Consumo dispara sinal de alerta para importância da circularidade do plástico
Publicado em 22/11/2021 às 14:12 edição Lenilde Pacheco
Da reciclagem à indústria têxtil, de embalagens etc - Foto: Hamsterfreund/Pixabay
Os sistemas de reciclagem registraram acréscimo de 25% a 30% na coleta de materiais durante a pandemia da Covid-19, registra o Atlas do Plástico 2020, estudo da organização sem fins lucrativos alemã Fundação Heinrich Böll. Os índices de expansão são um sinal de alerta para a importância do conceito de circularidade de plástico.
Apesar da crescente utilização do plástico, apenas 1,28% deste material seguiu para reciclagem, de acordo com a WWF (sigla em inglês para Fundo Mundial para a Natureza), com base em estudo do Banco Mundial.
Murilo Zappellini, head de compras da ALPLA América do Sul, afirma que iniciativas como a do Movimento RePEnse – que atua na conscientização da sociedade para a questão da circularidade do plástico – demonstram que é preciso aprender a utilizá-lo e descartá-lo da melhor forma.
“Os números nacionais e globais de relatórios a respeito da produção, consumo e descarte incorreto do plástico só crescem. Entretanto, o plástico não é o vilão: a mudança de comportamento das pessoas e da indústria pode ser a solução para esse problema, basta investir na economia circular”, diz.
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Para Zappellini, há três principais entraves para o aumento da reciclagem de plástico no país. Em primeiro lugar, faltam políticas públicas que fomentem a disposição correta dos resíduos. Embora exista a Política Nacional de Resíduos Sólidos, nem todos os estados e municipalidades criaram suas leis ou instituíram a coleta seletiva. E, quando fizeram, muitos deles não alcançaram todos os bairros.
“Em segundo lugar, não há conscientização da sociedade em economia circular, mesmo sendo um conceito das décadas de 50 e 60. Na realidade, as pessoas ainda pensam linearmente em extrair, produzir, consumir e descartar e, por isso, precisamos levar a informação sobre as consequências deste ciclo”, complementa.
Em terceiro lugar, segundo o head de compras da ALPLA América do Sul, o plástico é relativamente mal remunerado na cadeia de reciclagem aos catadores quando comparado a outros materiais, como o alumínio. Ele destaca que o índice de reciclagem de latas de alumínio chegou a 97,6% em 2019, conforme indicativos da Abal (Associação Brasileira do Alumínio) e da Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas).
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“A coleta de materiais que podem ser vendidos mais caros é muitas vezes preferida, o que acaba corroborando com o baixo índice de reciclagem do plástico, excetuando-se o PET (Polietileno Tereftalato), cujo reaproveitamento alcança 68%”, afirma.
Apesar disso, na análise do especialista, o Brasil avançou na logística para reciclagem nos últimos anos. Na indústria de embalagem para o agronegócio, por exemplo, há uma logística reversa madura que evita não só a contaminação de aterros, solos e mananciais por agrotóxicos, mas também fomenta a reciclagem da embalagem.
“O plástico reciclado pode ser utilizado para fins diferentes de sua originalidade. Ao ser reciclado, pode ser usado na indústria têxtil, embalagens, utensílios domésticos e até em peças automobilísticas de alto valor agregado”, pontua.
Zappellini reafirma, no entanto, que são necessários tecnologia, material de qualidade, políticas públicas adequadas e a conscientização da sociedade. “O importante da reciclagem é que seja um processo escalável para que a economia circular alcance os volumes de consumo de uma população imensa”, conclui.
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