Projeto de proteção de manguezais fortalece educação ambiental na Ilha de Itaparica
Publicado em 22/07/2025 às 08:37 edição Lenilde Pacheco
Com apoio do Village Itaparica, iniciativa mobiliza escolas públicas e a comunidade - Foto: Afonso Santana/Divulgação
A proteção do mangue presente nas proximidades da Praia de Conceição e Barra Grande, em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica (BA), faz parte do plano de ação contínua de educação ambiental que ganha novo impulso em celebração ao Dia Mundial de Proteção aos Manguezais, 26 de julho. Conduzido por técnicos do Projeto Recife das Pinaúnas, com apoio do Village Itaparica, o trabalho reúne estudantes e a comunidade em aulas práticas preparadas para demonstrar a importância de conservação deste ecossistema vital e ameaçado.
A primeira etapa do projeto relativa a 2025 foi encerrada com o anúncio de nova fase para o segundo semestre com o propósito de fortalecer vínculos entre escola, comunidade e meio ambiente, despertando nas crianças a consciência e o compromisso com a preservação dos manguezais.
Desde o início dos trabalhos, em 2023, mais de 100 estudantes da rede pública municipal participaram das ações. No semestre passado, 25 crianças do 5º ano estiveram presentes. Na nova etapa, outros 37 estudantes vão integrar as atividades. Neste ano, as escolas contempladas são a Padre Ignácio, na comunidade da Praia de Conceição, e a Guilherme Franco Guimarães, na comunidade de Barra Grande, ambas em Vera Cruz.
As crianças participam de oficinas lúdicas, trilhas ecológicas, plantio de mudas nativas e limpeza de áreas degradadas do manguezal. Adriana Muniz, gerente de ASG (Ambiental, Social e Governança) do Village Itaparica, considera que envolver a comunidade escolar em atividades de educação ambiental é fundamental para formar crianças conscientes, críticas e comprometidas com o cuidado ambiental.
“Essa aproximação fortalece o vínculo entre escola, território e natureza, promovendo a responsabilidade desde cedo. O contato direto com o mangue transforma a relação das crianças com o lugar onde vivem. Elas passam a enxergar o ecossistema como parte de sua identidade, e não apenas como cenário. Isso fortalece o compromisso com a preservação”, afirma Adriana Muniz.
Além de ser berçário natural para inúmeras espécies, os manguezais desempenham papel fundamental no combate à crise climática, pela alta capacidade de sequestro de carbono, e atuam como barreiras naturais contra a erosão e tempestades costeiras. Também são cruciais para a saúde dos oceanos, filtrando poluentes, sustentando cadeias alimentares marinhas e protegendo recifes de corais. Por isso, sua conservação está diretamente ligada ao ODS 14 (Vida na Água) da Agenda 2030 da ONU, que trata da proteção dos oceanos e zonas costeiras.
Para a coordenadora pedagógica Marisangela Silva Bitencourt Castro, da Escola Padre Ignácio, os impactos do projeto são perceptíveis no dia a dia escolar: “Os alunos vivenciaram um aprendizado sensível e transformador. Desenvolveram valores socioambientais, atuaram de forma coletiva e passaram a se reconhecer como parte da comunidade que cuida do manguezal.”
O trabalho realizado também contribui com os ODS 13 (Ação Climática) e ODS 15 (Vida Terrestre), reforçando que a proteção ambiental deve estar integrada à educação e ao desenvolvimento territorial. Neste 26 de julho, Dia Mundial de Proteção aos Manguezais, a iniciativa ganha ainda mais relevância: é um lembrete de que a conservação desses ecossistemas precisa envolver quem vive próximo a eles — especialmente as crianças, que serão as futuras defensoras do planeta.