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Sustentabilidade, ciência e inteligência de mercado orientam programação do Dia do Algodão

Publicado em 30/07/2026 às 07:45 edição Lenilde Pacheco


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Programação promove discussão sobre cultivares, manejo do bicudo, clima, custos e mercado - Foto: Wenderson Araújo/CNA

Com a colheita do algodão avançando na Bahia e já ultrapassando 96 mil hectares — o equivalente a pouco mais de 23% da área cultivada na safra 2025/2026 —, o setor concentra esforços no planejamento do próximo ciclo. Nesse cenário, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) promove em 31 de julho e 1º de agosto, o Dia do Algodão 2026, evento que reunirá pesquisadores, consultores e especialistas para apresentar estudos e análises voltados à tomada de decisões nas propriedades rurais.

A programação será dividida em dois dias. Na sexta-feira (31), o encontro será destinado aos associados da Abapa, autoridades e convidados, com debates sobre temas estratégicos para a cotonicultura. No sábado (1º), o Centro de Treinamento da entidade receberá produtores, consultores, estudantes e profissionais do agro para uma agenda técnica focada na aplicação prática de pesquisas e informações que apoiam o planejamento da próxima safra.

“Estamos entrando em um período decisivo, em que o produtor avalia os resultados da safra atual e começa a definir as estratégias para o próximo ciclo. Há cinco edições, o Dia do Algodão aproxima a pesquisa da realidade das propriedades, reunindo informações sobre cultivares, manejo do bicudo, clima, custos e mercado. São conhecimentos que ajudam a reduzir incertezas, antecipar riscos e dar mais segurança às decisões que serão tomadas nos próximos meses”, afirma a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa.

Segundo ela, o evento também fortalece a integração da cadeia produtiva. “O Dia do Algodão é um espaço de encontros, que reúne todos os elos do setor para discutir desafios e oportunidades da cotonicultura”, completa.

Programação técnica

As atividades de sábado começam às 7h e serão organizadas em três estações temáticas, permitindo que os participantes circulem entre os espaços e acompanhem discussões sobre os principais desafios da produção de algodão. A programação reúne pesquisas desenvolvidas no Oeste da Bahia e análises econômicas voltadas ao planejamento da próxima safra.

A primeira estação abordará o desempenho das cultivares de algodoeiro no Cerrado baiano. Os pesquisadores da Fundação Bahia, Murilo Barros Pedrosa, doutor em Agronomia, e Eleusio Curvelo Freire, doutor em Genética e Melhoramento de Plantas, apresentarão os resultados das avaliações realizadas na safra 2025/2026. Os estudos analisam produtividade, resistência a pragas e qualidade da fibra, oferecendo subsídios para a escolha das variedades mais adequadas às condições da região.

Na segunda estação, o pesquisador em Entomologia da Fundação Bahia, Allef Souza, apresentará os resultados do monitoramento da dinâmica populacional do bicudo-do-algodoeiro no Oeste baiano, abrangendo os períodos de safra e entressafra. O levantamento mostra como a praga se desloca e se mantém entre os ciclos produtivos, contribuindo para o aperfeiçoamento das estratégias de manejo.

A gestão da atividade será o foco da terceira estação. O economista Renato Garcia Ribeiro, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), discutirá os custos de produção do algodão em um cenário de margens mais pressionadas. Entre os temas estão o impacto da valorização dos insumos dolarizados, a gestão de riscos e alternativas para aumentar a eficiência operacional das propriedades.

Mudança climática

O encerramento será marcado por uma mesa-redonda sobre o manejo estratégico do algodoeiro diante dos efeitos do El Niño. Participam do debate o meteorologista e doutor em Geografia Ricardo Reis, CEO da AeQuilibrium; o pesquisador da Embrapa Algodão e doutor em Fitopatologia Fabiano Perina; e o pesquisador da Fundação Bahia e doutor em Fitotecnia Ricardo de Andrade. Eles discutirão de que forma o clima, as doenças e a fisiologia da planta influenciam o desempenho das lavouras e o planejamento da próxima safra.