Crise climática reforça valor da educação ambiental desde a primeira infância
Publicado em 06/07/2026 às 10:04 edição Lenilde Pacheco
Unicef mostra que quase metade das crianças do mundo está exposta a riscos climáticos - Foto: FBTV/Divulgação
Quase metade das crianças e adolescentes do mundo está exposta a pelo menos três riscos climáticos. São cerca de 1,1 bilhão de pessoas. Além disso, quase todas as crianças do planeta enfrentam ao menos uma ameaça climática. E mais de 4 milhões de meninos e meninas podem estar expostos a até seis ameaças climáticas simultaneamente.
No Brasil, 16 milhões de crianças e adolescentes convivem com três ou mais riscos climáticos, como ondas de calor e secas, o equivalente a três em cada dez meninos e meninas. Quando considerados dois ou mais riscos climáticos, esse número ultrapassa 30 milhões, o que representa seis em cada dez crianças e adolescentes brasileiros.
Os dados são do Relatório de Risco Climático das Crianças 2026, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O estudo também mostra que mais de 2,3 bilhões de crianças no mundo estão expostas à poluição do ar e 1,5 bilhão enfrentam ondas de calor. Os números evidenciam que a crise climática já afeta diretamente a infância e reforçam a importância da educação ambiental como instrumento de conscientização e preparação das novas gerações para os desafios do século XXI.
Em meio a esse cenário, cresce a percepção de que a educação ambiental deve fazer parte da formação das crianças desde os primeiros anos de vida, com experiências práticas, contato com a natureza e projetos pedagógicos voltados à sustentabilidade. É a avaliação da supervisora pedagógica geral da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental do Colégio Farias Brito, Ieda Vasconcelos. Para ela, a construção da consciência ambiental precisa começar ainda na primeira infância, período em que valores, hábitos e comportamentos são mais facilmente assimilados.
“A gente vem fazendo isso, posso dizer que há décadas, porque o FB é uma escola verde, situada em Fortaleza (CE). A gente tem muito forte essa ideia de preservação ambiental, de criar essa consciência nas crianças desde a primeiríssima infância, que é idade das crianças do FB Baby, do Berçário aos três anos. Há quem possa dizer que as crianças não entendem essa ideia de preservação. Entendem e têm um potencial enorme de influenciar os adultos para uma mudança de atitude”, afirma Iêda.
A educadora destaca que a proposta vai além do contato com áreas verdes. As crianças, relata Iêda, são incentivadas a refletir sobre consumo consciente, descarte correto de resíduos, preservação dos espaços públicos e responsabilidade coletiva.
“Sem a consciência de um consumo responsável, não temos a formação de novas consciências de proteção ambiental. Em nossa feira de ciências, trabalhamos o tema ‘Cidades e Oceano em Harmonia com a Natureza’, porque o projeto de urbanização massivo distanciou as pessoas e as crianças passaram a ter uma vida tão acelerada quanto os adultos. A gente precisa fazer as crianças pensarem sobre as atitudes e olharem também para as atitudes dos adultos”, explica a supervisora. Ao longo da Educação Infantil, os estudantes participam de projetos especialmente elaborados para desenvolver a consciência ecológica de forma adequada a cada faixa etária.
Entre eles está o projeto “Água Cheia de Vida”, destinado a crianças de 3 anos, que estimula a compreensão da importância da água e do uso sustentável dos recursos naturais. Na mesma etapa, o projeto “Descobertas no Jardim” aproxima os alunos da biodiversidade presente em jardins e espaços verdes, incentivando formas respeitosas de convivência com plantas e pequenos animais.
Na faixa dos 5 anos, os projetos “Planeta Terra, Nossa Casa!” e “O Mundo que Queremos!” estimulam reflexões sobre preservação ambiental, cidadania e construção de um futuro mais sustentável. As crianças são incentivadas a observar problemas ambientais, formular hipóteses, propor soluções e mobilizar familiares e comunidade escolar em torno de práticas mais responsáveis.
Para Ieda Vasconcelos, experiências como essas ajudam a ampliar o olhar das crianças sobre o mundo. “Vivemos em cidades onde a infância está cada vez mais restrita aos ambientes fechados. Por isso, buscamos proporcionar vivências que aproximem as crianças da natureza, dos espaços públicos e da realidade ambiental que as cerca. Queremos que elas compreendam que suas escolhas têm impacto no presente e no futuro do planeta”, conclui