Super El Niño redesenha o mapa climático e eleva os riscos para 2026-27
Publicado em 18/08/2026 às 14:56 edição Lenilde Pacheco
El Niño: expectativa de seca mais longa nos estados do Norte e Nordeste - Foto: César Diseno/Pixabay
As chuvas na última semana de julho no Rio Grande do Sul afetaram mais de 84 mil pessoas em 171 municípios, um padrão compatível com os efeitos historicamente associados ao El Niño: o Sul costuma ser a primeira região do país a sentir os efeitos do fenômeno, ainda na primavera. O El Niño redesenha o mapa de chuvas do país: mais chuva no Sul, seca mais longa no Norte e no Nordeste, mais risco de incêndios florestais na Amazônia e no Cerrado.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Em 2026, a anomalia de temperatura já atingiu 1,8°C, um ritmo de aquecimento acima da média histórica para esta época do ano. Cientistas já preveem que o fenômeno pode superar o histórico El Niño de 2015-16. O modelo europeu ECMWF projeta pico acima de 3°C entre setembro e dezembro, com metade das simulações apontando para algo perto de 3,3°C. O pico ainda não chegou, só é esperado para o fim do ano, e os impactos totais seguem incertos, mas a magnitude já preocupa setores como agricultura, energia e transporte fluvial.
Em junho, as queimadas ficaram 27% abaixo da média histórica e 14% abaixo de 2025, resultado que o governo atribui a mais brigadistas e à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. O cenário, porém, pode mudar: o El Niño tende a intensificar a seca na Amazônia e no Cerrado, aumentando o risco de incêndio pelo menos até o final de setembro.
Este El Niño chega em ano de eleições gerais no Brasil, quando o país escolhe presidente, governadores e o Congresso, e em meio à politização da agenda climática no país e no mundo. Meteorologistas indicam que os efeitos do fenômeno podem persistir até o primeiro semestre de 2027, o que aumenta a responsabilidade dos gestores públicos que começam seus mandatos no próximo ano.
Fonte: ClimaInfo