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Bunge e Acelen firmam acordo para produção de combustível sustentável

Publicado em 26/08/2026 às 18:11 edição Lenilde Pacheco


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Acordo integra a estratégia da Acelen para estruturar uma cadeia de matérias-primas renováveis - Foto: Acelen/Divulgação

Por Lenilde Pacheco*

A Acelen Renováveis, empresa de energia controlada pela Mubadala Capital, fechou com a Bunge um contrato de cinco anos para o fornecimento de 300 mil toneladas anuais de óleo de soja certificado, totalizando 1,5 milhão de toneladas. O insumo será destinado à produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Renovável (HVO) na biorrefinaria que a Acelen prevê colocar em operação na Bahia a partir de 2029.

O acordo é o maior contrato de fornecimento de óleo de soja já firmado pela Bunge no continente e integra a estratégia da Acelen para estruturar uma cadeia de matérias-primas renováveis capaz de sustentar a produção de combustíveis de baixo carbono em escala industrial.

O projeto prevê a implantação do que as empresas classificam como primeira unidade de produção de SAF e HVO em larga escala da América do Sul. Com investimentos superiores a US$ 3 bilhões, a biorrefinaria terá capacidade projetada de produzir 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis por ano.

O óleo de soja poderá ser originado no Brasil e na Argentina e deverá atender a padrões internacionais de rastreabilidade e sustentabilidade, com certificações da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e do Conselho de Recursos do Ar da Califórnia (CARB).

A contratação ocorre em um cenário de expansão da demanda mundial por combustíveis de menor intensidade de carbono, especialmente no setor de aviação. Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o SAF poderá responder por cerca de 65% das reduções de emissões necessárias para que a aviação alcance emissões líquidas zero até 2050.

Para a Acelen, o contrato com a Bunge representa um avanço na formação de uma plataforma diversificada de suprimento. Além do óleo de soja certificado, a companhia já firmou acordos para aquisição de óleo de cozinha usado (UCO) e desenvolve uma cadeia de produção de macaúba, que deverá constituir a principal matéria-prima de seu projeto de longo prazo.

“Este acordo reforça a estratégia da Acelen Renováveis de desenvolver uma cadeia de suprimentos robusta, assegurando parte das matérias-primas certificadas necessárias para sustentar as operações da biorrefinaria e viabilizar a produção de combustíveis renováveis em larga escala no Brasil”, afirma Cristiano da Costa, vice-presidente Comercial e de Trading da Acelen Renováveis.

Segundo o executivo, o acesso a matérias-primas certificadas é fundamental para garantir competitividade, rastreabilidade e segurança operacional, além de ampliar a oferta de combustíveis de baixo carbono para os mercados brasileiro e internacional.

A parceria também aproxima a estratégia de descarbonização da Acelen das iniciativas de sustentabilidade da Bunge na cadeia da soja. A empresa adotou, em 2015, o compromisso voluntário de construir cadeias de suprimento livres de desmatamento e, em 2024, informou ter alcançado 100% de rastreabilidade e monitoramento das compras diretas e indiretas de soja em regiões prioritárias do Brasil.

A Bunge mantém um Programa de Agricultura Regenerativa, que oferece assistência técnica, ferramentas, produtos e serviços aos produtores rurais com o objetivo de ampliar a adoção de práticas agrícolas de menor impacto ambiental e aumentar a oferta de matérias-primas rastreáveis e certificadas.

“Ao integrar a demanda e a oferta de produtos de baixo carbono, conectamos toda a cadeia de valor para investir, ao lado dos produtores rurais, na construção de um modelo de agricultura regenerativa de maior valor”, afirma Tito Martinho, diretor Comercial da Bunge.

Para o executivo, o projeto tem potencial para ampliar a participação brasileira nos mercados de combustíveis renováveis e atender a diferentes padrões internacionais de sustentabilidade e rastreabilidade.

A localização da futura biorrefinaria também é considerada estratégica pela Acelen. A unidade deverá ser capaz de processar diferentes matérias-primas renováveis, característica que pode ampliar a flexibilidade operacional, reduzir riscos de abastecimento e aumentar a eficiência logística do empreendimento.

Com a combinação da capacidade de originação da Bunge e da estratégia de diversificação de matérias-primas da Acelen, o acordo abre espaço para novos contratos envolvendo diferentes culturas agrícolas e fontes renováveis. O movimento reforça a formação, no Brasil, de uma nova cadeia industrial associada à transição energética, à descarbonização do transporte e à economia de baixo carbono.

Lenilde Pacheco é jornalista especializada em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.