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Museu da Ecologia homenageia Frans Krajcberg em arquitetura da natureza

Publicado em 10/05/2022 às 17:35 edição Lenilde Pacheco


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Exposição apresenta potência e diversidade do trabalho de Krajcberg - Foto: MuBE

Com obras fornecidas pelo Sítio Natura, de Nova Viçosa (BA), onde o artista realizou grande parte de sua produção, além de coleções privadas, o Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia (MuBE-SP) abriu no final de semana exposição em homenagem ao centenário de Frans Krajcberg. Intitulada “Frans Krajcberg: por uma arquitetura da natureza”, a mostra prossegue até 31 de julho com cerca de 160 trabalhos entre esculturas, pinturas, desenhos, gravuras e objetos.

Em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural da Bahia (Ipac), a iniciativa do MuBE celebra o centenário do artista e ambientalista ocorrido em 2021. A exposição traz toda a sua potência e diversidade do trabalho de Krajcberg. Inclui sua produção artística conectada com a natureza e seu ativismo ecológico. Não perde de vista um olhar histórico que apresenta em totalidade seu apuro técnico, conceitual e ambiental.

A exposição marca também o início dos trabalhos de preservação, conservação e divulgação do acervo e do Sítio Natura, doados pelo artista ao Governo da Bahia, com os quais o MuBE está cooperando. “Foi a partir desta parceria com o IPAC e com a ajuda de todos os conselheiros do museu, mecenas e apoiadores que conseguimos organizar esta megaexposição, porque foi necessária uma conjunção de esforços e pessoas muito única”, comenta Flavia Velloso, presidente do MuBE.

Para João Carlos de Oliveira, diretor geral do IPAC, “deixamos, hoje, Krajcberg muito feliz com a dinamização do seu acervo. O projeto que a Bahia está pensando para o artista é muito grande; ainda temos companheiros e restauradores no sítio em Nova Viçosa”. Faz parte ainda do acordo entre o IPAC e o Museu a publicação de 4.500 exemplares de material educativo sobre a mostra, Frans Krajcberg e o Sítio Natura, que serão distribuídos para os estudantes da rede pública municipal e estadual de Nova Viçosa.

Diego Matos, curador da mostra, expressou o que há de melhor na exposição: “Dar oportunidade a um público mais amplo de acessar a obra de Frans Krajcberg sem os clichês que eram dados à produção dele e levando ao Brasil como um todo, possibilitando a leitura e a construção de perspectivas históricas sobre a obra do artista que ainda não tinham sido dadas”, afirma. “Além de ser um grande artista, Krajcberg é um precursor no Brasil da ideia do ambientalismo, do ativismo, ambiental e socioambiental. Outro aspecto interessante é a escolha, por um imigrante europeu vindo do pós-guerra, judeu, de viver no Brasil. Como estrangeiro, ele passa a olhar para espaços de invisibilidade no Brasil, lugares que nós não cuidamos. Ele, neste processo de ativismo, constrói um sítio importantíssimo, em Nova Viçosa, ativa uma comunidade, não só do trabalho artesanal, mas também pessoas com consciência ecológica, e desenvolve isso com repercussão internacional. Tudo isso ao mesmo tempo, pois trata-se de um artista longevo, como podemos ver na exposição, que traz obras datadas da chegada dele ao Brasil, ainda dos últimos anos dele na Europa e toda a produção escultórica dele que chamo de arquitetura da natureza. É uma explosão de escala hoje ocupando o Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, o MuBE”, prossegue.

Quem também esteve presente na abertura da exposição foi João Meirelles, escritor e ativista socioambiental que atualmente está em processo de finalizar uma biografia sobre Frans Krajcberg. “Acompanho o Frans há 36 anos e para mim é uma felicidade enorme ver este acervo exposto para que a sociedade possa conhecê-lo melhor, e mostrando suas diferentes fases. Às vezes as pessoas o reconhecem como o artista que fez trabalhos sobre as queimadas, como ele é mais conhecido, mas aqui está exibida a diversidade de materiais, de experimentos que ele fez, de caminhos que ele trilhou. Inclusive alguns críticos de arte acham que certas fases, como a do papel, são extremamente importantes para a arte mundial”, disse.

Sobre Frans Krajcberg

Frans Krajcberg (1921-2017) foi um escultor, pintor, gravador e fotógrafo polonês, naturalizado brasileiro. Em sua grande maioria, suas esculturas se caracterizam pelo uso de troncos e raízes carbonizadas recolhidas em desmatamentos e queimadas, denunciando a devastação do meio ambiente.

Frans Krajcberg nasceu em Kozienice, lugarejo no interior da Polônia, em 12 de abril de 1921. Estudou Engenharia e Artes na Universidade de Leningrado. Após uma vida permeada pela produção e participação da cena artística em diversas localidades, incluindo Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, em 1972 mudou-se para Nova Viçosa, no extremo sul da Bahia. Passa a buscar, então as árvores, como companhia e como matéria prima para seu trabalho. Em suas obras, utiliza restos de troncos e raízes carbonizados por queimadas ou resíduos de desmatamentos, vindos da Amazônia, de Mato Grosso ou da Mata Atlântica baiana. O artista faleceu no Rio de Janeiro, no dia 15 de novembro de 2017.

SERVIÇO

Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia – Instituição cultural privada

Rua Alemanha, 221 – Jardim Europa, São Paulo

Visitação de terça a domingo, das 11h às 17h