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Reservas Particulares do Patrimônio Natural protegem a biodiversidade

Publicado em 05/02/2024 às 08:04 edição Lenilde Pacheco


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Meryellen Baldim: RPPN são fontes de pesquisa e relevantes para a educação ambiental - Foto: Acervo Bracell

Passadas três décadas da assinatura do decreto que permitiu a criação das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), pelo então presidente José Sarney, o País pode comemorar os bons resultados alcançados com a existência de 1.862 delas, totalizando 835 mil hectares protegidos – área superior à soma da superfície de todas as capitais brasileiras, de acordo com dados do painel de indicadores da Confederação Nacional de RPPN. Criadas como estratégia complementar para a conservação do meio ambiente, há exatos 34 anos, as RPPNs contribuem para a proteção da biodiversidade e para a prestação de serviços ecossistêmicos, como a garantia de água potável, enfatiza a gerente de Meio Ambiente, Certificação e Sistema Integrado de Gestão da Bracell na Bahia, Meryellen Baldim Oliveira, em artigo (abaixo):

Por Meryellen Baldim Oliveira

Caminhar por uma floresta nativa bem preservada pode ser uma experiência revigorante não apenas pelo contato com a vegetação em si e pela oportunidade de absorver um ar tão puro. A imensidão verde nos dá uma dimensão da riqueza da biodiversidade e nos conforta por saber que aquele é um habitat protegido para a sobrevivência de tantas espécies de plantas e animais. Ainda que não se possa avistá-los a qualquer momento – porque eles saem mais para se alimentar no raiar do dia ou no cair da noite – os animais estão ali, cumprindo o maravilhoso ciclo da vida, contribuindo diretamente para que a vegetação se renove.

Nesse emaranhado de vida pujante sob as mais diversas formas, as florestas, pelo simples existir, representam um valioso acervo de informações para a ciência, especialmente a medicina, e, portanto, para toda a sociedade. Aí reside, também, a importância de que ambientes como estes sejam convertidos em reservas naturais do patrimônio natural – as chamadas RPPNs, que são unidades de conservação criadas por iniciativa de seus proprietários, em caráter de perpetuidade, com o compromisso de zelar pela conservação biológica, destinando-a para pesquisas científicas, fins turísticos ou de educação ambiental.

O Brasil possui atualmente mais de 1.800 RPPNs. Quatro delas, por exemplo, pertencem à Bracell Bahia e estão localizadas em áreas da Mata Atlântica, sendo três no município de Esplanada e uma, a RPPN Lontra, que abrange os municípios de Entre Rios e Itanagra, no litoral norte do estado. Juntas, respondem pela manutenção de 3.080 hectares que integram os mais de 97.000 hectares de áreas destinadas pela empresa à preservação e conservação ambiental. Para efeito de comparação, cada hectare equivale a um campo de futebol.

Como empresa do setor de base florestal, cultivando eucaliptos para suprir sua fábrica de celulose solúvel no Polo Industrial de Camaçari, a Bracell assume importante papel ao investir na conservação e pesquisa de suas RPPNs, especialmente a Lontra, com 1.377 hectares reconhecida como a maior unidade do gênero no litoral norte e o único posto avançado de Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) pertencente a uma empresa privada.

Outras organizações e instituições também são proprietárias e mantenedoras de RPPNs importantes na Bahia e não há qualquer espécie de “concorrência” nisso. Quanto mais reservas, mais fontes de pesquisa, mais são as oportunidades de turismo qualificado para a educação ambiental, mais espécies de animais e plantas com habitats conservados e menos sujeitos a ameaças de desmatamento e caça. Neste sentido, elas são particulares apenas quanto à manutenção, mas universais pelos benefícios para a humanidade.