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BNDES aprova R$ 54 milhões para irrigação e geração de energia da Agrovale

Publicado em 02/09/2026 às 07:38 edição Lenilde Pacheco


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Investimento permite aumentar a eficiência da irrigação sem expandir a área cultivada - Foto: Agrovale/Divulgação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 53,99 milhões em financiamentos do Fundo Clima para a Agro Indústrias do Vale do São Francisco (Agrovale), em Juazeiro (BA). Os recursos serão destinados à modernização dos sistemas de irrigação e de geração térmica a biomassa da unidade industrial, com foco no aumento da eficiência no uso da água e da energia.

As operações foram estruturadas pelo Bradesco, agente financeiro credenciado do BNDES, com apoio da Gerência Nordeste do banco. Os investimentos integram uma estratégia de modernização da produção no semiárido e estão alinhados às iniciativas de adaptação às mudanças climáticas e redução de impactos ambientais.

Do total financiado, R$ 39,27 milhões serão aplicados na substituição da irrigação por gravidade por um sistema localizado de gotejamento em aproximadamente 490 hectares cultivados com cana-de-açúcar. A área irrigada não será ampliada. A mudança permitirá maior controle sobre a aplicação da água, redução de perdas e maior precisão na fertirrigação.

A expectativa é que o sistema alcance eficiência operacional de cerca de 95%, reduzindo as perdas hídricas para menos de 5%. O projeto inclui estação de bombeamento, filtragem, tubulações, válvulas de controle, automação hidráulica e emissores gotejadores, além da adequação da infraestrutura elétrica e hidráulica.

A iniciativa ganha relevância em uma região marcada pela disponibilidade limitada de recursos hídricos e pela necessidade de conciliar produção agrícola e segurança hídrica. Ao aumentar a eficiência da irrigação sem expandir a área cultivada, o projeto busca produzir mais com menor pressão sobre a água captada no Vale do São Francisco.

Outros R$ 14,72 milhões serão destinados à modernização do sistema de geração térmica a biomassa da unidade industrial. O investimento prevê atualização da caldeira e dos sistemas de combustão, automação, instrumentação, monitoramento e controle, além de melhorias no isolamento térmico.

A modernização deve elevar a eficiência energética da planta e ampliar o aproveitamento do bagaço de cana-de-açúcar como combustível renovável. Dessa forma, o resíduo do próprio processo produtivo passa a ter maior aproveitamento energético, reforçando a lógica de economia circular e reduzindo perdas na operação industrial.

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o financiamento está alinhado ao objetivo do Fundo Clima de apoiar projetos de adaptação às mudanças climáticas, combinando eficiência produtiva e tecnologias de menor impacto ambiental.

“A sustentabilidade faz parte da estratégia e da rotina da Agrovale. Produzir no semiárido exige utilizar a água, a energia e os demais recursos naturais com cada vez mais eficiência e responsabilidade”, afirmou a superintendente Administrativa Financeira da empresa, Juliana Alves. Segundo ela, os investimentos incorporam tecnologia à operação e ampliam a eficiência da indústria, fortalecendo a competitividade da empresa no longo prazo.

Para Marina Gravina, diretora de Global Trade & Finance do Bradesco, a operação demonstra como o crédito pode apoiar projetos que associam eficiência operacional e sustentabilidade, contribuindo para a modernização da Agrovale e para o desenvolvimento de uma região estratégica para o agronegócio brasileiro.

Sustentabilidade integrada à produção

Com mais de cinco décadas de atuação no Vale do São Francisco, a Agrovale produz açúcar, etanol e bioeletricidade e emprega aproximadamente 3 mil pessoas diretamente. Os novos investimentos ampliam a estratégia da companhia de combinar inovação tecnológica, eficiência no uso de recursos naturais e desempenho operacional.

Na prática, os dois projetos atuam sobre dois dos principais desafios da produção sucroenergética no semiárido: usar a água de forma mais eficiente e extrair maior valor energético da biomassa gerada no próprio processo produtivo.

O financiamento do Fundo Clima reforça, assim, a integração entre adaptação climática, eficiência hídrica, transição para fontes renováveis de energia e competitividade industrial — pilares cada vez mais relevantes para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.