Escolhas de consumo podem impulsionar moda sustentável, destaca ABVTEX
Publicado em 13/10/2026 às 09:07 edição Lenilde Pacheco
Edmundo Lima: avançar no consumo consciente depende de responsabilidades compartilhadas
Embora 81% dos brasileiros valorizem o consumo consciente, apenas 39% pesquisam os processos de produção e as condições de trabalho nas confecções das roupas que compram, segundo pesquisa da Globo sobre o consumo de moda no Brasil. A diferença entre intenção e comportamento evidencia um desafio para o setor: ampliar a atenção dos consumidores à origem dos produtos e às práticas socioambientais das marcas.
A realidade econômica também influencia as decisões de compra. O consumo consciente, porém, não se resume ao preço, mas envolve fatores como qualidade, durabilidade, procedência e responsabilidade socioambiental. A confiança nas marcas é outro aspecto relevante: levantamento da NielsenIQ indica que 95% dos consumidores consideram importante confiar na marca no momento da compra.
Para que essa confiança se traduza em escolhas mais responsáveis, é fundamental que os compromissos socioambientais das empresas correspondam a práticas verificáveis ao longo da cadeia produtiva. Nesse contexto, o Programa da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), criado em 2010, monitora e promove o desenvolvimento de empresas fornecedoras e suas subcontratadas, por meio de auditorias e critérios de conformidade trabalhista, social, ambiental e de governança.
A iniciativa reúne aproximadamente 3,5 mil empresas aprovadas e abrange mais de 500 mil trabalhadores na cadeia produtiva do varejo de moda. Os números dão dimensão ao alcance do programa, voltado à promoção do trabalho digno, da conformidade e de boas práticas socioambientais.
Para Edmundo Lima, presidente da ABVTEX, as escolhas dos consumidores podem contribuir para estimular avanços no setor, desde que considerem também as condições em que as peças são produzidas.
“O consumidor tem um papel fundamental na transformação da cadeia da moda. Quando a decisão de compra considera apenas o preço, os esforços das empresas que investem em responsabilidade social e ambiental deixam de ser devidamente valorizados. É preciso olhar além da etiqueta e considerar também as condições em que cada peça foi produzida. Ao privilegiar marcas comprometidas com práticas responsáveis, o consumidor envia um sinal importante ao mercado, incentiva a evolução da cadeia produtiva e contribui para uma moda mais sustentável”, afirma.
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A entidade também chama a atenção para as condições de concorrência no mercado. Segundo a ABVTEX, empresas instaladas no Brasil estão sujeitas a obrigações tributárias, trabalhistas, ambientais e regulatórias que podem diferir daquelas aplicáveis a produtos comercializados por plataformas internacionais de comércio eletrônico. Na avaliação da associação, essas diferenças podem criar assimetrias competitivas, com reflexos sobre os negócios, a geração de empregos e a renda no país.
“Não basta cobrar responsabilidade das empresas se o ambiente de negócios não oferece condições equilibradas de concorrência. Quem investe no cumprimento de obrigações legais, no monitoramento de fornecedores e na melhoria das condições de trabalho precisa ter esses esforços reconhecidos e valorizados. O consumo consciente também passa por compreender que, por trás de cada produto, existem práticas empresariais que fazem diferença para os trabalhadores, para a economia e para o desenvolvimento sustentável do setor”, complementa Lima.
Avançar no consumo consciente, portanto, depende de responsabilidades compartilhadas. Cabe às empresas adotar práticas responsáveis e fornecer informações confiáveis; aos consumidores, considerar esses atributos nas decisões de compra. O preço é um componente do valor de uma peça, mas não o único: as condições de sua produção também importam.
Fundada em 1999, a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) é a entidade que congrega as mais representativas redes nacionais e internacionais de varejo de moda, que comercializam itens de vestuário, calçados, bolsas, acessórios, além de artigos têxteis para o lar. É a principal interlocutora do setor junto a entidades ligadas à indústria, comércio e serviços; autoridades dos governos federal, estaduais e municipais; ONGs e associações; imprensa; e a sociedade em geral.