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Produtores de algodão e Universidade de Nebraska têm intercâmbio para agro sustentável

Publicado em 05/05/2025 às 00:29 edição Lenilde Pacheco


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Estudo demonstra que o aquífero existente no Oeste da Bahhia possui características semelhantes ao de Nebraska - Foto: Divulgação

Lideranças da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a convite da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), juntamente com representantes dos governos federal e estadual, integraram missão técnica presente à Water for Food Global Conference, na Universidade de Nebraska (EUA), entre 28 de abril e 1º de maio. A colaboração bilateral entre Brasil e Estados Unidos visa a troca de experiências para o fortalecimento da produção agrícola, de forma sustentável, para conservação dos recursos hídricos.

De acordo com o vice-presidente da Abapa, Douglas Orth, mostrar o caso de sucesso em gestão de recursos hídricos no Oeste da Bahia e trocar de experiências com pesquisadores norte-americanos foi importante para a abertura de novas perspectivas para assegurar o uso sustentável da água e a consequente viabilidade da atividade agrícola ao longo do tempo. “Apresentamos um estudo que mostra que o nosso aquífero possui características semelhantes ao de Nebraska. Isso permite que ferramentas aplicadas lá possam ser adaptadas à realidade baiana”, explicou.

A Universidade de Nebraska é considerada uma referência global na gestão integrada de recursos hídricos, especialmente por meio do Daugherty Water for Food Institute (DWFI), voltado à segurança hídrica e alimentar. “É uma região considerada o berço da irrigação, com dados históricos de mais de 130 anos e monitoramento sistemático da água, iniciado em 1972. O uso é controlado coletivamente, com divisão por regiões e sistemas próprios de controle. Participar do evento foi uma grande lição sobre o impacto do planejamento no aumento da produtividade”, pontuou Orth.

Além da Abapa e da Aiba, a missão técnica contou com a presença de representantes do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), da Secretaria de Meio Ambiente da Bahia, do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional e da Embrapa. A programação incluiu encontros com pesquisadores e produtores locais. “Aprender com quem já tem um modelo consolidado de gestão hídrica é essencial para continuarmos evoluindo de forma sustentável”, definiu.

Estudo Hídrico

A região Oeste da Bahia é uma das mais dinâmicas fronteiras agrícolas do mundo, com cerca de 2,3 milhões de hectares dedicados à agricultura, sendo mais de 300 mil hectares irrigados. Para sustentar esse crescimento, Aiba e Abapa solicitaram estudo sobre os recursos hídricos à Universidade Federal de Viçosa (UFV), a fim de atender à demanda dos produtores do cerrado baiano. O propósito é garantir a segurança hídrica e promover o desenvolvimento sustentável.

Desde 2017, os Estudos do Potencial Hídrico da Região Oeste da Bahia vêm sendo conduzidos com o apoio do Governo do Estado, por meio das secretarias estaduais de Meio Ambiente (Sema), Infraestrutura Hídrica (SIHS) e Agricultura (Seagri), além do Inema. A pesquisa envolve modelagem da disponibilidade hídrica superficial e subterrânea, análise do uso do solo e da irrigação nos últimos 30 anos, além da criação de sistemas online para visualização e análise de dados, que mapearam a disponibilidade dos recursos do Aquífero Urucuia e das águas superficiais das bacias dos rios Grande, Corrente e Carinhanha.

O estudo também se destaca pela construção de processos de governança hídrica, reunindo produtores, gestores públicos, comitês de bacias, associações e centros de pesquisa em uma abordagem integrada e participativa. “Precisamos valorizar mais o que fazemos. O setor agrícola brasileiro é referência mundial e temos que mostrar isso com orgulho”, concluiu Orth.