Título de Patrimônio Mundial da Unesco protege o sítio de Roberto Burle Marx
Publicado em 02/08/2021 às 00:26 edição Lenilde Pacheco
Sítio reúne plantas tropicais dos diversos biomas brasileiros - Foto: Iphan
O Sítio Roberto Burle Marx, onde morou e fez experimentos o mais famoso dos paisagistas brasileiros, foi reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco na última terça-feira (dia 27). Localizado em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, o espaço abriga uma coleção de mais de três mil e quinhentas espécies de plantas de regiões tropicais e semi-tropicais.
Burle Marx comprou a propriedade em parceria com o irmão, Siegfried, em 1949 e fez dela um laboratório para conhecer o comportamento da flora brasileira, até então pouco valorizada nos projetos paisagísticos. A partir dessas experiências, ele criou o jardim tropical moderno, que representou “uma mudança de paradigma no paisagismo, uma grande contribuição para a humanidade”, explica a diretora do sítio, Claudia Storino.
Boa parte das plantas que podem ser vistas no sítio hoje veio das excursões que Burle Marx fazia pelos diversos biomas brasileiros. O arquiteto e paisagista José Tabacow participou de várias delas, primeiro como estagiário e depois como sócio de Burle Marx. Ele relembra que a única situação que deixava o amigo irritado durante as viagens eram os flagrantes de destruição do meio ambiente.
O auxiliar em preservação e defesa ambiental, Sinval Pereira Filho, que começou a trabalhar no sítio aos 20 anos, ainda sob o comando de Burle Marx, conta que nessas expedições o paisagista chegou a descobrir cerca de 50 novas espécies, muitas batizadas com o seu nome, como o orthophytum burle-marxii.
Preocupado com a preservação do seu acervo, Burle Marx doou o sítio ainda em vida para o governo federal, em 1985, nove anos antes de morrer. Hoje o espaço está sob a responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Carlos Alberto Moreira da Silva, coordenador da manutenção do acervo botânico, conta que o desafio dos funcionários mais antigos agora é preparar os mais novos para cuidar desse presente deixado pelo paisagista. “As pessoas precisam saber disso aqui pra dar o valor que o sítio tem e merece”, afirma.
Herdeira do escritório de paisagismo criado por Burle Marx, a paisagista Isabela Ono comemorou a conquista do título de patrimônio mundial que assegura a preservação do espaço. No fim de 2019, ela e os dois sócios criaram o Instituto Burle Marx com a finalidade de tornar público também o acervo de projetos, croquis, fotos, maquetes, entre outras peças, que pertencem ao escritório. “Agora, temos forças reunidas para preservar esse legado tão importante que o Burle Marx deixou pra nós”, diz Isabela.
Fonte: Agência Brasil