img
img

Economia Verde: Setor têxtil investe no fortalecimento da moda sustentável

Publicado em 08/02/2023 às 13:40 edição Lenilde Pacheco


img

Damyller ingressou no uso de laser para beneficiamento dos tecidos - Foto: Divulgação

Lenilde Pacheco*

A atualização de pesquisas confirma que o mercado nacional reúne consumidores adeptos de alternativas sustentáveis por estarem muito mais interessados em conter os impactos do setor produtivo no meio ambiente. Essa conduta tem impulsionado mudanças no modo de operar das empresas; permanente reavaliação de suas cadeias produtivas e rigor no acompanhamento dos resultados socioambientais.

A edição de 2022 da Pesquisa Vida Saudável e Sustentável, do Instituto Akatu e Globe Scan, por exemplo, mostrou que 55% dos brasileiros afirmam estar dispostos a pagar mais por produtos ou marcas sustentáveis. A taxa se aproxima à média de consumidores (57%) de outros 30 países também consultados. No Brasil, foram entrevistados mil consumidores.

O levantamento ainda mostrou que 84% dos brasileiros declaram o seu desejo de reduzir o impacto individual sobre o meio ambiente, contra 73% da média mundial. Diante desse diagnóstico, as empresas que decidiram levar a sério o avanço da chamada consciência verde, incorporaram práticas de desenvolvimento sustentável muito necessárias ao mundo fashion, por exemplo.

Levantamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em 2022, mostrou que a produção da indústria têxtil é responsável por 2% a 8% do volume de emissões de gás carbônico mundial, além da etapa de tingimento ser uma das maiores causadoras de poluição de fontes de água.

Relatório da Ellen MacArthur Foundation mostra que, além do carbono, o descarte é grave problema. Com ciclo de vida curto, cerca de 25% das coleções fast viram lixo, sem nenhuma chance de reaproveitamento.

Num cenário em que as mudanças graduais e consistentes são inadiáveis, o movimento Sou de Algodão, criado em 2016, foi importante passo para estimular a moda responsável, produzida com insumos biodegradáveis.

Numa iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), foram articuladas parcerias com grandes marcas, como Vicunha, Santista, Artex, Tecelagem PanAmericana, Renner, EcoLife Jeans, entre dezenas de outras.

O movimento Sou de Algodão segue atraindo novos parceiros e comemora, neste mês de fevereiro, a chegada da gigante Dafiti, maior grupo de e-commerce de moda e lifestyle da América Latina. Ao anunciar o seu ingresso, a Dafiti comprometeu-se com a construção de uma moda mais sustentável, a partir de três pilares: circularidade e consumo consciente, comércio ético e ação climática – e ações da agenda ESG (sigla em inglês para questões ambientais, sociais e de governança).

No segmento jeans, boas experiências deixam para trás processos convencionais que exigiam mais de 5 mil litros de água para fabricar uma calça. Em 2008, a Damyller ingressou no uso de laser para beneficiamento dos tecidos; depois, incluiu ozônio. Com o aperfeiçoamento das tecnologias, em 2018 criou uma linha eco, que usa um copo d’água de 200ml na lavanderia; com o processo de evaporação, gera 0% de descarte.

Em parceria com a espanhola Jeanologia, especializada em tecnologia ecoeficiente, a Damyller inova novamente, trazendo para o Brasil um maquinário que substituiu o uso da água pelo ar, em 80% da sua produção.

A redução do uso de água chega a 95%, juntamente com a eliminação de produtos químicos, como o cloro. Para fechar bem esse ciclo de proteção dos recursos naturais, ainda é preciso que o consumidor priorize a compra de peças de roupas duráveis. Depois de muito usar, promova o reuso em doações ou brechós.

 

* Lenilde Pacheco é jornalista especializada em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.