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Coletores de sementes atuam para fortalecer a restauração ecológica na Amazônia

Publicado em 13/11/2025 às 14:15 edição Lenilde Pacheco


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Programa reúne 60 famílias que já comercializaram mais de sete toneladas de sementes - Foto: Divulgação

Mais de 70 coletores de sementes nativas reuniram-se, no município de Caseara (TO), para a segunda edição do Encontro Ressemear (Rede de Sementes do Araguaia), que discutiu meios de formalizar e fortalecer a cadeia da restauração ecológica em larga escala na região. A iniciativa do Instituto Black Jaguar capacita e remunera agricultores familiares na coleta de sementes nativas do Cerrado e da Amazônia para produção de mudas florestais. O evento aconteceu no Parque Estadual do Cantão.

¨Conseguimos reunir e dar voz a representantes de diversos grupos de coleta da região, podendo, inclusive, levar as demandas desse território para a COP30. Além disso, avançamos no debate sobre a qualidade e o cuidado na rastreabilidade das sementes e os caminhos para a formalização da rede através do associativismo e o cooperativismo, que é essencial para o futuro da iniciativa¨, destacou Laís D’Isep, articuladora de comunidades do Instituto Black Jaguar, que representará a iniciativa durante a COP30.

Ressemear

A Rede de Sementes do Araguaia (Ressemear) conta com mais de 115 coletores, dos quais 69% são mulheres, organizados em sete grupos de coleta que envolvem diretamente cerca de 60 famílias de Caseara e Marianópolis, no Tocantins, e de Santana do Araguaia, no Pará – municípios onde a iniciativa atua no momento. Juntos, eles já comercializaram mais de sete toneladas de sementes de mais de 60 espécies nativas, movimentando mais de R$ 340 mil, fortalecendo a economia local e o protagonismo comunitário.

Entre os coletores estão ribeirinhos, agricultores familiares, assentados, além da participação mais recente de indígenas da etnia Kaiapó, que procuraram a rede interessados em integrar a atividade. Também fazem parte da Ressemear, integrantes da Associação de Mulheres Extrativistas da APA Cantão (AMA Cantão), que encontrou na rede uma forma de gerar valor a produtos antes descartados: sementes que sobravam da produção de geleias e doces agora são vendidas para projetos de restauração.

Para participar da Ressemear, os coletores passam por treinamento especializado, recebem equipamentos de proteção individual (EPIs) e identificação como integrantes da rede, o que facilita o acesso a áreas privadas e amplia a segurança no trabalho de coleta.
As sementes abastecem a demanda do Instituto Black Jaguar, responsável por um dos maiores corredores de restauração ecológica do mundo, e além de apoiar outras iniciativas parceiras. Todo o processo segue princípios de comércio justo, ampla diversidade genética e participação social, garantindo impacto socioambiental positivo e sustentabilidade a longo prazo.

¨Além de todo o aprendizado, esse encontro demonstrou maior união da comunidade, pois contou não somente com a participação das mulheres extrativistas de Caseara, que forneceram o lanche, mas dos povos originários, que estão se envolvendo cada vez mais para dar conta dessa demanda de sementes e promover a restauração ecológica no nosso Brasil¨, ressaltou a coletora Lidejane Lopes de Oliveira, do grupo urbano de Caseara.

O 2º Encontro da Ressemear, realizado nos dias 8 e 9 de novembro, contou com o apoio da Rede de Sementes Portal da Amazônia e da Rede de Sementes do Xingu. A programação contou ainda com atividades de educação ambiental e gincanas para as crianças e adolescentes, buscando envolver as novas gerações no conhecimento e na valorização da biodiversidade local.

O projeto tem o apoio do Fundo Ecos/ISPN e recursos do BNDES e Suzano, integra o Redário, uma rede nacional de coletores de sementes liderada pelo Instituto Socioambiental (ISA) que articula experiências comunitárias para fortalecer a restauração ecológica e gerar renda em diferentes territórios do Brasil.

Sobre a Black Jaguar

Fundada em 2010, a Black Jaguar é uma organização sem fins lucrativos com sede em Amsterdã, na Holanda, e nas cidades brasileiras de São Paulo (SP) e Santana do Araguaia (PA), dedicada à restauração de ecossistemas em larga escala no Brasil. O instituto atua na recuperação do Corredor de Biodiversidade do Araguaia, que conecta a Amazônia ao Cerrado, por meio de ações de reflorestamento, restauração da biodiversidade e engajamento comunitário. A BJF atua em parceria com cientistas, agricultores e comunidades locais, seguindo um método próprio de 17 etapas de restauração estruturadas em quatro pilares: Comunidade, Ciência, Plantio e Cuidado. A meta é restaurar mais de 1 milhão de hectares em 20 anos.