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Agropalma usa monitoramento geográfico para prevenir incêndios

Publicado em 25/10/2026 às 12:07 edição Lenilde Pacheco


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Iniciativa ganha relevância diante da necessidade de proteção da lavoura e floresta - Foto: Agropalma/Divulgação

A combinação de dados meteorológicos, imagens de satélite e inteligência artificial está ajudando a Agropalma a monitorar riscos climáticos e prevenir incêndios em áreas agrícolas no Pará. A empresa desenvolveu um Sistema de Informação Geográfica (SIG) próprio para acompanhar as condições das lavouras, identificar focos de calor e orientar decisões de manejo e combate ao fogo.

A iniciativa ganha relevância diante dos prejuízos provocados por eventos climáticos extremos na Amazônia Legal. Estudo do projeto Amazônia 2030 aponta perdas agropecuárias de cerca de R$ 6 bilhões entre 2021 e 2024, associadas, entre outros fatores, à vulnerabilidade a secas e incêndios florestais.

Desenvolvida pelas equipes de Fitotecnia, Agricultura de Precisão e Geoprocessamento da companhia, a plataforma utiliza a tecnologia ArcGIS e cruza dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com informações de satélites e sensores da NASA. Os resultados são organizados em painéis interativos que apoiam o acompanhamento das áreas produtivas e o planejamento de medidas preventivas.

Como a palma é uma cultura perene, seu desenvolvimento e sua produtividade dependem das condições climáticas ao longo do ciclo. O monitoramento permite avaliar as condições locais e antecipar decisões de manejo diante de situações adversas.

Monitoramento alcança áreas vizinhas

Além de identificar focos de calor nas propriedades da empresa, o sistema acompanha ocorrências em um raio de até cinco quilômetros além dos limites das fazendas. O objetivo é detectar ameaças nas proximidades e permitir que as equipes avaliem os riscos antes que o fogo alcance as áreas produtivas.

A estrutura conta com oito pontos de monitoramento nas propriedades da Agropalma e outros oito distribuídos em municípios paraenses: Acará, Baião, Cametá, Igarapé-Miri, Mocajuba, Moju, Tailândia e Tomé-Açu.

O sistema também abrange áreas de agricultores familiares vinculados ao programa da companhia, que atende 445 famílias e 64 produtores integrados. A inclusão permite ampliar o acesso ao monitoramento e aos alertas sobre focos de calor nas proximidades das propriedades.

“O pequeno produtor muitas vezes não tem acesso a tecnologias avançadas de previsibilidade climática ou monitoramento em tempo real”, afirma Anderlon Andrade, coordenador técnico de Agricultura de Precisão da Agropalma. Segundo ele, a integração dessas áreas ao sistema permite alertar os produtores sobre ocorrências próximas às suas terras.

Alertas orientam equipes de combate

Diariamente, a plataforma consolida as detecções e gera um boletim de monitoramento de queimadas para gestores e brigadistas. O documento reúne mapas operacionais, coordenadas dos focos e distâncias em relação às propriedades monitoradas.

O nível de risco é classificado por cores: verde para baixo, amarelo para moderado, laranja para alto e vermelho para crítico. A escala auxilia na avaliação das ocorrências e na definição das medidas operacionais, incluindo o eventual deslocamento de brigadistas e caminhões-pipa.

Segundo Andrade, o desenvolvimento de uma ferramenta própria também permite ajustar o monitoramento às características das operações. Ele afirma que plataformas padronizadas geravam falsos alertas e dificultavam a avaliação precisa da distância dos focos.

O acompanhamento de áreas vizinhas é outro recurso relevante, já que a dinâmica dos ventos e as condições de seca podem favorecer a propagação do fogo ou o transporte de material incandescente para propriedades próximas.

Gestão ambiental e próximos passos

O sistema integra as medidas de prevenção de incêndios da Agropalma e fornece registros para o acompanhamento das equipes de Meio Ambiente e Sustentabilidade. A iniciativa também está alinhada ao critério 7.6.6 dos Princípios e Critérios da certificação da Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO), que prevê procedimentos para reduzir riscos de incêndio nas áreas abrangidas pela certificação, com participação das partes interessadas.

A empresa planeja ampliar a digitalização das operações, com maior autonomia de comunicação para as equipes em campo. A proposta é disponibilizar acesso móvel aos brigadistas e operadores de caminhões-pipa, com recursos para traçar rotas até os focos de incêndio e localizar pontos próximos de captação de água.

A implementação depende da expansão da infraestrutura de telecomunicações. De acordo com Andrade, a meta é tornar a resposta operacional mais ágil e reduzir a dependência exclusiva da comunicação por rádio.