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Pesquisadores analisam novas manchas de óleo encontradas no Litoral da Bahia

Publicado em 03/07/2021 às 12:05 edição Lenilde Pacheco


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Óleo encoberto pode ser trazido por correntes marítimas de inverno - Foto: Adema/Gov de Sergipe

Manchas de óleo foram novamente encontradas no Litoral da Bahia, quase dois anos após o maior vazamento registrado na costa brasileira. Durante esta semana, o material foi visto na praia de Itacimirim, município de Camaçari, na região metropolitana de Salvador. Segundo o professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Francisco Kelmo, entre 300 kg e 400 kg da substância foram retirados do local.

A Capitania dos Portos da Bahia informou que as manchas foram identificadas por moradores na segunda-feira (dia 28), desencadeando uma operação iniciada na quarta para remoção dos resíduos presos em rochas. Parte do material foi recolhido para análise do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), da Marinha, e do Instituto de Geociências da UFBA, que devem apontar se a substância é a mesma que surgiu nas praias do Nordeste no fim de agosto de 2019.

De acordo com o pesquisador Francisco Kelmo, a substância é semelhante àquela que provocou o acidente ambiental há quase dois anos. Por causa da sua densidade, fica concentrada em profundidades que dificultam a identificação até por imagens de satélites. “É um material de alta densidade, endurecido, que viaja em torno de 1 m e 1,20 m de profundidade e fica preso ao substrato. A gente só vê quando chega na zona rasa, próximo ao continente”, disse o biólogo.

Correntes marítimas 

Preso a recifes de corais próximos da zona costeira, o óleo acaba encoberto pela areia das praias. Com o inverno e mudanças nas correntes marítimas, a substância é “desenterrada”, explicou Kelmo. “Este material chegou em 2019, aderiu à superfície do recife, e a parte do recife que fica próxima à areia, que fica voltada para o continente, é recoberta pela areia sazonalmente. Estamos em inverno, frentes frias, movimentos anticiclone, ondas altas, tudo isso contribui para desenterrar aquela areia e mostrar esse óleo”, acrescentou.