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Saiba como as mudanças climáticas influenciam os incêndios na Califórnia

Publicado em 15/01/2025 às 10:49 edição Lenilde Pacheco


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É alarmante a intensificação de eventos extremos decorrentes das mudanças do clima - Foto: Governo da Califórnia

Os incêndios com maior proporção da história de Los Angeles, na Califórnia, acontecem durante o inverno no Hemisfério Norte. Calor extremo, seca prolongada e ventos fortes culminaram no cenário devastador que deixou milhares de pessoas desabrigadas e dizimou bairros.

O fato alarmante é mais um exemplo do que acompanhamos em todo o mundo com a intensificação de eventos extremos decorrentes das mudanças do clima.

No Brasil, condições semelhantes, como a seca e os ventos fortes e secos, levaram a um 2024 com recordes de área queimada em biomas como a Amazônia e no Pantanal. Já o grande volume de chuvas, culminou na tragédia do Rio Grande do Sul.

O desastre causado pelo fogo na Califórnia está diretamente relacionado ao aumento da temperatura média da região; a temporada de chuvas constante entre 2022 e 2023, que gerou um crescimento na vegetação local; seca prolongada e ventos de até 160km/hora.

A união desses fatores levou a criação de múltiplos focos de fogo, que se espalharam rapidamente por conta das rajadas de vento, que também aumentam o tamanho das labaredas. Já são mais de 150 mil desabrigados e 24 mortos, e a área atingida pelo incêndio é maior que a cidade de Paris.

Aquecimento global

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que 2024 foi o ano mais quente desde que monitoramos a temperatura média global da Terra. É importante lembrar que os últimos dez anos estiveram todos entre os dez mais quentes. No Brasil, os desastres climáticos tiveram um aumento de 250% nos últimos quatro anos.

Os números alarmantes revelam a necessidade de uma mudança drástica em direção a uma economia de baixo carbono, com foco em tratar as causas dos desastres, e não apenas em sua prevenção e contenção.

Sustentabilidade

O enfrentamento da escalada dos eventos climáticos extremos, requer investimento massivo em políticas que incentivem um futuro verde, apoiando iniciativas como os Mercados de Carbono, a Transição Energética e de infraestruturas verdes, baseadas em Soluções Baseadas na Natureza (SbN).

Essas estratégias, que incluem a restauração de ecossistemas, o manejo sustentável de florestas e a proteção de áreas de biodiversidade, ajudam a reduzir o risco de fogo, fortalecem os ciclos naturais de retenção de carbono e melhoram a resiliência das comunidades locais. A adoção dessas soluções não só mitiga os impactos ambientais, mas também cria oportunidades econômicas, especialmente em países ricos em recursos naturais como o Brasil.

Para a presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, Marina Grossi, as estratégias exigem integrar ao planejamento urbano soluções como reflorestamento de áreas de encostas e margens de rios, criação de zonas úmidas, adaptação baseada em ecossistemas para combater ilhas de calor, parques e telhados verdes, pode contribuir tanto para a resiliência de nossas cidades aos eventos climáticos extremos quanto para a própria mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

Esse modelo oferece benefícios significativos para o planejamento de cidades e empresas, promovendo uma infraestrutura sustentável e resiliente. Em áreas urbanas, a integração de elementos naturais melhora a qualidade do ar e aumenta a capacidade de drenagem, mitigando enchentes e outros eventos. O setor privado também pode desempenhar papel decisivo, contribuindo para iniciativas sustentáveis que impactem diretamente na diminuição de gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global.

Estratégias como as Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e os Mercados de Carbono não apenas ajudam a conter o avanço dos eventos climáticos extremos, como também apontam para um modelo econômico mais equilibrado, inclusivo e resiliente. Enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas exige um esforço coletivo que alia governos, empresas e comunidades em torno de soluções concretas e sustentáveis, que não serão construídas do dia para a noite, mas desempenharão papel crucial em um futuro verde.

 

Fonte: Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável