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Programa ITA Brasil seleciona novos projetos industriais de descarbonização

Publicado em 14/05/2025 às 13:27 edição Lenilde Pacheco


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Com seu projeto de combustível produzido a partir do óleo de macaúba, Acelen é uma das empresas selecionadas - Foto: Divulgação

Salvador, 14 de Maio de 2025 – O Programa ITA Brasil – Acelerador de Transição Industrial – conduzido em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), acaba de anunciar a seleção de sete novos projetos destinados a fomentar a indústria limpa. Esta rodada ganha destaque pela ambição de descarbonizar e oferecer soluções inovadoras no combate às emissões nos setores de produtos químicos, aviação, alumínio e cimento. Com o seu combustível renovável, produzido a partir do óleo de macaúba, a Acelen é uma das empresas selecionadas.

Coletivamente representando um investimento superior a 7,5 bilhões de dólares, esta rodada de projetos selecionados tem alto potencial para acelerar soluções em indústria limpa em várias partes do Brasil, fortalecendo a posição do país como líder na transição energética na América Latina e globalmente.

Foram escolhidos os novos projetos em desenvolvimento pelas seguintes empresas e consórcios: Solatio; Acelen, Votorantim Cimentos, Mizu Cimentos, Consórcio Eco Fusion, Alcoa e Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

“Esses projetos brasileiros de indústria limpa representam esforços emblemáticos dentro de seus respectivos setores e têm potencial para mostrar o caminho a uma indústria econômica e mais ambientalmente sustentável em todo o Brasil e além,” diz Faustine Delasalle, Diretora Executiva do ITA. “Estamos comprometidos em apoiá-los, mobilizando a cadeia de valor brasileira doméstica e internacionalmente, bem como órgãos governamentais, e instituições financeiras para torná-los financiáveis e acelerar as decisões de investimento.”

“Os projetos selecionados pelo ITA demonstram a ambição e o progresso da neoindustrialização verde em curso no Brasil”, diz Rodrigo Rollemberg, Secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC. “Aguardamos com expectativa o aprofundamento ainda maior de nossa valiosa parceria com a ITA para promover e apoiar esses projetos para que se tornem realidade.”

Os sete projetos recém-selecionados abrangem uma diversidade de setores, localidades, tecnologias, tipos de projetos e maturidades, permitindo uma compreensão ampla e profunda dos desafios enfrentados por projetos no Brasil, o que permitirá ao ITA oferecer soluções inovadoras e personalizadas. Dos setores de produtos químicos e de aviação, os projetos representam grandes novas instalações que poderão produzir produtos com emissões significativamente menores em comparação com os equivalentes convencionais.

  • O projeto Solatio H2 Piauí desenvolveu 14 GW de energias renováveis em uma estrutura verticalizada para abastecer uma planta industrial de hidrogênio e amônia verde em desenvolvimento com capacidade total de 3 GW. A capacidade de produção atingirá 2,2 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de amônia verde até 2030.
  • A Acelen Renováveis está desenvolvendo um projeto inovador para produzir combustíveis renováveis avançados a partir do óleo de macaúba – uma planta nativa do Brasil. A empresa desenvolverá um negócio integrado, da semente ao combustível, compreendendo um Centro de P&D e Germinação – Agripark com capacidade para produzir 10,5 milhões de mudas por ano, uma plantação de macaúba de 180 mil hectares, 5 usinas de moagem para extrair o óleo e coprodutos da macaúba, e 1 biorrefinaria para processar o óleo de macaúba em combustível. O projeto visa produzir 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis por ano, incluindo combustível de aviação sustentável (SAF) e diesel renovável (HVO).
    No setor de cimento, os três projetos selecionados estão implementando medidas consideradas cruciais para levar as instalações existentes a neutralidade climática. A descarbonização do cimento só pode ser alcançada através de uma combinação de medidas, incluindo substituição de clínquer, troca de combustível e captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS). Estes projetos visam aplicar pelo menos uma dessas medidas em escala em instalações existentes.
  • A Votorantim Cimentos planeja reativar uma linha de argila calcinada de 0,32 Mtpa em sua fábrica de cimento em Nobres, localizada no estado de Mato Grosso, o que permitiria ao local aumentar o uso de argila calcinada como substituto do clínquer de alta intensidade de emissões e reduzir as emissões do cimento final produzido em até 16%.
  • A Mizu Cimentos busca instalar unidades de pirólise em sua unidade de 1 Mtpa em Aracajú para produzir energia a partir de biomassa residual para substituir o uso de combustíveis fósseis no local. Quando totalmente implementado, o projeto poderá reduzir as emissões da produção de cimento em até 32%.
  • O Consórcio Eco Fusion reúne as empresas Argo Tech, Apodi Cimentos, CTEC e Self Energy para instalar gaseificadores na fábrica de cimento da Apodi em Quixeré, produzindo energia a partir de resíduos como substituto do uso de combustíveis fósseis. A primeira fase do projeto visa instalar um gaseificador inicial; as fases subsequentes envolverão a instalação de unidades adicionais, permitindo uma redução de emissões de até 10% por tonelada de cimento.

Do setor de alumínio, os projetos selecionados representam esforços ousados para alcançar uma produção com emissões próximas de zero. Enquanto a intensidade média de emissões do alumínio brasileiro se situa em 4,2 toneladas de CO2 por tonelada, muito inferior à média global de 14,8 toneladas de CO2 por tonelada, devido ao uso generalizado de hidroeletricidade renovável para a fundição de alumínio, os projetos selecionados estão indo além para reduzir ainda mais as emissões.

  • A Alcoa pretende enfrentar uma das principais fontes remanescentes de emissões na cadeia de valor do alumínio brasileiro atualmente – a geração de calor para o refino de alumina. Seu projeto visa eletrificar as caldeiras da Alumar, em São Luís, o que pode reduzir as emissões da refinaria para tão pouco quanto 0,6 toneladas de CO2 por tonelada de alumínio.
  • A CBA está trabalhando para enfrentar a outra principal fonte remanescente de emissões na cadeia de valor do alumínio brasileiro – emissões de processo da fundição de alumínio – através de uma tecnologia pioneira de CCUS. Sua tecnologia está em fase de pesquisa e desenvolvimento e a CBA finalmente visa aplicá-la em escala em sua fundição de 0,43 Mtpa em Alumínio para reduzir as emissões de seu alumínio para menos de 2 toneladas de CO2 por tonelada.

Esses projetos se beneficiarão do Programa ITA no Brasil, seguindo um acordo de parceria anunciado em julho de 2024 entre o ITA e o MDIC, que posicionou o Brasil como o primeiro país parceiro. A segunda parceria do ITA, na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA), foi anunciada em novembro de 2024 e atualmente está sendo desenvolvida nos Emirados Árabes Unidos, no Bahrein, e no Egito.

 

Atualizada: 16/05/2025