Nestlé amplia aposta em cacau regenerativo para unir produtividade e floresta
Publicado em 08/09/2026 às 07:56 edição Lenilde Pacheco
Sistema agroflorestal: cacau é cultivado de forma associada a árvores e outras espécies - Foto: Nestlé/Divulgação
A produção sustentável de cacau começa a mostrar que produtividade, geração de renda e conservação ambiental podem avançar juntas no campo. Resultados do Cocoa Action 2030 indicam que pequenos produtores que receberam assistência técnica contínua durante dois anos conseguiram dobrar a produtividade, de uma média de 300 quilos para 600 quilos por hectare.
O programa, criado em 2019 com o apoio de uma coalizão de 30 parceiros, atua principalmente com agricultores que cultivam áreas de três a cinco hectares. Segundo Pedro Ronca, diretor da P&A Consulting e responsável pelo Cocoa Action Brasil, o aumento da produtividade pode representar uma mudança importante na economia das propriedades e, ao mesmo tempo, reduzir a pressão por abertura de novas áreas para ampliar a produção.
A lógica é estratégica para a conservação das florestas. Ao produzir mais na mesma área, o agricultor pode aumentar sua renda sem necessariamente avançar sobre áreas de vegetação nativa. No sistema agroflorestal, o cacau também pode ser cultivado associado a árvores e outras espécies, contribuindo para a manutenção de habitats, a proteção do solo, a conservação da água e a criação de ambientes favoráveis à biodiversidade.
“O ganho de produtividade é capaz de resgatar a renda do produtor e fortalecer toda a cadeia cacaueira”, afirma Ronca.
Com apoio de instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e o consórcio CIAPRA, o Cocoa Action 2030 pretende ampliar a assistência técnica. A primeira meta é alcançar 5 mil produtores, com previsão de chegar posteriormente a 10 mil agricultores.
O programa também amplia a participação de parceiros internacionais. Projetos já foram aprovados com recursos do Reino Unido, enquanto uma proposta em análise pelo Fundo Amazônia poderá ampliar a escala das ações voltadas à produção sustentável.
A experiência foi discutida no episódio “Cocoa Action: colaboração que transforma o cacau sustentável”, da série de podcasts da Nestlé “Do Cacau ao Futuro”, gravada durante a ExpoCacau 2026. O debate ressaltou o papel da assistência técnica continuada e da cooperação entre empresas, produtores e instituições na transformação de boas práticas agrícolas em resultados econômicos e ambientais.
Cacau como aliado da conservação
A produção de cacau tem potencial para desempenhar um papel relevante na proteção das florestas e da biodiversidade, especialmente quando associada a sistemas produtivos que preservam árvores e vegetação nativa. A manutenção da cobertura vegetal contribui para a conservação de espécies, a conectividade entre habitats, o equilíbrio dos ecossistemas e a proteção dos recursos hídricos.
Nesse contexto, a agenda de sustentabilidade da cadeia vai além da origem do produto. Envolve aumentar a eficiência das propriedades, melhorar a renda dos agricultores, recuperar áreas degradadas e estimular modelos de produção capazes de conciliar alimentos, floresta e biodiversidade.
A Nestlé trabalha para obter 100% de cacau sustentável e regenerativo em suas operações, reforçando a estratégia de transformar a cadeia produtiva desde o campo. A empresa mantém programas de qualidade e sustentabilidade com milhares de produtores fornecedores de cacau, café e leite, além de iniciativas voltadas à redução do consumo de água e energia, das emissões e ao reflorestamento.
A estratégia integra uma agenda mais ampla da companhia para reduzir impactos ambientais ao longo da cadeia de valor. Nas unidades industriais, as ações incluem eficiência no uso de recursos e desenvolvimento de embalagens mais sustentáveis.
Com mais de 100 anos de atuação no Brasil, a Nestlé emprega mais de 30 mil pessoas direta e indiretamente e mantém 18 unidades industriais em sete estados, além de centros de distribuição e uma rede de brokers. A empresa está presente em 99% dos lares brasileiros.
Ao aproximar produtividade, renda e conservação, iniciativas como o Cocoa Action 2030 ajudam a reposicionar o cacau na agenda de sustentabilidade. Mais do que uma commodity agrícola, o cultivo pode se tornar parte da estratégia de proteção das florestas e da biodiversidade, desde que acompanhado de assistência técnica, rastreabilidade, boas práticas e valorização do produtor.