Novo relatório do IPCC alerta para urgência de ações diante das mudanças climáticas
Publicado em 28/02/2022 às 10:07 edição Lenilde Pacheco
Mudança climática ameaça a biodiversidade - Foto: Robson Czaban/Via ICMbio
Novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) do ONU, divulgado hoje (28), resume entendimento científico sobre impactos, adaptação e vulnerabilidade no contexto das mudanças climáticas. Traz um alerta alerta sobre a necessidade de ações urgentes para conviver com os riscos trazidos pelas mudanças climáticas.
Para evitar a perda crescente de vidas, biodiversidade e infraestrutura, os especialistas recomendam ação ambiciosa e acelerada para se adaptar às mudanças climáticas, com cortes rápidos em emissões de gases de efeitos estufa. “Este relatório é um alerta terrível sobre as consequências da inação”, declarou o presidente do IPCC, Hoesung Lee.
O documento, apresentado durante coletiva de imprensa virtual, mostra que o progresso nessa adaptação tem sido desigual e ainda há lacunas entre as medidas adotadas e as que são necessárias para lidar com os riscos das mudanças no clima.
“Isso mostra que a mudança climática é uma ameaça grave e crescente ao nosso bem-estar e a um planeta saudável. Nossas ações hoje moldarão como as pessoas se adaptam e [como] a natureza responde aos crescentes riscos climáticos”, completou Lee.
Em agosto do ano passado, um relatório do IPCC apontou que a ação humana era responsável por um aumento de 1,07ºC na temperatura do planeta. A meta estabelecida no Acordo de Paris, em 2015, era limitar o aquecimento global a 2ºC, com esforços para que ele não ultrapasse os 1,5ºC.
De acordo com os estudos do IPCC, as crianças de hoje, se ainda estiverem vivas no ano de 2100, vão passar por quatro vezes mais extremos climáticos do que passam agora – mesmo se houver apenas mais alguns décimos de grau de aquecimento na temperatura do planeta.
Já se as temperaturas aumentarem por volta de 2ºC, elas verão cinco vezes mais inundações, tempestades, secas e ondas de calor do que agora, alertam os cientistas.
Com cada 0,1ºC de aquecimento, mais pessoas morrem de estresse por calor, problemas cardíacos e pulmonares por calor e poluição do ar, doenças infecciosas, doenças causadas por mosquitos e fome, dizem os autores. Se o mundo aquecer apenas mais 0,9ºC a partir de agora a quantidade de terra queimada por incêndios florestais em todo o mundo aumentará em 35%.
Segundo o relatório, até 2050, um bilhão de pessoas enfrentarão o risco de inundações costeiras devido à elevação do nível do mar. Mais pessoas serão forçadas a deixar suas casas devido a desastres climáticos, especialmente inundações, aumento do nível do mar e ciclones tropicais.
“As mudanças climáticas estão matando pessoas”, disse a coautora Helen Adams, do King’s College London. “Sim, as coisas estão ruins, mas na verdade o futuro depende de nós, não do clima.”
O estudo lista perigos crescentes para pessoas, plantas, animais, ecossistemas e economias – e destaca pessoas sendo deslocadas de suas casas, lugares se tornando inabitáveis, número de espécies diminuindo, corais desaparecendo, gelo derretendo e aumentando o nível do mar e oceanos cada vez mais ácidos e pobres em oxigênio.
A conferência de imprensa para apresentação do relatório foi transmitida ao vivo pelo canal do IPCC no YouTube.