Gestores e técnicos atualizam o Plano de Ação Climática de Salvador
Publicado em 28/05/2026 às 08:56 edição Lenilde Pacheco
Ivan Euler: ações preparam a capital baiana para enfrentar os efeitos de mudanças climáticas - Foto: Valter Pontes/PMS
Lançado há seis anos, fruto de um trabalho coletivo, o Plano de Ação Climática de Salvador passa por uma revisão, que foi apresentada e discutida nesta quarta-feira (dia 27) em uma iniciativa da prefeitura da capital baiana, com o apoio da rede ICLEI América do Sul.
O objetivo do encontro foi avaliar os avanços alcançados e propor novas abordagens para o PMAMC, Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima, que define estratégias de mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas na capital baiana. Participaram da discussão os gestores e técnicos da prefeitura envolvidos com a execução do plano.
Uma vez que a gestão do PMAMC pressupõe a constante adaptação às transformações provocadas por novos padrões de comportamento ambiental, revisões periódicas do plano se fazem necessárias, como explica Ivan Euler, secretário municipal de Sustentabilidade, Resiliência e Bem-estar e Proteção Animal de Salvador.
“Salvador vem consolidando uma política climática baseada em planejamento, ciência e participação técnica. A atualização do nosso Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima é fundamental para incorporar novos desafios, avaliar os avanços conquistados nos últimos anos e fortalecer ações que aumentem a resiliência da cidade frente aos impactos das mudanças climáticas”, afirma Ivan Euler.
“O plano é um instrumento vivo, que precisa acompanhar as transformações urbanas, ambientais e sociais da cidade. Esse processo de revisão também reforça a integração entre os diversos órgãos da prefeitura e amplia nossa capacidade de desenvolver soluções sustentáveis para Salvador”, acrescenta Ivan Euler.
Em paralelo ao plano, a cidade também colocou em andamento o 2° Inventário de Emissões de Gases do Efeito Estufa do município. O histórico desse levantamento – com foco nos setores de transporte, energia e resíduos – tem apoiado o PMAMC e contribuído para que Salvador seja hoje uma das capitais brasileiras com os menores índices de emissão per capita de gás carbônico CO2.
“A revisão do plano de ação climática é parte de uma governança que visa mantê-lo como uma prioridade na agenda política de Salvador. Essa revisão vai permitir que as decisões futuras a respeito de mudança climática reflitam as necessidades e o conhecimento da comunidade local”, explica Rodrigo Perpétuo, diretor-executivo do ICLEI América do Sul.
O PMAMC de Salvador e o 2° Inventário de Emissões de Gases do Efeito Estufa do município foram implementados pelas organizações WayCarbon, ICLEI América do Sul e WWF Brasil, financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); e teve apoio do C40 e da Agência GIZ de Cooperação Alemã. Entre algumas das ações previstas estão:
- Ampliação da arborização urbana e das áreas verdes;
- Recuperação e proteção de encostas, manguezais e áreas costeiras;
- Expansão da mobilidade sustentável, com incentivo ao uso da bicicleta e transporte público mais limpo;
- Meta de alcançar 100% da frota do transporte público com veículos mais eficientes e menos poluentes;
- Implantação de soluções de drenagem urbana para reduzir alagamentos;
- Fortalecimento da coleta seletiva e da reciclagem;
- Tratamento de resíduos orgânicos e redução da destinação de lixo para aterros;
- Redução da população vivendo em áreas de risco geológico e de inundação;
- Incentivo à eficiência energética e à geração de energia renovável;
- Criação de mecanismos de governança climática e monitoramento de emissões;
- Desenvolvimento de políticas de justiça climática e inclusão social;
- Ampliação da infraestrutura resiliente para enfrentar eventos extremos;
- Promoção da educação ambiental e do engajamento da sociedade civil.
Sobre o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade
Fundado em 1990, o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade é uma rede global de governos locais e regionais dedicada ao desenvolvimento urbano sustentável. Com atuação em 130 países, conecta mais de 2.500 administrações públicas, fornecendo suporte técnico e político para a implementação de agendas para o desenvolvimento de zero carbono, baseado na natureza, equitativo, resiliente e circular.
Na América do Sul, atua desde 1994 e articula uma rede composta por mais de 150 governos membros. A estrutura regional é coordenada por três escritórios — localizados no Brasil, na Colômbia e na Argentina — que atendem a oito países da região e trabalham na territorialização de marcos globais, oferecendo ferramentas e capacitação para que os governos locais possam executar suas metas climáticas e de sustentabilidade de forma integrada, e para impulsionar o potencial de contribuições sul-americanas aos debates e compromissos internacionais.