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Salvador: Especialistas discutem políticas públicas para aproximar crianças da natureza

Publicado em 01/10/2025 às 00:27 edição Lenilde Pacheco


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Participaram da audiência educadores e gestores para debater soluções que aproximem a infância da natureza - Foto: Divulgação

A importância das políticas públicas que aproximem as crianças e adolescentes da natureza, oferecendo pátios escolares e praças mais verdes e adaptados às práticas pedagógicas, esteve no centro das discussões na Câmara Municipal de Salvador, onde aconteceu a Audiência Pública “Criança, Educação e Natureza”, numa iniciativa do vereador André Fraga (PV), em parceria com o Instituto Alana. Durante a reunião, nesta segunda-feira (29), no Centro de Cultura Vereador Manuel Querino, foram avaliadas as ações necessárias para aproximar crianças de espaços verdes, com entorno também seguro, saudável e inclusivo.

Integraram a mesa diversos especialistas, como JP Amaral, gerente de Natureza do Instituto Alana; Matheus Passos, oficial de Águas, Saneamento e Higiene do Unicef; Thiago Dantas, secretário municipal de Educação; Pablo Souza, secretário de Mobilidade; Tânia Scofield, presidente da Fundação Mário Leal; Ivan Euler, secretário de Sustentabilidade e Resiliência; Denise Gomes, representando a Desal; Simone Café, do Núcleo Especial de Apoio à Primeira Infância; e Daniel Cady, cofundador da Escola Ybá.

Também participaram professores, pais, gestores escolares e organizações da sociedade civil, que compartilharam experiências e desafios na integração da natureza ao cotidiano escolar. Entre as propostas discutidas estão hortas e jardins escolares, preservação de áreas verdes urbanas e soluções de mobilidade inclusiva que garantam acesso seguro das crianças a esses ambientes.

“O direito ao verde é também o direito a uma infância plena e saudável. Cada vez mais, vemos crianças afastadas da natureza, tanto pelo uso excessivo de telas quanto pela escassez de áreas verdes próximas aos domicílios. A escola pode e deve ser esse espaço de reconexão”, disse André Fraga, lembrando que o acesso a um meio ambiente equilibrado é garantido pela Constituição Federal e precisa ser assegurado a todas as crianças.

Realidade

Segundo dados do Instituto Alana, Salvador lidera o ranking das capitais com pior acesso infantil a áreas verdes: cerca de 87% das escolas não possuem cobertura vegetal. A pesquisa, realizada em parceria com o MapBiomas e a Fiquem Sabendo, analisou mais de 20 mil instituições em todo o país e revelou que metade das escolas da cidade está em áreas de risco climático, sujeitas a alagamentos e deslizamentos, agravando os impactos das mudanças climáticas no aprendizado e na saúde das crianças.

Para JP Amaral, a capital baiana enfrenta grandes desafios, mas também apresenta oportunidades para aproximar educação e natureza. Ele destacou que o levantamento identificou déficit de áreas verdes dentro e ao redor das escolas, além da presença de muitas unidades em áreas de risco climático. “Já existe um olhar intersetorial entre secretarias, com iniciativas de pátios naturalizados e melhorias na mobilidade do entorno. Esse é o melhor caminho que a Prefeitura pode seguir”, afirmou.

Nesse cenário, Amaral ressaltou que o debate liderado pelo vereador fortalece a construção de políticas públicas que integrem clima e educação. Ele defendeu a inclusão das escolas no plano de adaptação climática da cidade, recordando que, em situações de desastre, elas funcionam como espaços de acolhimento para as famílias. “Precisamos preparar o setor da educação como um ativo central no planejamento climático de Salvador”, completou.

Daniel Cady citou como exemplo a Escola Ybá, planejada desde a arquitetura até a metodologia para integrar crianças ao ambiente natural. Ele explicou que a concepção dos espaços e a proposta pedagógica estimulam o aprendizado ao ar livre e a convivência com a natureza. “Quando a gente integra todos os sentidos, o aprendizado se multiplica. É preciso retomar a convivência com o ambiente externo”, defendeu.

Ao final da reunião, o parlamentar reforçou o compromisso do mandato com a pauta: “Nosso trabalho também busca garantir que cada criança tenha acesso a espaços que inspirem saúde, aprendizado e cidadania. Essa audiência é um passo importante para transformar essa visão em realidade.”

Como encaminhamento, foi anunciada a criação da Coalizão Criança e Natureza, uma rede de parceiros voltada a fortalecer políticas que conectem educação, meio ambiente e mobilidade urbana, ampliando experiências bem-sucedidas já presentes em escolas públicas e privadas da cidade.