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Erosão costeira: Avanço do mar causa mais prejuízos na orla da Pituba, em Salvador

Publicado em 22/02/2024 às 12:31 edição Lenilde Pacheco


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Danos paisagístico, recreativo e econômico se repetem, destaca pesquisador do Instituto de Geociências da UFBA

Pela terceira vez, em apenas cinco anos, o calçadão da orla da Pituba, na capital baiana, não resistiu ao impacto da maré e afundou na  quarta-feira (dia 14). A área foi isolada com tapumes pela Prefeitura de Salvador e precisará passar por obras de recuperação. Não houve feridos.

O tombamento da alvenaria de pedra, no entanto, ainda oferece risco: podem ocorrer novos deslizamentos, principalmente durante a maré alta. O tapume instalado está cercando a área, no calçadão, para impedir que pedestres e ciclistas transitem no trecho que apresenta instabilidade do solo. O mesmo problema aconteceu em março de 2020 e março de 2018, citando apenas os registros relacionados aos últimos cinco anos.

No estudo intitulado ‘Políticas Públicas, Erosão Costeira e Ocupação Urbana na Linha de Costa entre Rio Vermelho e Pituba’, realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia, do Instituto de Geociência da UFBA, em 2016, por Breno Braga de Souza Freitas, está demonstrado que entre as localidades do Rio Vermelho e Pituba, “a ocupação histórica na linha de costa sobre o ambiente de praia não atende às recomendações ambientais relativas ao conhecimento dos fenômenos físico-naturais. Isso acarreta ônus diversos à sociedade, como danos paisagístico, recreativo e econômico gerados pela erosão costeira”.

O pesquisador assinala que o fenômeno da erosão costeira em Salvador destrói anualmente estruturas urbanas como calçadas, muros e ciclovias ao longo da orla Atlântica. É causado pela associação dos fenômenos das marés meteorológicas, das marés de sizígia e da convergência de ondas, onde é destacada a localidade da Pituba com o maior número de ocorrências em toda orla.

Imagens de satélite

As conclusões do pesquisador baiano ficam da mesma forma evidenciadas em outro estudo que aponta a significativa modificação das praias, dunas e areais do Brasil, nos últimos 36 anos. Análise do MapBiomas, a partir de imagens de satélite entre 1985 e 2020, revela que a redução foi de 15%, ou cerca de 70 mil hectares.

Há 36 anos, eram 451 mil hectares; em 2020, apenas 382 mil hectares. Além de dunas, praias e areais, o estudo que o MapBiomas apresentou pelo YouTube, também avalia a dinâmica das áreas de manguezais, apicuns (áreas salinizadas desprovidas de vegetação) e da aquicultura/salicultura.

A preservação das praias e dunas é essencial para o controle da erosão costeira e preservação da faixa litorânea e sua biodiversidade. A praia e a duna normalmente protegem os manguezais das ações das ondas. Criam um ambiente calmo, onde a lama pode ser depositada e colonizada pela vegetação de mangue.

Os motivos para diminuição das superfície de dunas, praias e areais continentais são variados: desde a revegetação do topo das dunas, ocupação por empreendimentos aquícolas e salineiros, até a expansão de espécies invasoras. A diminuição das faixas de praias e dunas também pode ser explicada em parte pela forte pressão imobiliária.