Ações de manejo vão preservar bambuzal do Aeroporto de Salvador
Publicado em 26/04/2022 às 07:52 edição Lenilde Pacheco
Bambuzal Foto: Otávio Santos/Secom Prefeitura Salvador
O centenário bambuzal situado ao longo da avenida de acesso ao Aeroporto Internacional de Salvador receberá ações de manejo físico e ambiental. A Prefeitura da capital baiana, por meio da Secretaria de Manutenção da Cidade (Seman), iniciou a execução dos trabalhos que visam a preservação do local, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como área de proteção cultural e paisagística de Salvador.
Tombada pelo Iphan, a área possui 61 mil m² que compõem o corredor de acesso ao aeroporto, a Avenida Tenente Frederico Gustavo dos Santos, cuja extensão é de 1,5 Km. De acordo com a Seman foram contabilizados em toda a área 50 mil hastes de diversas espécies de bamboo.
Com base nos estudos realizados por equipe técnica da Seman, serão executadas ações preventivas para manter a área verde em boas condições, além de evitar possíveis transtornos aos transeuntes. Está atuando no local uma equipe multidisciplinar composta por engenheiros agrônomos e ambientais, além de biólogos. A execução das ações de manejo físico e ambiental do bambuzal teve início no dia 10 deste mês.
O titular da Seman, Luciano Sandes, lembrou que o bambuzal faz parte da história da cidade e que conservá-lo integra as diretrizes municipais voltadas à preservação do legado natural da capital baiana. “A ideia é preservar as características físicas e ambientais e manter esse aspecto cênico da entrada do aeroporto que é um patrimônio cultural de Salvador”, reforçou o secretário.
Os trabalhos previstos incluem a roçagem com retirada de palhas e folhas, a fim de evitar a proliferação de fungos e até mesmo a incidência de incêndios; a limpeza da vala de contenção que passa no meio do bambuzal, e ainda a marcação dos brotos para que o desenvolvimento possa ser acompanhado ao longo dos anos.
Dentre as ações, o projeto de preservação prevê a manutenção das raízes e a adubação feita com nitrogênio, fósforo e potássio, além de esterco curtido para melhorar a qualidade do substrato onde estão fincados os bambus. Essa adubação também passará a ser realizada na área anualmente, pelo município. Todas estas intervenções deverão durar seis meses e estão avaliadas em torno de R$900 mil.
Estudos preliminares – Com o envelhecimento clínico e fisiológico do bambuzal, a área apresenta muita queda de hastes e folhas e a morte de diversas touceiras. A análise dos especialistas da Seman avaliou o estado de solidez e estabilidade das espécies, como a inclinação das hastes, extensão dos caules, presença de necroses e ainda acometimento de pragas, a exemplo de cupim e fungos.
Algumas hastes, por exemplo, apresentam sobrepeso em razão da altura demasiada, causando instabilidade estrutural e eventual risco de tombamento. A altura também é propícia a deixar o solo úmido, contribuindo na proliferação de fungos. Já o excesso de folhas pode desencadear incêndios caso entre em contato com algum estopim, como bagas de cigarro.
Estima-se que o corredor icônico de bambus em Salvador tenha começado a ser plantado na década de 1920. Historiadores acreditam que na década de 1940, em meio à Segunda Guerra Mundial, a área serviu como base para esconder aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).