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Opinião: Banco Central eleva a régua do ESG

Publicado em 28/09/2026 às 14:27 edição Lenilde Pacheco


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Augusto Cruz: a qualidade da informação ESG ganha peso na avaliação de crédito - Foto: Dvg

Por Augusto Cruz* 

Em 3 de setembro de 2026, o Banco Central publicou a Resolução BCB nº 586/2026, que reformula as regras de divulgação de riscos sociais, ambientais e climáticos pelas instituições financeiras no Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticas (GRSAC). As novas normas entram em vigor em 1º de janeiro de 2027.

Embora dirigida aos bancos, a norma terá efeitos relevantes para empresas e produtores rurais que dependem de crédito. A agenda ESG deixou de ser apenas uma declaração de princípios e passou a integrar mecanismos de supervisão, avaliação de risco e alocação de capital.

A resolução amplia o conteúdo quantitativo do GRSAC. As instituições financeiras deverão apresentar dados padronizados sobre a exposição de suas carteiras a setores de maior impacto ambiental, riscos físicos, como secas e chuvas intensas, distribuição por setor econômico e região e metas de redução de emissões. A mudança aproxima o relatório do Pilar 3 do Comitê de Basileia para Supervisão Bancária e dos padrões internacionais de sustentabilidade do IFRS.

O movimento integra um arcabouço regulatório construído pelo Banco Central nos últimos anos e acompanha uma agenda internacional que reconhece riscos climáticos e ambientais não apenas como questões de sustentabilidade, mas como fatores capazes de afetar a estabilidade do sistema financeiro.

É aí que a mudança chega às empresas. Para informar sua exposição por setor, região e tipo de risco, os bancos precisarão conhecer melhor seus clientes. Isso significa demandar dados sobre emissões, uso de recursos naturais, exposição a eventos climáticos, passivos socioambientais, controles internos e maturidade de governança.

A diligência socioambiental tende a deixar de ser apenas uma etapa burocrática de conformidade para alimentar diretamente relatórios regulatórios e modelos de risco. Na prática, a qualidade da informação ESG poderá ganhar peso na avaliação de crédito e na forma como as instituições financeiras enxergam cada tomador.

Empresas sem inventário de riscos, dados confiáveis ou políticas estruturadas poderão ser percebidas como tomadores de maior risco, com potencial impacto sobre taxas, limites e acesso a determinadas linhas. No sentido inverso, organizações capazes de demonstrar governança, controles e informações verificáveis estarão mais preparadas para negociar condições de financiamento.

A Resolução BCB nº 586/2026 eleva, assim, a importância econômica da informação ESG. Para quem depende de crédito bancário, acompanhar essa evolução regulatória é uma questão de competitividade e previsibilidade. Antecipar-se não significa aderir a uma tendência de marketing, mas organizar informações que, cada vez mais, farão parte da análise financeira.

* Augusto Cruz, advogado, escritor, professor, sócio da AC Governança & Sustentabilidade e especialista em ESG.