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Boti Recicla completa 20 anos e amplia resultados da economia circular

Publicado em 05/11/2026 às 09:07 edição Lenilde Pacheco


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Grupo Boticário trabalha com 17 cooperativas homologadas, envolvendo mais de 700 profissionais - Foto: Divulgação

Há 20 anos, quando a economia circular ainda ganhava espaço no debate empresarial, o Grupo Boticário criou o Boti Recicla, programa de logística reversa destinado a ampliar a coleta e a destinação adequada de embalagens pós-consumo do setor de beleza. Desde então, a iniciativa evoluiu e se tornou um dos mais consistentes programa de logística reversa no varejo de beleza.

Com mais de 4 mil pontos de coleta em todos os estados brasileiros, o programa recebe embalagens vazias de cosméticos e produtos de higiene pessoal de qualquer marca. Em 2025, mais de 2,8 milhões de consumidores participaram da iniciativa, que registrou crescimento superior a 48% no volume de resíduos recolhidos para reciclagem em relação ao ano anterior.

A trajetória do Boti Recicla também demonstra como a logística reversa pode contribuir para fortalecer toda a cadeia da reciclagem. Atualmente, o Grupo Boticário trabalha com 17 cooperativas homologadas, envolvendo diretamente mais de 700 profissionais, segundo o Relatório ESG 2025 da companhia. Além de ampliar a destinação adequada dos materiais, a parceria estimula a geração de renda e a reinserção dos resíduos em novos ciclos produtivos.

“Quando criamos o Boti Recicla, há 20 anos, nosso objetivo era ampliar a coleta de embalagens pós-consumo em nossas lojas. Com o tempo, entendemos que gerar impacto positivo exige atuar em toda a cadeia e fomentar a responsabilidade compartilhada”, afirma Luis Meyer, diretor de ESG do Grupo Boticário.

Resíduos transformados em novos recursos

A circularidade também alcança as operações da companhia. Parte dos materiais recolhidos é transformada em mobiliário, estruturas e elementos de arquitetura para as lojas das marcas do grupo. Atualmente, 142 lojas utilizam mobiliário e estruturas produzidos com materiais reciclados, resultado da reintegração de mais de 147 toneladas de resíduos à cadeia produtiva.

Nas chamadas lojas sustentáveis, aproximadamente uma tonelada de plástico pós-consumo é incorporada às estruturas, demonstrando possibilidades de reaproveitamento de materiais que, de outra forma, poderiam ser descartados.

Outra experiência foi a Boti Recicla Store, ação realizada na loja conceito da marca, em Pinheiros, São Paulo. A iniciativa transformou materiais recicláveis em moeda de troca por produtos e experiências. Em apenas três dias, reuniu mais de 600 participantes e arrecadou mais de uma tonelada de recicláveis, evidenciando o potencial econômico dos resíduos.

Logística reversa e inclusão produtiva

A atuação do Grupo Boticário na economia circular inclui ainda a Estação Preço de Fábrica, desenvolvida em parceria com a startup Green Mining. O projeto utiliza tecnologia e rastreabilidade para ampliar a coleta e a valorização econômica dos materiais recicláveis.

Desde sua criação, a iniciativa contribuiu para recolher mais de 5,3 mil toneladas de resíduos e gerar renda para mais de 3 mil pessoas ao longo da cadeia de reciclagem. Em 2025, o projeto ampliou sua presença territorial com a inauguração da primeira estação em Belém (PA), durante a COP30.

Os resultados integram uma estratégia mais ampla de circularidade. No ano passado, a companhia recolheu e destinou à reciclagem 39% dos resíduos de embalagens gerados, ao mesmo tempo em que avançou em iniciativas de inovação, desenvolvimento de embalagens com materiais reciclados e renováveis, ampliação de refis e novas tecnologias de reaproveitamento.

Ao completar duas décadas, o Boti Recicla evidencia que a economia circular depende de articulação entre empresas, consumidores, cooperativas e recicladores. Mais do que recolher embalagens, o desafio é manter os materiais em circulação, agregar valor aos resíduos e fortalecer uma cadeia produtiva capaz de combinar benefícios ambientais e inclusão socioeconômica.