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Plano de desenvolvimento rural sustentável da Bahia chega a Angola

Publicado em 03/06/2026 às 13:27 edição Lenilde Pacheco


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Programa foi implantado em 16 municípios do Baixo Sul da Bahia e áreas próximas - Foto: Divulgação

Lenilde Pacheco*

A experiência brasileira que há mais de duas décadas promove transformação social e econômica em comunidades rurais do Baixo Sul da Bahia ultrapassa fronteiras e chega ao continente africano. Acaba de ser oficializada em Angola a primeira reaplicação internacional do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS), coordenado pela Fundação Norberto Odebrecht (FNO) e responsável por impactar mais de 700 mil pessoas no Brasil.

Batizada de “Produzir para Transformar Vidas”, a iniciativa será conduzida pela Odebrecht Engenharia Angola, em parceria com o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (Fada) e a Embrapa Mandioca e Fruticultura, responsável pela transferência de tecnologia e conhecimento técnico. O objetivo é fortalecer a agricultura familiar, ampliar oportunidades de geração de renda e contribuir para a segurança alimentar das comunidades rurais angolanas.

O lançamento do projeto é resultado de mais de um ano de intercâmbio entre Brasil e Angola, com missões técnicas e visitas institucionais que reuniram autoridades, representantes de organizações parceiras, agricultores e lideranças comunitárias dos dois países.

Segundo o superintendente da Fundação Norberto Odebrecht, Norberto Odebrecht Neto, a internacionalização do PDCIS representa um marco na trajetória da instituição e confirma a relevância do modelo desenvolvido no Brasil.

“A reaplicação de soluções capazes de gerar desenvolvimento de longo prazo reforça nossa missão e está alinhada aos esforços do governo angolano para erradicar a pobreza e fortalecer a segurança alimentar da população”, argumenta.

A primeira comunidade beneficiada será a de Malembo, onde o trabalho será desenvolvido junto à Cooperativa Homem Sofre, formada exclusivamente por mulheres agricultoras. Em uma região onde a agricultura familiar é a principal fonte de subsistência, o projeto pretende fortalecer a cadeia produtiva da mandioca e ampliar o protagonismo feminino no desenvolvimento local.

As ações previstas incluem assistência técnica continuada, capacitação das cooperadas, melhoria dos sistemas produtivos familiares, apoio à diversificação agrícola, fortalecimento institucional da cooperativa e doação de insumos para corrigir deficiências identificadas em análises de solo.

A representante da Cooperativa Homem Sofre, Margarida Chilongo Carneiro, destaca que a parceria poderá impulsionar o crescimento sustentável da organização e da comunidade de Malembo.

“A iniciativa contribuirá para a valorização da agricultura local, a transformação dos produtos, a geração de renda, o empoderamento feminino e a ampliação da presença de nossos produtos nos mercados local e nacional”, assinala.

Além da qualificação produtiva, o projeto prevê ações voltadas à organização comercial da cooperativa e à ampliação do acesso a mercados, criando condições para expandir a carteira de clientes e melhorar o escoamento da produção agrícola.

Para Felisbela Francisco, presidente do Conselho de Administração do FADA, o fortalecimento da agricultura familiar depende não apenas da capacitação técnica, mas também da ampliação do acesso a crédito e instrumentos de financiamento capazes de acelerar o desenvolvimento econômico das comunidades rurais.

A iniciativa está associada ao Novo Aeroporto Internacional de Cabinda (NAIC), empreendimento executado pela Odebrecht Engenharia Angola. Para Gustavo Lima, diretor de contrato da obra, o projeto reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento dos territórios onde atua há mais de quatro décadas.

Referência construída no Baixo Sul da Bahia

Criado em 2003, o PDCIS tornou-se uma das principais experiências brasileiras de desenvolvimento territorial sustentável. Implantado em 16 municípios do Baixo Sul da Bahia e áreas adjacentes, o programa atua na promoção da agricultura familiar em harmonia com a conservação ambiental, tendo os jovens como protagonistas da transformação social no campo.

A metodologia está estruturada em seis eixos: educação para o desenvolvimento sustentável, conservação ambiental, desenvolvimento econômico, inovação e tecnologia, cidadania e governança, além de coesão e mobilização social.

Ao longo de 23 anos, o programa beneficiou diretamente mais de 700 mil pessoas, formou mais de 2 mil estudantes em Casas Familiares Rurais, apoiou a recuperação de 474 nascentes e contribuiu para o plantio de mais de 700 mil árvores nativas da Mata Atlântica.

A expansão para Angola marca uma nova etapa dessa trajetória, levando ao cenário internacional um modelo que alia inclusão produtiva, preservação ambiental e fortalecimento das comunidades rurais.

O principal significado dessa iniciativa é demonstrar que soluções desenvolvidas localmente podem gerar impacto global. Ao levar a experiência da Bahia para Angola, a Fundação Norberto Odebrecht amplia o alcance de um modelo que busca transformar comunidades rurais por meio da educação, do trabalho produtivo e da sustentabilidade.

*   Lenilde Pacheco é jornalista especializada em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.