Bahia: Centro de Treinamento da Abapa supera 156 mil capacitações técnicas
Publicado em 01/05/2026 às 09:11 edição Lenilde Pacheco
Nara Alves: qualificação profissional para excelente desempenho no mercado de trabalho - Foto: Divulgação
Natural de São Gabriel, na região de Irecê, na Bahia, Nara Alves de Souza viu no agro uma oportunidade de construir o próprio caminho. Depois de iniciar a trajetória como auxiliar de cozinha em fazendas, ela decidiu investir na formação técnica e se mudou para Luís Eduardo Magalhães em busca de novas oportunidades. O percurso incluiu passagens pela indústria, a conquista da habilitação e, principalmente, a decisão de voltar a estudar. Foi no Centro de Treinamento da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) que encontrou o ponto de virada.
Ali, Nara se capacitou em várias funções que envolvem operação de máquinas, como empilhadeira, pá carregadeira, manipulador telescópico, retroescavadeira e trator agrícola. Também se formou técnica agrícola, em uma turma realizada em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Mesmo diante da resistência ainda presente à atuação feminina no setor, seguiu investindo na própria qualificação. O desempenho chamou a atenção da equipe do Centro de Treinamento, que a convidou para integrar o time. Hoje, ela atua na área administrativa e segue em desenvolvimento profissional dentro da instituição. “É um lugar que me acolheu e tem um diferencial enorme: capacitar e preparar profissionais para o mercado de trabalho”, resume.
A trajetória de Nara reflete um movimento mais amplo. Criado em 2010, o Centro de Treinamento da Abapa já soma mais de 156 mil capacitações técnicas realizadas, sendo cerca de 17 mil apenas no último ano. O resultado expressa o esforço dos produtores do Oeste da Bahia em estruturar uma base técnica capaz de sustentar o crescimento do setor. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a cadeia do algodão respondeu por 2,4% dos novos empregos formais criados no estado.
Neste Dia do Trabalhador, histórias como a de Nara evidenciam o importante papel da qualificação na transformação de trajetórias individuais e no fortalecimento de uma cadeia produtiva cada vez mais técnica e estratégica.
Demandas
A formação oferecida pelo CT atende diretamente às demandas do campo, preparando operadores, técnicos e profissionais para atuar com segurança e eficiência em máquinas agrícolas, no beneficiamento do algodão e na gestão das propriedades. “Isso vai além da produção de algodão, que é o âmbito de representatividade da Abapa. Como na matriz produtiva do Oeste da Bahia, a cotonicultura vem consorciada à soja, ao milho e a outras culturas, todo o investimento que se faz em melhoria da mão de obra nas lavouras de algodão reverbera também nos demais cultivos. E, em última instância, impactam positivamente no desenvolvimento regional. Inclusive, parte das vagas oferecidas são abertas à comunidade”, explica o diretor executivo da Abapa, Gustavo Prado.
No ano passado, mais de 60 profissionais concluíram o curso Técnico em Agropecuária, ampliando suas perspectivas de inserção e desenvolvimento no mercado. “Iniciativas como essa reforçam a importância da qualificação para sustentar o crescimento do setor”, enfatiza Prado.
Despertando o interesse
Se profissionais qualificados são disputados pelo mercado do setor, atrair a atenção de quem ainda nem deixou os bancos escolares é pensar no futuro de um agro que não para de evoluir. “Algumas décadas atrás, a agricultura e a pecuária eram quase sempre relacionadas ao desinteresse dos jovens pelo estudo. Hoje, o que vemos é exatamente o oposto disso. Para trabalhar neste agro brasileiro moderno e produtivo, é preciso muito conhecimento”, pondera a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa.
Pensando nisto, a entidade criou e mantém o Programa Educacional Conhecendo o Agro, que com material paradidático próprio e parceria com as escolas da região, ajudam a descortinar um mundo muitas vezes desconhecido para crianças e adolescentes, apresentando as cadeias produtivas e processos que fazem do setor uma possível escolha profissional na vida adulta. “O jovem que concluiu os seus estudos só precisa deixar a região se quiser. Em todos os elos de todas as cadeias produtivas, há oportunidades para quem se dedica e prepara. Não queremos ver os nossos talentos deixarem a terra natal, quando a previsão é de uma demanda cada vez maior no campo, para abastecer o Brasil e o mundo”, explica a presidente.
Diferencial
Para o gerente do CT, Juarez Moraes Ramos Júnior, o diferencial do atendimento está na forma como a capacitação é construída e aplicada na prática. “O Centro de Treinamento é o lugar onde a tecnologia se transforma em resultado. Não adianta ter a máquina mais moderna se o método de ensino for ultrapassado. Nossa formação é focada na eficiência real, no desempenho que o profissional leva de volta para a fazenda”, afirma.
Segundo ele, o portfólio é desenvolvido a partir da escuta direta dos produtores e da realidade do campo. “Não criamos cursos dentro de um escritório. Visitamos as fazendas, entendemos as demandas e estruturamos soluções que façam sentido para a operação.”
Além do impacto nas propriedades, o modelo fortalece toda a região. “Quando qualificamos a comunidade, melhoramos o ambiente de negócios. Ter profissionais capacitados por perto torna a operação mais ágil e eficiente. É uma via de mão dupla: o agro se fortalece e a região cresce junto.”