Arquitetura sustentável é urgente diante da mudança climática, diz especialista
Publicado em 29/11/2021 às 08:04 edição Lenilde Pacheco
Casa sustentável projetada na USP: parâmetros econômicos
Diante de dados científicos que mostram o quanto as cidades e o estilo de vida dos seres humanos influenciam as mudanças climáticas, o professor Vladimir Sobral de Souza, do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê) afirma que o Brasil precisa ampliar a oferta de construções sustentáveis.
Segundo ele, o conceito de sustentabilidade na arquitetura deve estar presente desde antes do projeto, quando acontece a escolha de terreno, materiais, técnicas construtivas, entre outros. Assim também durante a execução e no pós-projeto, visando a mais econômica manutenção do edifício, o descarte de resíduos e o modelo de consumo de energia.
“A sustentabilidade assegura as necessidades da geração presente sem comprometer os recursos que garantirão as necessidades das gerações futuras. Assim, a forma como se consegue os recursos naturais e o quanto se consome terá impacto direto nas gerações do futuro”, argumenta o docente do Unipê.
Para o arquiteto, economia, equidade e meio ambiente são os três pilares da sustentabilidade, e edifícios economicamente viáveis beneficiam a sociedade agora e no futuro. “Uma sociedade inclusiva pode expressar a sua história e cultura por meio dos edifícios, que devem ser agradáveis e úteis a todos. Quanto mais um edifício estiver em harmonia com o meio ambiente, menor energia será consumida e a vida útil do empreendimento será ampliada”, explica.
Assim, o professor lembra que um edifício não é um objeto isolado do meio ambiente: o empreendimento sempre está trocando energia com o ecossistema que o suporta. Por isso, uma técnica sustentável para uma região pode não ter o mesmo efeito que em outra – cada local precisa ser estudado com atenção.
Vladimir Sobral exemplifica: um grande fator que os arquitetos devem levar em conta em regiões quentes e que contribui para a sustentabilidade da obra é como ela está orientada em relação ao sol, pois dependendo da exposição os ambientes podem ficar mais aquecidos, causando o uso excessivo de ar-condicionado e consequentemente um grande aumento do consumo de energia.
Um outro aspecto importante citado pelo especialista é o adequado uso de ventilação natural: o vento é um componente vital no conforto térmico e na redução do consumo de energia, logo, as edificações do município devem ter esquadrias grandes que valorizem a ventilação cruzada em ambientes. “Portanto, isso pode e deve ser aplicado na cidade, porém, evitado em regiões frias”, diz.
Em pleno 2021, o Brasil possui diversas edificações que não seguem o padrão de sustentabilidade. Porém, ainda assim é possível voltar atrás. “Tornar uma edificação sustentável após a finalização de uma obra é uma tarefa difícil. Por vezes, recursos e acessórios adicionados posteriormente podem contribuir pouco do ponto de vista ambiental, sendo estes chamados de ‘ecomaquiagem’ por alguns autores”, ressalva.
O ideal, diz Vladimir, é tornar as construções sustentáveis desde o início. Mas se existe uma intenção de melhorar a qualidade de projeções já construídas, todas as técnicas de sustentabilidade poderão ser bem-vindas.
Incentivos fiscais
Em 2018, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei nº 252/2014, que determina a adoção de práticas de construção sustentável como diretriz na execução da política urbana e em edificações da União. O texto prevê que os imóveis poderão receber incentivos fiscais para utilizar técnicas sustentáveis, entre elas: a implantação de telhados verdes e o uso de sistemas de aproveitamento de energia solar, de águas pluviais e de reutilização de água. Porém, ainda falta aprovação da lei na Câmara dos Deputados.
Valorização de imóveis
De acordo com o docente do curso de Arquitetura e Urbanismo, construir edificações sustentáveis no presente pode beneficiar bastante a população nos próximos anos, além dos benefícios que a sustentabilidade traz à qualidade de vida, os edifícios serão mais valorizados na hora de compra e venda. Contudo, é preciso observar que para tornar as cidade mais sustentáveis é preciso disposição da população para colocar em prática esse propósito, e isso passa pela conscientização da sociedade, alerta o professor.
Passo importante para aplicação de práticas sustentáveis em um imóvel é a consultoria de um arquiteto que analisará analisar as características do local de construção do imóvel, a legislação da cidade e elaborar um projeto único. Ao longo do processo de elaboração do projeto, muitas práticas sustentáveis podem ser utilizadas, o que será definido entre o arquiteto e o usuário do imóvel.
Ensino, pesquisa e extensão
Fundado em 1971, o Centro Universitário de João Pessoa – Unipê possui conceito 5 pelo MEC, conforme avaliação in loco de recredenciamento presencial e credenciamento EAD, sendo a única instituição privada do estado a conquistar este feito, solidificando-se entre as melhores do país. O Unipê é reconhecido pela sua contribuição para o desenvolvimento da Educação no Brasil e na Paraíba, tendo um forte tripé de ensino, pesquisa e extensão em sua comunidade. A Instituição oferta cursos de graduação, presenciais e a distância, e pós-graduação (lato e stricto sensu) em diversas áreas do conhecimento. Pertence ao grupo Cruzeiro do Sul Educacional, um dos mais representativos do País.