podem interferir em diferentes etapas do ciclo do cafeeiro, da florada e do pegamento das flores à formação e ao enchimento dos grãos.

Segundo o especialista, a falta de água compromete a absorção e o transporte de nutrientes e reduz a capacidade da planta de produzir energia por meio da fotossíntese. Já temperaturas muito elevadas podem provocar o fechamento prolongado dos estômatos, estruturas responsáveis pelas trocas gasosas da planta, afetando a transpiração e a termorregulação.

“O fechamento desses estômatos reduz a capacidade da planta de transpirar. Com a diminuição da transpiração, aumenta a temperatura interna do cafeeiro, dificultando a formação de diversas substâncias diretamente relacionadas não apenas à produtividade, mas também às características que determinam a qualidade da bebida”, explica.

Manejo fisiológico

Diante desse cenário, a preparação da lavoura precisa ocorrer durante todo o ano, e não apenas quando o estresse já está instalado. Para Teixeira, além da irrigação, quando técnica e economicamente viável, a manutenção da saúde do solo e uma estratégia nutricional adequada são fundamentais para ampliar a capacidade de resposta das plantas.

Nesse contexto, tecnologias voltadas ao fortalecimento fisiológico e à redução dos efeitos do estresse ambiental passam a integrar as estratégias de manejo. Bioestimulantes e soluções destinadas a melhorar a resposta da planta às condições adversas podem contribuir para um uso mais eficiente da água e ajudar o cafeeiro a atravessar períodos de altas temperaturas, baixa umidade e déficit hídrico com menor impacto sobre seu potencial produtivo.

“Entre os principais investimentos que podem ser recomendados aos produtores estão, quando possível, a irrigação e a adoção de um manejo voltado ao fortalecimento da planta diante das adversidades climáticas”, destaca.

É nesse cenário que a Agroallianz apresenta seu portfólio de soluções para a cafeicultura, com produtos direcionados ao manejo e à preparação das plantas para enfrentar períodos de estresse ao longo do ciclo.

“O melhor entendimento dos fatores ambientais que podem limitar a produtividade reforça a necessidade de tecnologias que permitam às plantas suportar essas condições adversas durante o ciclo produtivo, preservando parte de seu potencial produtivo e da rentabilidade do produtor”, afirma Renato Menezes, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Técnico da Agroallianz.

Segundo o executivo, a estratégia deve considerar as diferentes fases de desenvolvimento do cafeeiro. “A preparação da planta para um ambiente de maior variabilidade climática exige uma visão integrada do manejo. O Programa de Recomendação Agroallianz para a cultura do café propõe diferentes ferramentas ao longo das fases fenológicas, com o objetivo de manter a planta em condições adequadas para expressar seu potencial”, reforça.

Sobre a Agroallianz

A Agroallianz desenvolve soluções agrícolas voltadas à proteção de cultivos, nutrição vegetal, bioestimulantes e adjuvantes. A empresa atua no desenvolvimento e na transferência de tecnologias para o campo, com foco em produtividade e eficiência.