Renner amplia transparência sobre riscos e estratégia climática
Publicado em 09/09/2026 às 17:37 edição Lenilde Pacheco
Por Lenilde Pacheco*
A Lojas Renner S.A. ampliou a integração entre sustentabilidade, estratégia de negócios e gestão financeira e estimou em R$ 156 milhões o impacto positivo dessas iniciativas sobre o resultado operacional em 2025. O valor, impulsionado principalmente pelas vendas de produtos com menor impacto ambiental e pelo uso de energia renovável, representa alta de 22% ante os R$ 128 milhões registrados em 2024.
Os dados constam do segundo Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade da companhia, referente ao exercício de 2025 e elaborado de acordo com as normas IFRS S1 e S2, do International Sustainability Standards Board (ISSB). O documento reforça a tendência de incorporação dos riscos e oportunidades climáticos às decisões financeiras e ao planejamento de longo prazo.
Segundo a companhia, as oportunidades relacionadas ao clima poderão gerar, nos próximos dez anos, fluxo de caixa positivo entre R$ 398 milhões e R$ 462 milhões, após impostos e trazidos a valor presente. Para a Renner, a mensuração desses efeitos reforça o papel da sustentabilidade como vetor de geração de valor e resiliência dos negócios.
“Os resultados alcançados em 2025 e as projeções para os próximos anos reforçam nossa confiança de que a integração da sustentabilidade às estratégias de negócios, financeira e operacional é fundamental para sustentar o crescimento da companhia no longo prazo”, afirma Daniel Martins dos Santos, vice-presidente de Finanças, Administrativo e de Relações com Investidores da Lojas Renner.
As vendas de produtos considerados mais sustentáveis geraram R$ 109 milhões de impacto positivo estimado no resultado operacional de 2025, ante R$ 94 milhões no ano anterior. Atualmente, oito em cada dez peças comercializadas sob a marca Renner são classificadas como mais sustentáveis, por utilizarem matérias-primas e/ou processos de menor impacto.
A estratégia está alinhada à meta de alcançar, até 2030, 100% das principais matérias-primas utilizadas pela empresa nessa classificação. A oferta desses produtos poderá gerar entre R$ 166 milhões e R$ 193 milhões de impacto positivo sobre o fluxo de caixa nos próximos dez anos.
A gestão eficiente da água também ganhou espaço na estratégia de resiliência da cadeia de fornecimento. Em 2025, 67,9% das peças de jeans e sarja produzidas para a companhia foram classificadas como de baixo consumo de água, avanço de 20,9 pontos percentuais em relação a 2024 e acima da meta de 60% estabelecida para 2030.
Embora os efeitos financeiros ainda não sejam considerados materiais, a empresa avalia que a redução do consumo hídrico poderá contribuir para diminuir custos associados à produção e à aquisição de produtos.
O uso de energia renovável de baixo impacto respondeu por R$ 47 milhões dos efeitos positivos sobre o resultado operacional em 2025, acima dos R$ 34 milhões registrados em 2024. A intensidade dos gastos com energia caiu 14%, para R$ 0,012 por real de receita, enquanto o desconto médio obtido no mercado livre alcançou 32%.
Ao fim de 2025, 298 unidades de negócio operavam nesse modelo. Para os próximos dez anos, a Renner projeta impacto positivo entre R$ 232 milhões e R$ 269 milhões sobre o fluxo de caixa decorrente da estratégia.
A sustentabilidade também passou a integrar o modelo de expansão física. Desde 2023, todas as novas lojas adotam princípios de construção de menor impacto. Ao fim de 2025, 74 unidades, equivalentes a 17% da rede da marca, contavam com soluções de circularidade de materiais, automação e redução do consumo de água e energia.
A expectativa é de redução dos custos de construção e operação em relação aos modelos convencionais, embora os impactos financeiros ainda não sejam considerados materiais.
Paralelamente às oportunidades, a Renner aprofundou a avaliação dos riscos físicos associados às mudanças climáticas. Cerca de 27% de suas unidades de negócio, entre lojas e centros de distribuição, apresentam algum grau de exposição a eventos como ondas de calor, inundações e tempestades, incêndios florestais e secas meteorológicas.
Em 2025, os ventos fortes passaram a integrar formalmente a matriz de riscos climáticos da companhia. Mais de 90% das lojas, contudo, estão instaladas em shopping centers, condição que, segundo a empresa, reduz a exposição direta a danos estruturais provocados por ventos e inundações.
Entre os riscos quantificados, as ondas de calor provocaram impacto de aproximadamente R$ 10 milhões no resultado operacional de 2025, ante R$ 18 milhões no ano anterior. Para a próxima década, a estimativa de impacto sobre o fluxo de caixa varia entre R$ 94 milhões e R$ 110 milhões.
Inundações e tempestades não provocaram impactos negativos materiais em 2025, mas poderão representar efeitos entre R$ 22 milhões e R$ 25 milhões sobre o fluxo de caixa na próxima década.
O relatório reforça ainda a estratégia de transição climática. As metas, validadas pela Science Based Targets initiative (SBTi), preveem redução de 90% das emissões absolutas dos escopos 1, 2 e 3 e compensação dos 10% residuais, com o objetivo de alcançar a neutralidade climática até 2050.
O conjunto de iniciativas mostra que a Renner vem incorporando a sustentabilidade a diferentes etapas do negócio — das matérias-primas à produção, operação das lojas, gestão de resíduos, logística reversa e prolongamento da vida útil das roupas. Em um setor marcado pelo elevado consumo de recursos naturais e pela geração de resíduos, a estratégia combina redução de água e energia, diminuição das emissões, circularidade e matérias-primas de menor impacto, associando a agenda ambiental à eficiência operacional, à gestão de riscos e à geração de valor no longo prazo.
* Lenilde Pacheco é jornalista especializada em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.