img
img

Plano busca equilíbrio entre uso da água e conservação da Bacia do Paraguaçu

Publicado em 15/08/2025 às 00:39 edição Lenilde Pacheco


img

Plano visa garantir o uso sustentável dos recursos hídricos cada vez mais escassos - Foto: Divulgação

Técnicos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) apresentaram os avanços na elaboração do Plano de Bacia do Rio Paraguaçu – instrumento fundamental para orientar o uso sustentável e a recuperação dos recursos hídricos.  O trabalho já passou pela fase de diagnóstico, mapeando a situação atual da bacia, seus desafios e potencialidades. Segundo o representante do Inema, Fábio Gondim, a previsão é concluir o estudo até dezembro ou janeiro de 2026.

A apresentação do trabalho ocorreu durante a 70ª Reunião Ordinária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraguaçu (CBHP), realizada em Utinga (BA). A expectativa é que o plano sirva como base para orientar investimentos, definir prioridades e integrar políticas públicas voltadas para abastecimento, irrigação, saneamento e preservação ambiental em todos os municípios abrangidos pela bacia.

“O plano vem trazendo muitos panoramas de como está a bacia hoje em dia. Agora estamos na fase de elaboração dos prognósticos, que são aqueles projetos futuros. Contamos com a participação de todos para construir um instrumento cada vez mais robusto que possa ser utilizado para a bacia como um todo”, explicou Gondim.

O engenheiro civil Wilson Mascarenhas, membro titular do CBHP e integrante da Câmara Técnica de Planos, Programas e Projetos (CTPPP) do Comitê, destacou a importância do momento para além dos aspectos técnicos: “A plenária foi fundamental para conscientizar a população sobre os resultados e expectativas de um plano de bacia. Não podemos ter um documento que fique apenas no papel. Estamos sonhando com o futuro de uma região, com a melhor condição de vida possível para os moradores e com o aproveitamento adequado dos recursos hídricos”, explicou Wilson.

O Plano de Bacia, previsto na Política Nacional de Recursos Hídricos, é um documento estratégico que define ações de curto, médio e longo prazo para a gestão das águas. Experiências semelhantes já foram implementadas em outras bacias da Bahia, como a do Rio das Contas e do Rio Salitre, resultando em projetos de revitalização de nascentes, melhorias no abastecimento de comunidades rurais e programas de monitoramento da qualidade da água.

A participação social segue como um dos pilares do processo, com reuniões, oficinas e consultas públicas para garantir que as propostas reflitam as necessidades reais da população e promovam a sustentabilidade hídrica de forma compartilhada.

Mudança Climática

O trabaho desenvolvido no âmbito dos Comitês das Bacias Hidrográficas é relevante em razão dos desafios que cercam a gestão hídrica. No documento intitulado ‘Impacto da Mudança Climática nos Recursos Hídricos”, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico faz uma série de alertas, assinalando a importância do planejamento de ações que contribuam para garantir a segurança hídrica diante das incertezas sobre a disponibilidade de água em todo o País. “A escassez hídrica pode resultar em perdas econômicas significativas em diversos setores, como agricutura e turismo”, registra o estudo. A análise de cenários revela uma predominância de diminuição das vazões em bacias das regiões Norte e Nordeste.