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Rejeitos chegam a 35% dos resíduos entregues às cooperativas de reciclagem

Publicado em 07/08/2026 às 14:07 edição Lenilde Pacheco


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Bilhões de reais deixam de ser recuperados anualmente devido ao descarte de materiais recicláveis - Foto: Pixabay

Até 35% dos resíduos que chegam às cooperativas de reciclagem acabam descartados como rejeito, sem viabilidade técnica ou econômica para reaproveitamento. O dado faz parte de um levantamento nacional da Yattó, empresa especializada em soluções de economia circular, realizado em 42 organizações distribuídas pelas cinco regiões do país.

O estudo identificou as embalagens plásticas flexíveis como o principal tipo de rejeito, presentes em 66% das cooperativas visitadas. Em seguida aparecem bandejas de PET (49%) e embalagens de poliestireno expandido (isopor), registradas em 41% das organizações.

Os resultados ganham relevância em um momento de avanço da regulação do setor. Desde outubro de 2025, o Decreto Federal nº 12.688 determina que fabricantes e importadores de embalagens plásticas incorporem resina reciclada pós-consumo em seus produtos — percentual que será de 22% a partir de 2026 e chegará a 40% em 2040. A norma também prioriza a participação de cooperativas de catadores nas operações de triagem.

Apesar da exigência legal, o país ainda enfrenta baixa recuperação de materiais. Segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), apenas uma pequena parcela dos resíduos sólidos urbanos retorna à cadeia produtiva, enquanto bilhões de reais deixam de ser recuperados anualmente devido ao descarte de materiais recicláveis.

“O rejeito revela onde a cadeia perde valor econômico e eficiência. Ao identificar com precisão quais materiais ficam de fora da reciclagem, é possível direcionar investimentos para ampliar sua recuperação”, afirma Luiz Grilo, diretor institucional e de novos negócios da Yattó.

Diferenças regionais

O levantamento mostra que a taxa de rejeitos varia entre as regiões brasileiras. O Centro-Oeste lidera, com 35% dos resíduos classificados como rejeito, seguido por Norte (30%) e Nordeste (28%). Sul (23%) e Sudeste (21%) apresentam os menores índices.

Além das embalagens flexíveis, bandejas de PET e isopor, também aparecem entre os materiais descartados resíduos orgânicos contaminados, acrílicos, plástico ABS, eletroeletrônicos e vidro.

Inteligência artificial reforça diagnóstico

Para complementar o estudo, a Yattó utilizou inteligência artificial para analisar imagens de rejeitos coletadas em seis cooperativas durante 2026. O processamento confirmou a predominância de resíduos orgânicos contaminados, que representam entre 30% e 50% do volume observado.

As embalagens flexíveis e multicamadas respondem por uma fatia estimada entre 20% e 35%, enquanto bandejas de PET representam de 10% a 15% e o isopor, de 3% a 10%. Outros materiais, como PET colorido, copos de poliestireno, blísteres de medicamentos e acrílico, aparecem com participação inferior a 5%.

Segundo a empresa, os resultados obtidos por inteligência artificial apresentaram elevada convergência com as informações coletadas em campo, reforçando a consistência do diagnóstico.

Perfil das cooperativas

O levantamento também reuniu indicadores sociais e de governança das 42 organizações avaliadas. Juntas, elas reúnem 1.165 cooperados e comercializam cerca de 3.830 toneladas de materiais recicláveis por mês, média de 90 toneladas mensais por cooperativa.

A renda média dos cooperados é de R$ 1.706 mensais. As mulheres representam 59,7% dos integrantes; 44,2% se autodeclaram negros; 39 são pessoas com deficiência e 102 se identificam como LGBTQIAP+.

Na área de gestão, 62,8% das cooperativas desenvolvem ações de educação ambiental, 39,5% possuem fundo de reserva e 32,6% contam com fontes adicionais de receita além da comercialização de recicláveis.

A pesquisa foi conduzida pela área de Sourcing da Yattó entre 2025 e a primeira quinzena de junho de 2026. A base de dados servirá como referência para acompanhar a evolução das cooperativas parceiras e orientar investimentos voltados à reciclagem de materiais que hoje ainda apresentam baixa reciclabilidade.