Bahia: Engie e Instituto Pró-Carnívoros monitoram a presença de onças na caatinga
Publicado em 29/08/2025 às 09:06 edição Lenilde Pacheco
Estudo atualiza dados sobre grandes felinos: alerta para a proteção da fauna - Foto: Instituto Pró-Carnívoros e Engie
Entre março e maio de 2025, o Programa Amigos da Onça (PAO), do Instituto Pró-Carnívoros, em parceria com a Engie Brasil Energia, realizou uma campanha de monitoramento em uma região de serras conhecida como Boqueirão da Onça, no norte da Bahia. O objetivo foi registrar a ocorrência de onças-pintadas (Panthera onca), onças-pardas (Puma concolor) e de suas presas naturais, além de avaliar as condições ecológicas da região para a conservação desses grandes felinos.
Ao todo, foram identificadas 24 espécies de mamíferos de médio e grande porte, sendo 21 silvestres e três domésticas. Oito espécies silvestres registradas estão ameaçadas de extinção em diferentes níveis. A presença de fêmeas com filhotes entre os grandes felinos reforça a importância da região como área reprodutiva e funcionalmente ativa, contribuindo para a manutenção da biodiversidade da Caatinga. A divulgação dos resultados coincide com a Semana Internacional da onça-parda (também conhecida como suçuarana), iniciativa global que celebra a importância ecológica da espécie e reforça a necessidade de ações integradas para sua conservação em diferentes biomas.
Para alcançar esses resultados, a equipe instalou 40 armadilhas fotográficas por 80 dias, em pontos estratégicos da Área de Proteção Ambiental (APA), do Parque Nacional (ParNa) do Boqueirão da Onça e na região de influência dos conjuntos eólicos Umburanas, Campo Largo I e II, operados pela Engie Brasil Energia. Esses equipamentos, fixados em árvores e ativados por sensores de movimento, registraram fotos e vídeos valiosos da fauna local. Além das onças, foram registrados outros carnívoros, como a jaguatirica (Leopardus pardalis) e o gato-do-mato (Leopardus tigrinus), assim como espécies que fazem parte da dieta desses grandes felinos, como o mocó (Kerodon rupestris), preá (Galea spixii), cutia (Dasyprocta nigriclunis), cateto (Dicotyles tajacu), queixada (Tayassu pecari) e veado-catingueiro (Subulo gouazoubira).
Apesar dos resultados positivos, esse levantamento também acendeu um alerta: foi registrada a presença recorrente de cães e bovinos circulando pela área monitorada, evidenciando a ocupação de habitats naturais e os riscos à fauna nativa — seja por competição direta ou pela possível disseminação de doenças. Além disso, as câmeras detectaram também caçadores ilegais na região. Essa prática representa um dos principais impactos sobre os mamíferos da Caatinga.
Para 2026, a parceria entre Engie e o Instituto Pró-Carnívoros deve seguir com as ações de monitoramento e envolvimento comunitário, reafirmando o compromisso com a proteção da fauna da Caatinga e o fortalecimento das relações humanas com a natureza. As atividades também incluirão ações de conscientização sobre os impactos da caça ilegal, buscando engajar moradores locais na valorização da biodiversidade.
O Boqueirão da Onça permanece como uma das últimas áreas da Caatinga capazes de sustentar populações viáveis de onça-pintada e onça-parda. Nesse contexto, o monitoramento contínuo e padronizado dessas espécies, aliado à identificação de pressões e à implementação de estratégias concretas de conservação, é fundamental para garantir a proteção da biodiversidade e dos processos ecológicos associados. A iniciativa reafirma a importância de integrar esforços científicos, institucionais e comunitários na formulação de políticas públicas, no manejo adaptativo da paisagem e na construção de estratégias de conservação baseadas em evidências.
A Engie é um importante player na transição energética e tem como propósito acelerar a transição para uma economia neutra em carbono. Com 98.000 colaboradores em 30 países, o Grupo abrange toda a cadeia de valor da energia, da produção à infraestrutura e vendas. A Engie combina atividades complementares: produção de eletricidade renovável e gás verde, ativos de flexibilidade (principalmente baterias), redes de transmissão e distribuição de gás e eletricidade, infraestruturas locais de energia (redes de aquecimento e resfriamento) e fornecimento de energia para domicílios, autoridades locais e empresas. A cada ano, a Engie investe mais de 10 bilhões de euros para impulsionar a transição energética e alcançar sua meta net-zero em carbono até 2045. Faturamento em 2024: 73,8 bilhões de euros.
No Brasil, a Engie, empresa líder em energia 100% renovável do país, atua em geração, comercialização e transmissão de energia elétrica, transporte de gás e soluções energéticas. A empresa possui cerca de 13 GW de capacidade instalada, provenientes de fontes renováveis e com baixas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), como usinas hidrelétricas, eólicas, solares e a biomassa.