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BNDES vai destinar R$ 87,2 mi para restauração da Mata Atlântica na Bahia

Publicado em 03/07/2026 às 15:47 edição Lenilde Pacheco


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Contrato assinado prevê destinação de R$ 87,2 milhões do Fundo Clima ao Projeto Muçununga - Foto: Biomas/Divulgação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou nesta quinta-feira (dia 2), contrato de financiamento de R$ 87,2 milhões para o Projeto Muçununga. A iniciativa prevê, na sua primeira etapa, a restauração florestal de 1,3 mil hectares de Mata Atlântica. A área corresponde a 1,8 mil campos de futebol e está distribuída por oitos municípios do sul da Bahia: Belmonte, Eunápolis, Guaratinga, Itagimirim, Itapebi, Mascote, Potiraguá e Santa Luzia.

É prevista a plantação de 2 milhões de mudas de árvores nativas do bioma. A operação integra a estratégia BNDES Florestas, que reúne um conjunto de iniciativas para ampliar investimentos em conservação, restauração ecológica, manejo sustentável, bioeconomia e estruturação de uma economia florestal de base sustentável no país.

A assinatura do contrato ocorreu durante o Fórum Brasil Mais Verde realizado na sede do BNDES. “O Brasil tem uma gigantesca oportunidade. Temos uma demanda mundial crescente, não só da agenda de carbono, mas para produtos madeireiros, para produtos da floresta de bioeconomia. Temos área disponível, conhecimento, um setor empresarial disposto a investir e um setor público comprometido”, avaliou a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

Os recursos que serão destinados ao Projeto Muçununga são provenientes do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e operado pelo BNDES. O fundo apoia projetos voltados à mitigação e adaptação climática, à conservação e recuperação de florestas, à proteção da biodiversidade e à segurança hídrica, promovendo o desenvolvimento sustentável e a transição para uma economia de baixo carbono.

O projeto será implementado pela Biomas e pela Carbon2Nature Brasil – joint venture da Neoenergia com a Carbon2Nature, do grupo espanhol Iberdrola – em áreas da Veracel Celulose. Ele foi batizado de Muçununga em homenagem a um ecossistema que só ocorre nessa região da Mata Atlântica.

O Projeto Muçununga também tem como propósito gerar valor compartilhado para as comunidades do entorno, que participaram ativamente da construção coletiva das iniciativas por meio de oficinas colaborativas. Ao todo, 14 comunidades locais serão beneficiadas com ações voltadas ao bem-estar, à geração de renda, à melhoria da infraestrutura e ao fortalecimento comunitário, entre outras frentes. Esse compromisso com as pessoas reforça o papel da restauração ecológica como uma solução capaz de combinar, de forma integrada, benefícios climáticos, ambientais e sociais.

O Projeto Muçununga evidencia a restauração ecológica como uma estratégia capaz de unir ganhos climáticos, ambientais e sociais de maneira integrada. A iniciativa busca também promover benefícios concretos para as comunidades do entorno, que contribuíram ativamente para a elaboração das ações por meio de oficinas. No total, 14 comunidades locais serão beneficiadas com medidas voltadas para a qualidade de vida, a geração de renda, a melhoria de infraestrutura e outras frentes.

Espécies Nativas – Um dos diferenciais do Projeto Muçununga é a alta diversidade de espécies nativas empregadas na restauração da área. São mais de 100 espécies, contribuindo para o fortalecimento e a resiliência dos ecossistemas. O patamar está muito acima da média global. Segundo levantamento da MSCI Carbon Markets, apenas 1% dos projetos de restauração de nativas voltados à geração de créditos de carbono utilizam mais de 10 espécies.

O projeto adota o conceito de stepping stones, em que os diversos polígonos de vegetação nativa recriados pela restauração florestal funcionam como pontos de conexão em uma paisagem bastante fragmentada. Esta metodologia facilita conexões para espécies ameaçadas de extinção, como o crejuá (Cotinga maculata), o macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), o mico-leão-de-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas), o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), o mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii), a preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) e o pau-brasil (Paubrasilia echinata).

Mudanças Climáticas – O Fundo Clima é um dos instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima e viabiliza operações para apoiar projetos ou estudos e garantir financiamento de empreendimentos que tenham como objetivo a mitigação das mudanças climáticas. Além das iniciativas de restauração florestal, o fundo está voltado para a promoção de desenvolvimento urbano resiliente e sustentável, para a transição energética, para serviços e soluções verdes e para fomentar a descarbonização por meio de projetos ligados à indústria, à produção de máquinas e à mobilidade.

O BNDES Florestas funciona como uma plataforma integrada de instrumentos financeiros, parcerias e soluções de mercado para transformar a restauração florestal em vetor de desenvolvimento. O objetivo é fortalecer a posição do Brasil como potência global em soluções baseadas na natureza, combinando recuperação de biomas, geração de renda, inovação, captura de carbono e proteção da biodiversidade.

Nos últimos anos, o BNDES mobilizou R$ 14,1 bilhões para manter e reconstruir florestas brasileiras, combinando crédito, recursos não reembolsáveis, garantias, concessões e apoio produtivo. A estratégia reúne projetos em implementação em todo o país, que ajudam a dar escala à restauração florestal e ampliam a capacidade de atrair capital privado.

Sobre as empresas – Com atuação focada no plantio e na manutenção de espécies nativas em áreas degradadas ou não produtivas, a Biomas é uma empresa voltada à regeneração de ecossistemas em larga escala. Criada no final de 2022 em conjunto pelos grupos Itaú, Marfrig, Rabobank, Santander, Suzano e Vale, a companhia é uma iniciativa inédita no Brasil dedicada à restauração ecológica com impacto ambiental e social.

Já a Carbon2Nature Brasil (C2N) atua no desenvolvimento de parcerias e projetos que capturam carbono por meio de soluções baseadas na natureza (SBN), gerando um impacto positivo na biodiversidade, no clima e nas comunidades locais, bem como promovendo uma economia sustentável. É uma empresa pertencente ao grupo Iberdrola, através de joint venture entre a Neoenergia S.A. (49%) e a Carbon2nature SAU (51%), estruturada com o propósito de liderar iniciativas de descarbonização e regeneração ambiental.

Agência BNDES de Notícias