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Indústria cerâmica tem impacto 69% menor na emissão de gases de efeito estufa

Publicado em 18/09/2023 às 11:04 edição Lenilde Pacheco


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Sustentabilidade: Kitambar é uma das referências da indústria cerâmica nacional - Foto: Divulgação

O Dia Internacional de Preservação da Camada de Ozônio, comemorado em 16 de setembro, representa um alerta sobre a importância de proteger um dos elementos cruciais para a existência de vida na Terra: a camada de ozônio. Como forma de combater a emissão de gases de efeito estufa (GEE), que causam danos a essa camada protetora dos raios ultravioletas, a indústria cerâmica brasileira aposta em iniciativas sustentáveis e vem contribuindo com processos industriais mais eficientes e ambientalmente apropriados.

De acordo com o estudo de Avaliação do Ciclo de Vida de materiais cerâmicos, comparando-os com materiais de concreto, realizado pela Associação Nacional da Indústria Cerâmica (Anicer) e a empresa canadense Quantis, em 2012, um metro quadrado de telha cerâmica tem um impacto 69% menor nas mudanças climáticas em comparação com seus equivalentes em telhas de concreto. Mesmo que a produção de telhas cerâmicas demande três vezes mais energia, o uso de fontes renováveis reduz em 57% o esgotamento de recursos não renováveis.

Os resultados desta análise destacaram o desempenho ambiental superior dos produtos feitos de argila, especialmente quando se trata da emissão de gases de efeito estufa. Ainda segundo a pesquisa, para cada metro quadrado de parede construída com blocos cerâmicos, as emissões são aproximadamente 50% menores em comparação com um metro quadrado de parede feita de blocos de concreto, e cerca de 34% inferiores em comparação com um metro quadrado de parede de concreto moldado in loco. “Um dos principais fatores que contribuem para esses resultados positivos é o fato de que os blocos cerâmicos são produzidos utilizando fontes de energia renovável”, afirma o diretor da Anicer, Luís Lima.

De acordo com ele, não é apenas no caso dos blocos cerâmicos que encontramos números favoráveis. “A utilização de energia limpa também desempenha um papel fundamental na eficiência das telhas de cerâmica”, diz.

Eficiência energética

Na busca por eficiência energética, um dos principais pilares do Plano de Retomada da Indústria, elaborado pela CNI, a indústria de cerâmica vermelha multiplica seus impactos na cadeia da construção civil desde a fase de fabricação até o transporte e manuseio no canteiro de obras, os produtos cerâmicos demonstram um desempenho superior. Com metade do peso dos equivalentes de concreto e a mesma resistência mecânica, eles possibilitam uma redução significativa no consumo de combustível para o transporte e demandam menos energia durante as operações verticais.

Outro fator que contribui para a eficiência energética no setor é a distribuição geográfica estratégica, com depósitos de matéria-prima localizados nas proximidades das fábricas e uma rede de distribuição que abastece de forma eficaz os principais centros consumidores, com distâncias máximas de até 250 km, inclusive na região Norte.

Esses elementos combinados resultam em uma significativa redução das emissões de gás carbônico devido à otimização da logística. Além disso, os blocos cerâmicos oferecem propriedades de isolamento térmico, o que resulta em economias substanciais de energia elétrica para a refrigeração ao longo da vida útil de uma construção.

Fontes alternativas

Nos últimos anos, um crescente número de indústrias cerâmicas adotou uma abordagem mais sustentável ao escolher combustíveis para seus fornos. As empresas passaram a utilizar as biomassas, muitas das quais eram consideradas resíduos da agroindústria. Entre elas estão o bagaço de cana-de-açúcar, as cascas de coco e de castanha, as sementes de açaí, as palhas de café, milho e arroz, além do pó de serragem proveniente da indústria moveleira e grandes volumes de material resultante de podas de árvores em parques e jardins, entre outros.

A adoção das biomassas resultou em redução nas emissões de gases de efeito estufa, permitindo que as empresas gerem e negociem créditos de carbono no mercado internacional por meio de várias iniciativas, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Os recursos obtidos por meio dessas transações estão sendo reinvestidos pelas empresas na melhoria e sustentabilidade de seus equipamentos. “Esse ciclo virtuoso, que está se tornando cada vez mais comum em várias indústrias, está ganhando força no setor cerâmico, transformando-o em um importante aliado na luta contra o aquecimento global”, destaca Lima.

Kitambar

Uma das referências na indústria cerâmica é a Kitambar Artefatos e Cerâmicas, localizada em Caruaru, Pernambuco. A empresa gera, anualmente, cerca de 41 mil toneladas de créditos de carbono, que são comercializados para oito empresas, inclusive internacionais, como parte de seu compromisso com a sustentabilidade ambiental.

A trajetória da Kitambar começou em 1976 como uma produtora de telhas e tijolos que utilizava lenha nativa da Caatinga para seus processos de produção. No entanto, em 2007, a empresa tomou um rumo sustentável quando o sócio e filho do fundador, Antonio Marcos Barbosa, teve contato com a Sustainable Carbon, especializada em projetos de redução de emissões e gestão de GEEs. Esse encontro levou a Kitambar a investir em equipamentos que permitem que seus fornos funcionem com biomassa, incluindo resíduos de poda de caju e casca de coco.

“Com a redução nas emissões de gases de efeito estufa, a empresa consegue gerar créditos de carbono – ou seja, a cada tonelada de carbono que deixo de emitir na minha indústria, gero um crédito que pode ser comercializado no mercado voluntário”, explica Antonio.

Além das preocupações com a sustentabilidade, a Sustainable Carbon incentivou a Kitambar a realizar ações sociais e ambientais. A empresa adotou novas matérias-primas, como argilas, e implementou um sistema de captação de água de chuva. Além disso, substituiu a lenha da Caatinga por lenha proveniente de reflorestamento, contribuindo para a preservação da Caatinga e a compensação do gás carbônico emitido.

A empresa também está envolvida em ações sociais, como apoio a instituições que tratam crianças com câncer, doações para moradores de rua e comunidades carentes, e contribuições para abrigos de idosos e grupos que fornecem alimentação para moradores de rua. Esses esforços resultaram na conquista do Prêmio Sistema FIEPE de Sustentabilidade Ambiental, na categoria Emissões Atmosféricas, reconhecendo o compromisso da Kitambar com práticas sustentáveis e sociais exemplares.