C&A integra sustentabilidade à gestão financeira; ganho é de R$ 45 milhões
Publicado em 01/09/2026 às 07:34 edição Lenilde Pacheco
Fundada em 1841, na Holanda, pelos irmãos Clemens e August, a C&A chegou ao Brasil em 1976 - Foto: Divulgação
A C&A publicou seu primeiro Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade (IFRS S1 e S2), referente ao exercício de 2025. Elaborado voluntariamente de acordo com as normas do International Sustainability Standards Board (ISSB), aprovadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o documento marca um novo estágio na incorporação dos temas climáticos à gestão do negócio, com premissas documentadas, mensuração de impactos e auditoria.
O relatório identifica oportunidades relacionadas ao clima em áreas como expansão de produtos mais sustentáveis, eficiência operacional e reformas e expansão de lojas com menor impacto ambiental. Duas dessas frentes já tiveram efeitos financeiros mensurados e contribuíram com R$ 45,7 milhões para o lucro líquido de 2025. Desse total, R$ 41,7 milhões vieram de projetos de reformas e expansão e R$ 4 milhões de iniciativas de otimização operacional, associadas à integração omnicanal (conexão total entre todos os canais de venda e atendimento) e ao redesenho da malha logística.
“A C&A constrói sua agenda ASG há mais de 20 anos, e este relatório é o retrato da maturidade que alcançamos nesse período. Ele mostra o quanto a sustentabilidade está conectada ao nosso negócio”, afirma Laurence Beltrão Gomes, vice-presidente de Administração, Finanças e Relações com Investidores da C&A.
Eficiência passa a orientar expansão
A principal oportunidade financeira identificada pela companhia está nos projetos de reformas e expansão de menor impacto. A cada ciclo de obras, decisões relacionadas a layout, sistemas prediais, climatização, matriz energética e destinação de ativos passaram a incorporar critérios de eficiência e uso racional de recursos.
Na prática, a estratégia inclui ampliar o acesso a fontes renováveis de energia, adotar sistemas de climatização mais eficientes, reduzir o consumo de recursos nas lojas e reaproveitar ativos entre unidades. Além dos ganhos ambientais, essas medidas contribuem para reduzir despesas com energia, evitar perdas decorrentes da baixa de ativos e aumentar a previsibilidade dos custos ao longo do tempo.
A otimização operacional, por sua vez, está associada à integração dos canais físicos e digitais e à revisão da estrutura logística. A combinação dessas iniciativas busca aumentar a eficiência da operação e reduzir impactos decorrentes da movimentação e distribuição de produtos.
Riscos climáticos na gestão do negócio
O relatório também amplia o mapeamento dos riscos climáticos capazes de afetar o desempenho da companhia. Entre eles estão a dificuldade de prever a demanda por coleções diante de temperaturas atípicas, eventuais impactos de eventos extremos sobre os canais de venda, restrições à distribuição logística e a dependência de fornecedores e outros parceiros da cadeia de valor.
Para reduzir esses riscos, a C&A adota uma estratégia baseada em monitoramento climático, testes em menor escala e ajustes contínuos da operação. A metodologia de Test & Learn, por exemplo, permite validar produtos, volumes e materiais antes da produção em larga escala, reduzindo o risco de excesso de estoque e perdas.
As condições climáticas também passaram a ser consideradas no planejamento do sortimento. O Visual Merchandising pode adaptar a exposição dos produtos nas lojas conforme mudanças de temperatura, enquanto a gestão de estoques prevê a transferência de peças entre regiões com diferentes padrões climáticos e a reoferta de itens de coleções sazonais.
Metas de emissões avançam
Os compromissos públicos assumidos pela C&A em 2022, com horizonte até 2030, passam a ser acompanhados dentro da mesma estrutura de reporte. Em maio de 2025, a companhia teve aprovada pela Science Based Targets initiative (SBTi) a meta de reduzir em 42% as emissões absolutas dos escopos 1, 2 e 3 até 2030.
Na frente de matérias-primas, 72,2% dos principais insumos utilizados pela empresa já são classificados como de origem mais sustentável. A meta para 2030 é chegar a 80%.
A matriz energética também apresenta avanço. Atualmente, 95% da energia consumida pela companhia é proveniente de fontes renováveis. Do total de lojas, 66% estão inseridas no Mercado Livre de Energia, enquanto sistemas de monitoramento centralizado da climatização já alcançam 100% das unidades.
No campo social, as metas previstas para 2030 também foram superadas antecipadamente. As mulheres representam 64% dos cargos de liderança a partir do nível de gerência, acima da meta de 60%. Pessoas negras e indígenas ocupam 31% dessas posições, superando o objetivo de 30%.
Indicadores ASG chegam à remuneração
A agenda de sustentabilidade também foi incorporada à política de remuneração da alta liderança. Desde 2024, indicadores ambientais, sociais e de governança (ASG) fazem parte da remuneração variável da Diretoria Executiva e das principais lideranças da companhia.
A supervisão da estratégia cabe ao Conselho de Administração, com apoio do Comitê de Auditoria, Riscos e Finanças e do Comitê de Gente e ASG.
Ao vincular indicadores climáticos e socioambientais à alocação de capital, à eficiência operacional, à gestão de riscos e à remuneração executiva, a C&A busca consolidar a sustentabilidade como parte da gestão financeira e da estratégia de crescimento — e não apenas como uma agenda paralela de responsabilidade corporativa.
O relatório referente a 2025 está disponível na área de Relações com Investidores da companhia.
Sobre a C&A Brasil
Fundada em 1841, na Holanda, pelos irmãos Clemens e August, a C&A chegou ao Brasil em 1976, com a inauguração de sua primeira loja no Shopping Ibirapuera, em São Paulo. Atualmente, a companhia opera 341 lojas em todo o país, além de seu aplicativo, e mantém uma estratégia voltada à integração entre moda, experiência do consumidor e sustentabilidade.